O teu som penetra na sombra dos
bosques onde se
difunde
a harmonia.
A
tua luz côa-se pelo filtro espesso dos dedos da
ramagem.
Tudo
se esquece neste vale onde a calma é o
prelúdio
da tua música cujas notas penetram
também
no seio da terra.
São
ondas de êxtase acompanhando esta viagem
no
murmúrio do silêncio fresco que desperta as penas
dos
pássaros no terraço da manhã.
A
alegria esboroa-se no ar em poalha de reflexos de luz,
na
miragem de imagens ténues no jade do orvalho.
Cai
o pano do olhar no veludo da erva vestida de vapores matinais.
O
aroma cresce por entre campos de amoras.
Silencio
o desassossego deste paraíso efêmero
e
num sagrado deleite
me
distancio
antes
que outra sombra se deite.
E
procuro outros vazios.
Manuela Barroso