SEGUIDORES

sábado, 14 de maio de 2022

Deixem

 



Deixem soltar os respiros das flores.

Há vagas de alegria nas sedas que me

fogem das memórias e palavras que

morrem de saudades.

 Há delírios nos sonhos que emudeceram

e torpedeiros que matam a primavera do

meu tempo.

 

Deixem passar o pólen,

deixem que sejam as abelhas

a fazerem a guerra.

Só quero o mel que me resta ,

abraçar o mundo,

sorrir como as crianças.

fazer da vida uma festa.


Manuela Barroso

(Todos os direitos reservados)


terça-feira, 26 de abril de 2022

Faz-se tarde

 


 Túnel do amor-Ucrânia




Faz-se tarde na esquina do leste. as sombras
nocturnas bebem ávidas  o hálito da noite
escorraçando a morte pelos orifícios do meio dia.
o gelo escorre na página em branco perdendo-se
no mosto azedo da pólvora em delírio. um silêncio
de gritos e olhos de maré cheia são tropeços na
incógnita do cais.
 
Encurralados e exaustos
são janelas baças no limiar
da dor  na imprecisão dos
tambores onde se embalam
os cães e ressuscitam os mortos.


Manuela Barroso-2022

 

 

 


domingo, 17 de abril de 2022

Feliz Páscoa!

"Prece" 
de Fernando Pessoa
 por Maria Bethânea 


 



Algumas coisas são explicadas pela ciência, outras pela fé. A Páscoa ou Pessach é mais do que uma data, é mais do que ciência, é mais que fé, Páscoa é amor.

  Albert Einstein

 




Por isso choro em mim a mágoa verdadeira
De ter nascido tarde e só te vir achar,
Feito em marfim, metal, pedra, madeira,
No cimo de um altar!

 

 José Régio, in Poemas de Deus e do Diabo, Portugália Editora, "Obras Completas", 1969


 PARA TODOS/AS

UMA  FELIZ PÁSCOA FELIZ.


MBarroso



terça-feira, 1 de março de 2022

Paz

 


Enquanto o clamor das sirenes e o atordoar das bombas galopam incendeiam os céus, tento aquietar o pensamento dos devaneios imparáveis numa penitência tão, mas tão penosa!

As minhas luminescências são agora os relâmpagos cravados na memória cansada de tantas imagens coladas em incessantes tatuagens numa dolorosa impiedade.

A execrável insaciedade e ganância do materialismo ramifica-se em garras de nuvens negras num injustificado sadismo bélico fratricida onde as imagens de crianças são a mais dura faca que atravessa o coração dos mais fortes.

Incapaz de gerir este doloroso dia a dia, refugio-me na serenidade relaxante da música que me vai acalmando e da oração das Ave- Marias , numa fuga desmedida desta escuridão terrena , plena de  perversidade de actos e desvalorização do plano espiritual, suporte das nossas fragilidades humanas e do qual somos as suas Criaturas.

Refugiando-me na casa da minha Paz interior, a minha imaginação vagueia por  bosques, vales , prados, sol-poente ou a aurora do dia . E  aquieto o meu sono colo da Virgem Maria.

 

Manuela Barroso

 


sábado, 22 de janeiro de 2022

110 Anos , 110 Poetas - Universidade do Porto


Antologia Comemorativa dos 110 Anos da Universidade do Porto


No 110 º Aniversário da Universidade do Porto, tive a honra de ser convidada 
a participar com um poema para assinalar esta data, na Antologia Comemorativa dos 110 anos com a organização da Professora Dra Isabel Morujão, docente neste estabelecimento de ensino.
Perante as pessoas de talento e enorme estatura literária que passaram durante este tempo por esta Universidade, senti uma enorme responsabilidade perante tal  convite. 
Daí o meu obrigada por fazer parte desta Antologia.


Capa



Contra-capa




Excerto

 ...
Paralisa-me o sorriso híbrido,
o sufoco da irrequietude humana
na voragem cega do cinza ácido de cada dia.
É neste caminho opaco
que encontro a voz que me fala dos segredos
que guardo e não ouço.
Aquieta-me a juventude mansa
do borbulhar de tudo o que nasce
no assombro da Criação.
E tudo para nesta prisão de liberdade
que sinto,
que vejo
e escuto
numa harmonia sinestésica de um piano de minutos
escorrendo vagarosamente no tempo.
 
...
  
A memória adormecida
é cometa na comporta do silêncio,
é o suporte da alegria primaveril que não se escoa,
hoje veleiro e utopia,
flutuando nos tentáculos
de tudo o que não é pessoa.


Manuela Barroso
Alumna FLUP ( 1º Curso de FR-1968)
Inédito

Manuela Barroso