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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Sombras

 

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Não demoraria a encontrar-te.
No bosque da vida as clareiras são esparsas cantando a elegia do resto dos dias.
Ao longe, tudo sombras roubando a nitidez dos meus olhos.
 
Sou a árvore paciente acolhendo os frios das manhãs com a alegria do acordar dos tentilhões, único acorde que desperta o vazio longo.
Som cavado no peito.
Não fora o eco do chilreio inquieto dos pardais e adormeceria no pasmo das folhas quietas.
Mas a cogitação para.
Detenho-me na aceitação do orvalho, do sol, na monotonia aparente destes limbos, olhando-me insistentemente. Enquanto o outono não chega também eles vivem cada dia.
E penetram no meu inconsciente, agora num balancear breve de um ligeiro sopro matinal.
Num interrogatório inquietante.
De infinda incompreensão. Inquisitória.
 
Uma sintonia nos aproxima: Somos parte destes Seres Viventes completando o Todo da Terra.
Olho o vazio.
Regresso ao vazio de mim, agora preenchido com a serenidade ainda inquieta na certeza do Tudo.
O Mundo que penso ser, reduz-se à Partícula incandescente, imensa, de um pulsar.
É aqui que devo estar.
 

Manuela Barroso

 


5 comentários:

Olinda Melo disse...

Cara Manuela
Ao ler este seu belo poema senti-me bem perto de Deus,
da natureza e de tudo que de belo nos é dado viver.
A vida interior que se adivinha leva-nos numa aragem
fresca e nos faz visualizar um lugar maravilhoso e dizer:
"É aqui que devo estar".
Beijinhos
Olinda

Roselia Bezerra disse...

Amiga Manuela, boa noite de paz!
Que poema!
Parece futurista... mas bem atual...
Felizes os que meditam (pelo menos) no que estamos vivendo.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos

Graça Pires disse...

Minha querida Amiga, este teu poema é propício à meditação. Penso que vamos com a errância das sombras traçando os caminhos em que nos perdemos até regressarmos ao vazio de nós, para o preenchermos com a serenidade inquieta na certeza do Tudo. Tão belo!
Desejo que estejas bem.
Um grande beijo.

Jaime Portela disse...

Somos mesmo uma parte (ínfima) de todos os seres vivos do planeta.
Excelente texto, uma peça literária notável.
Boa semana minha amiga.
Um abraço.

Toninho disse...

Que lindo seu poema que vem carregado da monotonia de Outono, mas nos leva à uma reflexão existencial, onde nossa pequenez é estampada diante os movimentos da natureza. Poder e querer dormir nesta maciez das noites, amanhecer no chireio dos pardais pelos primeiros timidos raios do Sol.
As vezes pensamos que não veremos nada a não ser este olhar preocupante dos rumos do mundo, onde a paz é duvidosa.
Belo trabalho amiga.
Bjs e paz e feliz semana.