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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Lembrando o Natal


Hoje a saudade bateu à minha porta.
Peguei na criança que fui e embalei-a no pensamento das minhas memórias repletas de recordações.
Eram dias frios e húmidos nas terras do Gerês.
A noite era o breu que cobria a aldeia entre-cortada de pinheiros e eucaliptos.
O peito enchia-se do aroma purificador do pinho ácido.
A manhã crescia com a azáfama do Natal. Os adultos trocavam conversas sérias, feitas de sabores sobre doces e a ceia.
Mas... e o presépio?
Isso era com as crianças...
Então, descia os caminhos toscos, serpenteados por entre os pinhais que levavam ao rio.
As pedras penduravam-se viçosas e verdes de líquenes. E eu colhia as pastas de musgo da face dos rochedos, deitados por entre os pinheirais.
...E nascia um presépio com cheiro a pinho, a musgo, a verdade...
Não tinha luzes psicadélicas mas um único ponto fixo luminoso, recordando a mensagem de Belém.
...Nasceu um Menino que iria inquietar os bem instalados na Terra.
...E a mesa crescia com a alegria da festa, e a festa dos sabores.
Meia-noite.
O sapato mais bonito para que o Menino Jesus, ao descer a chaminé, trouxesse o ambicionado presente! Era uma presença especial, pois claro!..
...E lá ia deitar-me vendo bem a posição do sapato, não fosse Ele esquecer-se...
...Adormecia com o sapato e a ansiedade...
...E mal nascia o dia, corria para a chaminé pendurando a surpresa no coração...
...E o Menino sempre se lembrou de mim...
…E a alegria era do tamanho da felicidade daquele instante!..
...

Hoje também recebo presentes...
...Mas não ponho o sapatinho!..
Hoje também ofereço presentes...
...Mas não são para pôr no sapatinho...
...São para o " pinheirinho" entupido de embrulhos e laços pretensiosos...
...E parece que a festa começa aqui...com as crianças histéricas a abrir presentes...continuando a abrir presentes, agora já entediadas...acabando por lançar neles um olhar absorto, mudo, fundo!
...Digam-me. O que mudou?

...E perco-me em mim. Agora, não na saudade, mas nas perguntas que borbulham na alma como lava num vulcão!..
...E as respostas saem luminosas e quentes...
...Ora me queimam, inquietando-me...
...Ora me inquietam, borbulhando, queimando ainda mais!


...Ah! O meu Natal…                    
...O meu sapatinho…
...O meu Menino Jesus
...alegria sem igual!


Manuela Barroso
( reeditado )




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Natal-2016





Hoje a saudade bateu à minha porta.
Peguei na criança que eu fui e embalei-a no pensamento das minhas memórias repletas de recordações...
...Eram dias frios e húmidos nas terras do Gerês.
A noite era o breu que cobria a aldeia entrecortada de pinheiros e eucaliptos.
O peito enchia-se do aroma purificador do pinho ácido enquanto a manhã crescia com a azáfama do Natal. Os adultos trocavam conversas sérias, feitas de doces e da ceia.
Mas... e o presépio?
Isso era com as crianças...
Então, descia os caminhos toscos, serpenteados por entre os pinhais que levavam ao rio.
As pedras penduravam-se verdes e viçosas. E eu colhia as pastas de musgo da face dos rochedos, deitados por entre os pinheirais.
...E nascia um presépio com cheiro a pinho, a musgo, a verdade...
Não tinha piscas de luzes  mas um único ponto fixo luminoso, recordando a mensagem de Belém.
...Nasceu um Menino que iria desinquietar os bem instalados na Terra.
...E a mesa crescia com a alegria da festa, e da festa dos sabores.
Meia noite.
O sapato mais bonito para o Menino Jesus! Era uma presença especial, pois claro!..
...E lá ia deitar-me vendo bem a posição do sapato, não fosse Ele esquecer-se...
Adormecia com o sapato e a ansiedade
...E mal nascia o dia, corria para a chaminé, pendurando a surpresa no coração...
...O Menino lembrara-se de..mim e a alegria era do tamanho da felicidade daquele instante!..



Hoje também recebo presentes...
...Mas não ponho o sapatinho!..
Hoje também ofereço presentes...
...Mas não são para pôr no sapatinho... mas para o " pinheirinho" entupido de embrulhos e laços pretenciosos...
...E parece que a festa começa aqui...com as crianças histéricas a rasgar papéis e laços ...continuando...a abrir presentes agora já entediadas...acabando por lançar neles um olhar absorto, mudo, fundo!

Perco-me em mim. Agora, não na saudade, mas nas perguntas que borbulham na alma como lava num vulcão!..
...E as respostas saem luminosas e quentes...
...Ora me queimam, inquietando-me...
...Ora me inquetam, queimando-me ainda mais!
...Ah! O meu Natal
...O meu sapatinho
...O meu Menino Jesus!
...
(reeditado)

FELIZ NATAL PARA TODOS!

Manuela Barroso



Nasceu um Menino que iria desinquietar os bem instalados na Terra.