Vou descendo com o sol ansiando a paz do fim do dia.
Uma espécie de embriaguez entorpece o raciocínio na fuga vertiginosa da tarde,
com os seus olhos mornos
que se vão pintando no crepúsculo.
Tudo se encerra com a vinda da noite: Lar-Colmeia- Paz!
Não é luz, não é sol nem é a vida que enche o templo de algumas abelhas carregando colmeias de mel.
Não!
São colmeias vazias ou cheias de favos de amargo e falso mel...
E a minha alma vagueia, inquieta, na leitura destes sorrisos azedos, sufocando os olhos de mel no vazio do pólen que
antes se diluiu nos vapores do vento...

E ela sorri, veste a mesa de suor, despe a cama de lágrimas...
Já não é ela...
...É uma coisa de gente, gente que não é coisa, gente que já foi gente...
Hoje é ferida que ninguém vê e em breve ,uma escara ferrada
no corpo que já não dói porque nem sente.
Já não vive...
...É uma anta ambulatória com sorrisos amargos...
O doce sorriso funde-se na chaga que esconde na culpa dessa maldição que abafa e aninha na colmeia podre
com mel suicida.
Mas o sorriso vai rolando pela face, misturando-se com as lágrimas no compasso desta morte lenta.
...E já não é coisa nem é gente.
Já nem sente!
É fantasma de mulher- moribunda na flor desflorida do seu martírio!
...E o sorriso azedo rasgou-lhe as pétalas, sugou-lhe o perfume
para verter o ácido neste mel sádico...na pele macia e quente
de mulher que já não é gente!
Nesta raiva com que fico
Neste amor que te dedico
A ti, mulher, este meu grito!
Manuela Barroso ( reeditado)
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8 comentários:
Maravilhoso poema, grito e homenagem!
Feliz nosso dia!
beijos floridos, chica
Um grito de alarme e de sofrimento. Este poema traduz a mágoa sentida por tantas mulheres ausentes da vida que desejavam, envolvidas nos espinhos que as martirizam. Uma reflexão excelente que nos leva o pensamento para o lugar mais triste do coração. Uma homenagem à coragem de todas as que resistem.
Tudo de bom, minha querida Manuela, Mulher minha Amiga, minha irmã.
Sente o meu abraço.
Querida Manuela
Um poema intenso que nos toca profundamente.
O sofrimento da Mulher que vem dos primórdios do
tempo.
Lindo na sua crueza, o que atesta o seu enorme talento,
minha amiga.
Beijinhos
Olinda
Amiga Manuela, boa trardinha de paz!
Uma mulher que sabe da sua potência em todos os níveis.
Tenha dias novos abençoados![=Beijinhos fraternos
Las imágenes que transmite tu poema son intensas. Tras el dolor hay una búsqueda espiritual con una gran metáfora esa de la miel amarga. Es muy bueno transformar el sufrimiento existencial en un poema. Saludos.
A mulher tem um lugar próprio na sociedade e deve ser acarinhada e respeitada.
Abraço de amizade,
Parabéns pela sua escrita!
Isabel Sá
Brilhos da Moda
A Mulher, nem uma pena
A devia magoar.
Deixá-la feliz, serena
E mesmo até voar
Não a faria sonhar
Pois teria Alma plena.
Te saúdo, Amiga e a todas as Mulheres.
Beijo,
SOL da Esteva
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