No bosque da vida as clareiras são esparsas cantando a elegia do resto dos dias.
Sou a árvore paciente acolhendo os frios das manhãs com a alegria do acordar dos tentilhões, único acorde que desperta o vazio longo.
Som cavado no peito.
Não fora o eco do chilreio inquieto dos pardais e adormeceria no pasmo das folhas quietas.
Mas a cogitação para.
Detenho-me na aceitação do orvalho, do sol, na monotonia aparente destes limbos, olhando-me insistentemente. Enquanto o outono não chega também eles vivem cada dia.
E penetram no meu inconsciente, agora num balancear breve de um ligeiro sopro matinal.
Num interrogatório inquietante.
De infinda incompreensão. Inquisitória.
Uma sintonia nos aproxima: Somos parte destes Seres Viventes completando o Todo da Terra.
Olho o vazio.
Regresso ao vazio de mim, agora preenchido com a serenidade ainda inquieta na certeza do Tudo.
O Mundo que penso ser, reduz-se à Partícula incandescente, imensa, de um pulsar.
É aqui que devo estar.
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