Vou descendo com o sol ansiando a paz do fim do dia.
Uma espécie de embriaguez entorpece o raciocínio na fuga vertiginosa da tarde,
com os seus olhos mornos
que se vão pintando no crepúsculo.
Tudo se encerra com a vinda da noite: Lar-Colmeia- Paz!
Não é luz, não é sol nem é a vida que enche o templo de algumas abelhas carregando colmeias de mel.
Não!
São colmeias vazias ou cheias de favos de amargo e falso mel...
E a minha alma vagueia, inquieta, na leitura destes sorrisos azedos, sufocando os olhos de mel no vazio do pólen que
antes se diluiu nos vapores do vento...

E ela sorri, veste a mesa de suor, despe a cama de lágrimas...
Já não é ela...
...É uma coisa de gente, gente que não é coisa, gente que já foi gente...
Hoje é ferida que ninguém vê e em breve ,uma escara ferrada
no corpo que já não dói porque nem sente.
Já não vive...
...É uma anta ambulatória com sorrisos amargos...
O doce sorriso funde-se na chaga que esconde na culpa dessa maldição que abafa e aninha na colmeia podre
com mel suicida.
Mas o sorriso vai rolando pela face, misturando-se com as lágrimas no compasso desta morte lenta.
...E já não é coisa nem é gente.
Já nem sente!
É fantasma de mulher- moribunda na flor desflorida do seu martírio!
...E o sorriso azedo rasgou-lhe as pétalas, sugou-lhe o perfume
para verter o ácido neste mel sádico...na pele macia e quente
de mulher que já não é gente!
Nesta raiva com que fico
Neste amor que te dedico
A ti, mulher, este meu grito!
Manuela Barroso ( reeditado)
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