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terça-feira, 16 de junho de 2026

Tempo

 

imagem- net






Correm em gotas os fios de luz   
no repouso da cama moribunda das folhas.
Não reparas no passeio do vento.
Sentes o borbulhar dos charcos e o balbuciar de ramos inquietos.
Olhas e perguntas por ti na sombra do musgo
colado à casca dos troncos.
Aquietas-te.
Fixas as tuas mãos.
Elas abrem-se olhando-te
e numa resposta tímida mostram-te  
o espelho de outros outonos
que lhe foram chegando devagarinho
depondo folhas amarelas sobre os regatos
que circulam por entre os dedos, sumindo.

Manuela Barroso
 


 


4 comentários:

chica disse...

Linda e intensa inspiração! Adorei a poesia!
A natureza nos impacta!
beijos, chica

Roselia Bezerra disse...

Amiga Manuela, boa tarde de paz!
Tudo precisa ser contemplado na natureza bela.
Se não prestamos atenção, tudo passa despercebido, sem o devido valor.
Belo!
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos

Toninho disse...

O correr dos rios e as vidas de suas margens, o som das aguas, o levar as folhas secas sem destino, mas o rio sabe seu destino pelos vales e cachoeiras onde pousam nossos olhos cheios de poesias.
Lindo olhar e poesia Manuela.
Bela arte e elegancia.
Bjs

Graça Pires disse...

A vida passa e o tempo mostra-nos as margens de cada dia. As mãos em prece enchem-se de memórias sem círculos de sombra. Assim vamos refazendo a felicidade desejada. Tenho saudades de te falar, minha querida amiga, mas ando a evitar falar muito por motivos que conheces.
Tudo de bom.
Um beijo.