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terça-feira, 28 de abril de 2026

Hoje


 





Hoje, não cantes a primavera que nasce nos outeiros.
Chovem outonos em mim com folhas secas pelo meio.
As rosas perderam a cor, 
os lírios perderam asas,
as aves perderam chuvas de penas, na pena do desamor.
O sol emudeceu a luz, 
as nuvens já não cavalgam no céu.
 
Quero tréguas neste trepidar da calma 
que foge, que me arrasta.
Deixa uma vez, a solidão morar comigo 
na casa que construiu
nos marfins das noite sem estrelas.
 
Quero a paz da luz, a alegria da noite no refúgio 
da solidão.
Quero ninhos no silêncio das alvoradas,
acordar no linho dos lençóis 
despertar com  o sorriso do orvalho 
na frescura das  madrugadas.


Manuela Barroso, in Luminescências


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