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domingo, 3 de novembro de 2019

Outono



Há vários outonos na minha vida.

Todos tinham o sabor da melancolia. Não sei se por a luz filtrada do sol, se pela envolvência que sempre mantive com a natureza.
Essencialmente, o outono cheirava a livros, papéis e lápis de cor e a um trabalho extenuante que não deixava ver e ler as folhas caídas que dançavam no chão.
...Mas o meu outono é aquele que está escrito no tempo da minha memória com recordações fechadas como que em gavetas deste móvel que guarda sinestesicamente as imagens das folhas outonais, as primeiras chuvas frias e os dióspiros coloridos e doces.
...E na minha gaveta de hoje, estão guardados os ouriços defensivos com as castanhas luzidias a nascer!
O castanheiro é um "caminho" longo e difícil! Entre as folhas, os ouriços com seus picos desafiam para uma subida que eles sabem ser custosa. Então, o melhor é esperar...
...E lembro aqueles fins de tarde mortiços de outono, descendo os córregos até ao ribeiro e deparar com os cogumelos que tinham o dom de me irritar! Lindos e num desafio vaidoso, olhavam-me numa tentação provocante e desmedida: Nunca sabia o que eles escondiam: se a minha verdade ou a sua mentira...
E carregando esta incógnita, lá os deixava...olhando para trás, deixando-os num sorriso solenemente sádico...Que raiva!
Mas nos valados e nos campos, por entre a erva fria, escondiam-se as castanhas, ora desprendidas do ventre, ora ainda por nascer e cuja técnica do parto ainda não esqueci...
...E voltava com um friozinho na cara e as castanhas apanhadas de fresco, tenras e brilhantes numa cesta de verguinha com folhos e laçarotes a que se juntavam as doces maçãs de S. Miguel.
...Só os cogumelos lá ficavam, num desafio irritante zombando da minha ignorância...
A palidez do céu tornava-se cada vez mais acentuada.
Tudo estava solenemente calmo.
E o sol rasava as colinas lá ao longe, num horizonte vermelho purpurino, onde os meus olhos pousavam numa quietude suave,doce!

Também sentias assim?
  

Manuela Barroso

(reeditado)



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Outono

 imagem da net
Há vários outonos na minha vida.
Todos tinham o sabor da melancolia. Não sei se por a luz filtrada do sol, se pela envolvência que sempre mantive com a natureza.
Essencialmente, o outono cheirava a livros, papéis, lápis de cor e a um trabalho extenuante que se aproximava, que não deixava ver e ler as folhas caídas que dançavam no chão.
...Mas o meu outono é aquele que está escrito no tempo da minha memória com recordações fechadas como que em gavetas deste móvel que guarda sinestesicamente as imagens das folhas outonais, as primeiras chuvas frias e os diospiros coloridos e doces.
Na minha gaveta de hoje, estão guardados os ouriços defensivos com as castanhas luzidias a nascer!
O castanheiro é um "caminho" longo e difícil! Entre as folhas, os ouriços com seus picos desafiam para uma subida que eles sabem ser custosa. Então, o melhor é esperar...
...E lembro aqueles fins de tarde mortiços de outono... descendo os córregos até ao ribeiro e deparar com os cogumelos que tinham o dom de me irritar! Lindos e num desafio vaidoso, olhavam-me numa tentação provocante e desmedida: Nunca sabia o que eles escondiam: se a minha verdade ou a sua mentira...
E carregando esta incógnita, lá os abandonava...olhando para trás, deixando-os num sorriso solenemente sádico...Que raiva!
Mas nos valados e nos campos, por entre a erva fria, escondiam-se as castanhas, ora desprendidas do ventre, ora ainda por nascer e cuja técnica do parto ainda não esqueci...
...E voltava com um friozinho na cara e as castanhas apanhadas de fresco, tenras e brilhantes numa cesta de verguinha com folhos e laçarotes a que se juntavam as doces maçãs de S. Miguel.
...Só os cogumelos lá ficavam, num desafio irritante zombando da minha ignorância...
A palidez do céu tornava-se cada vez mais acentuada...
Tudo estava solenemente calmo...
E o sol rasava as colinas lá ao longe, num horizonte vermelho purpurino, onde os meus olhos pousavam numa quietude suave...doce...

Manuela Barroso

 Reeditado-2010




terça-feira, 30 de novembro de 2010

FIM DE TARDE

Percorria a estrada ladeada de abetos e pinheiros, acompanhada dos "Laços"enternecededores dos "Toranja" em cuja poesia o meu pensamento se embalava , quando os meus olhos se perderam mais uma vez no horizonte...
A abóbada celeste cobria-se de um tom pardacento como convém a uma tarde de outono.
O sol desceu, fechando as pálpebras na linha do mar.
A luz tornava-se mais difusa neste fim de tarde já fria. O olhar transgredia a minha atenção, pousando no horizonte onde o sol se aninhava sob uma espécie de dossel.
As núvens desenhadas em escamas e pinceladas longitudinais, eram os lençóis que cobriam o sol.
...E o "aposento"apresentava-se alegre como convém, com a chegada do dono da casa , depois de mais um dia de trabalho.
As cores misturavam-se, numa explosão de euforia, onde o vermelho e o laranja teciam este quadro que se alargava num horizonte longo...longo...
O arvoredo, pousado no solo, formava uma cortina verde que contrastava com a imagem de fundo, numa reverência contínua perante a magnificência do efeito de luz!
Atravessei este manto de folhas perenes e avistei o mar. Anastesiei por segundos a imaginação...e mergulhei o pensamento na aventura do oceano!
As pinceladas de núvens coloridas fundiam-se e penetravam na água brilhante e lisa, formando um espelho onde o céu se mirava...
Arrefecia a tarde mais e mais...
Sentei-me num varandim na companhia de um chá quente.
Enquanto degustava o sabor exótico das Índias, os olhos dormiram por instantes naquele barco lá longe.
...E o mundo parou...
...Perdi-me no tempo, numa espécie de êxtase meditativo...
Acordei com o piar das gaivotas à procura de berço...
A noite caía...
...E o laranja-púrpura deu lugar a um azul escuro seduzido por Vénus.
A luz morria...
Fechavam-se as cortinas...
...E embrulhei nos meus olhos a cor da tarde que agora dormia...
Até amanhã!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DE MIM


O sol já deita os olhos nas colinas que eu abraço...

...e a luz vai baixando oblíqua...num cansaço, num azul de céu transparente e doce que cobre a terra aqui , vestida de verde paz!
...e dos braços das árvores que abraçam o meu jardim, desprende-se uma e outra folha que baloiça graciosamente, pousando no chão, aconchegando-se placidamente a outras folhas irmãs...
E na melancolia deste tempo que cai, há uma metamorfose de vida com miscelânia de cores intemporais...
E tu, relva minha e meu regaço, tão sequiosa no verão, abandonas o teu ritmo mas não a tua vida! Cresces com passos lentos guardando em ti os segredos que te penetram...

...E a consciência do tempo levou as minhas andorinhas e com elas toda a sinfonia dos melros, piscos e tentilhões!
...fico aqui à vossa espera e quero não vos dizer adeus!
...e olho para o vazio do azul e vejo as núvens patinando em ondas caprichosas que deslizam suavemente pelo ar!

Tudo é harmonia!
Tudo está no seu tempo!
Tudo está no seu momento!
Tudo é igual e diferente cada dia!