anunciando a alegria
de estrelas azuis.
Nos ninhos aquecidos de peitos maternos,
dormem ondas de amor
nas marés do coração.
Arruma as angústias,
sacode a poeira que embacia o teu Agora.
que guarda a fortaleza no poema da tua alma.
OS AFECTOS E EMOÇÕES SÃO A SINFONIA DA ALMA...
O teu som penetra na sombra dos
bosques onde se
difunde
a harmonia.
A
tua luz côa-se pelo filtro espesso dos dedos da
ramagem.
Tudo
se esquece neste vale onde a calma é o
prelúdio
da tua música cujas notas penetram
também
no seio da terra.
São
ondas de êxtase acompanhando esta viagem
no
murmúrio do silêncio fresco que desperta as penas
dos
pássaros no terraço da manhã.
A
alegria esboroa-se no ar em poalha de reflexos de luz,
na
miragem de imagens ténues no jade do orvalho.
Cai
o pano do olhar no veludo da erva vestida de vapores matinais.
O
aroma cresce por entre campos de amoras.
Silencio
o desassossego deste paraíso efêmero
e
num sagrado deleite
me
distancio
antes
que outra sombra se deite.
E
procuro outros vazios.
Manuela Barroso
![]() |
| Imagem -net |
Fecho os olhos e percorre-me a música de maio.
É o êxtase inconfessável nos sons definidos e
indefiníveis.
É a cor divisível nas folhas e cambraias de flores,
no indivisível que se afunda na incapacidade
cósmica
que cinzela a perfeição.
É o grito impotente de abraçar o abismo
onde enterro a minha impotência.
Uma enorme sensação de paz quase desumana,
troca esta fome de alcançar o indivisível
para morrer na alegria de estar aqui.
Abro então os olhos e sinto quão grande
é a beleza deste cântico que sepulta a minha
alma
num leito verde e florido, num eflúvio que
abarca
todos os sentidos e mata esta sede de abraçar os
sons
deste Poema feito Vida e Mundo,
Terra e Flores
e Pássaros .
Manuela Barroso, "Luminescências", 2019