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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Cai Neve

 

Queridos/as  Amigos/as, depois de um tempo de convalescença, voltando à vossa companhia com um abraço!






Cai neve!
não digas que é mau tempo
porque
beijos de água em flocos
que pousam
tão mansamente
numa leveza dormente
traz a paz ao pensamento!
E o branco em arrepio
que enfeita a Natureza
com este ar seco e frio
e lhe empresta esta beleza,
também
é  cor de pureza.
Ah!
Não digas
que é mau tempo!
Deixa florir a neve
assim,
derretendo-se
em meu peito,
criando sulcos
em mim!
E,
deixa que as árvores pinguem
com o branco
que elas têm!
São as cores
com que se tingem!
Que se enfeitem
elas também!

 Manuela Barroso

(reeditado)

sábado, 20 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL

 

                                TODOS FELIZ NATAL!



 


  

Paro o tempo.
Acalento na retina a luz fresca da manhã
ainda adornada de noite.

Flutuantes neblinas expandem-se no pino dos penhascos
numa reminiscência intemporal.
Uma luz calma insinua-se num pacto de serenidade
trespassando o remanso dos pinheiros
na bonança da tarde.
 
É Natal.
Contorno de rosas brancas o calendário deste dia
e cogito no Amor pousando devagarinho no colo da Virgem Maria.
Indefinível o eco sussurrado com tal exaltação
na candura que me absorve neste Tempo.
É o encanto supremo no silêncio da glorificação.
 
Um coro de anjos no sortilégio da tarde
Louva o Menino Deus
inocência sem idade
prelúdio do Céu na terra
abraçando a Humanidade.
 
Manuela Barroso
Antologia de Natal de ,  Poética Editora, 2025
 

 








                                             Um Natal Feliz com um abraço de Paz

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Chamo-te

 





Chamo-te no timbre dos ventos, no som 
cavado das montanhas.
Respondem-me baladas de violinos no contrabaixo da serra.
Subo. Voo nas asas das aves emplumadas
de nuvens e arrasto o coro que sopra da terra
para os picos da serra.

Sou a gota sobrevoando os vales verdes, errante,
sou nascente e primavera,  sou voz que treme na
harpa, ecoando no sibilar límpido dos regatos.

Chamo-te no cântico sereno das cores onde a música da vida se funde nos olhos das flores.
Rodeiam-me os anéis do tempo, num contínuo caminhar,
ora lento ora sonolento, mas insisto com a mão leve deste
sopro sedento.

É noite na minha aurora, quero esperar pelo sol,
derreter a minha neve
ser água correndo lá fora.
E chamar-te-ei na liberdade do vento
na quietude que demora.

Sou a prisão do meu peito
na voz muda do pensamento.

Manuela Barroso,in  “ Luminescências “ Seda Editora




quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Escrevo-te

 


Christine Ellger




Escrevo-te  no sol desenrolando penachos de 
nuvens na bebedeira dos catos antes que morra 
no outeiro da tarde. Escrevo-te toardas sombrias, 
que correm entre mim e ti,  e  que tento em 
vão decifrar. Perdem-se nos confins, nos labirintos 
das memórias no grau zero da escada, ponto 
onde escuto o nada. Só ouço remansos, volto, 
escolho descansos, aninho-me no canto do 
meu lugar. Acorda-me uma gaivota. Afinal 
a luz existe. Porque não corres com ela? Sei.

És pássaro sem asas. Mas plana com teus braços 
feitos remos neste mar que é a estrada. O sol 
vai alto. Até ao sol- pôr vive cada minuto 
em desmedida cavalgada. Liberta te,solta-te 
já que a vida é só um salto.


Manuela Barroso
 

 



 


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Fugiram os pássaros

 


Fugiram os pássaros na invernia do desassossego.
Canta agora a música sozinha na sombra nua
escorrendo nas tendas da terra onde hibernam
as notas do solstício. 













Fugiram os pássaros na invernia do desassossego.
Canta agora a música sozinha na sombra nua
escorrendo nas tendas da terra onde hibernam
as notas do solstício. 
Acordarão com Vivaldi
nos rebentos de primavera
vivendo no coração dos trópicos.
A alegria ainda balouça em folhas secas tardias
no soluço dos galhos descarnados,
na erva fresca,
no regadio dos prados.

Firmes e solenes, as árvores ensinam
paciência
e resiliência
à pressa dos Homens.

Fixo a casca dura de um caracol.
Acompanho a sua excursão lenta na
inclinação das pedras.
E no contraste entre a fragilidade e resiliência,
os dois se irmanam: tudo o que existe são moléculas
que se complementam.

E naquele jardim, vi assim, 
que também faziam parte de mim.

 Manuela Barroso “ Luminescências”