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sábado, 10 de fevereiro de 2018
AMA -TE-Video
(Ver em tela cheia)
Não amamos o outro
se não nos amarmos a nós.
Esqueçamos indignações
desfaçamos nós
e que seja o Amor
a dar lições!
UM BEIJO!
Manuela Barroso
"Ama-te" -reeditado
sábado, 3 de fevereiro de 2018
Acordo...
Acordo
Recordo
Concordo
Com meu despertar, enfim…
Do cacto a flor
Nascida entre escolhos
Brotando de abrolhos!
Num breve deslumbre
Revejo-me assim:
Mistério
Laço
Eco de vida
Odor de jasmim,
Algures no espaço,
Que pernoita em mim!
Paro
Reparo
Enrolo o pensamento
Deambulando pelas memórias
E reflicto por um momento:
Ah! Sou Terra
Sou Ar
Sou Água
Sou Fogo
Sou Tudo
Sou Mundo
Sou de Tudo feita…
Mas nada no fundo!
Manuela Barroso, in “Inquietudes”, Versbrava, 2012
domingo, 14 de janeiro de 2018
Na Planície
Na planície verde dos sonhos,
as águas correm
com a placidez dos dias
esquecidos.
É a única voz que perfuma o
pão desta fome de silêncio
Contorno as margens dos
sapais e colho hastes de alegria
no bailado leve das ervas.
Prendo-me ao chão, escutando
as súplicas das rãs
no murmúrio da linguagem
que salta da pele plana
e quieta dos charcos.
Sigo o vaguear inquieto das
libélulas
arrastando consigo
o sono dos nenúfares
Quero vingar-me deste lugar
abrigado da noite
que me oculta a dança suave
dos reflexos dos olhos da lua,
sacudir este sal que fulmina
os sabores das manhãs quentes e quietas
e agonizar com a felicidade
do declínio das tarde limpas
com lumes no horizonte.
Regressarei ao meu vale azul
e pernoitarei com as
asas das estrelas.
Manuela Barroso, "Eu
Poético"
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Pingo de chuva
Cada pingo de chuva é uma nota musical que me traz segredos de ti.
deixo que escorra nos sulcos das minhas mãos,
até se solidificarem nos cristais das palavras
que me trazem o teu nome.
deixo que permaneça mudo
como frutos caídos de outono,
despedindo-se da vida,
à espera de um rebanho de larvas.
deixo que flutue na pele silenciosa deste lago
onde as folhas caídas
são penas que contornam seixos noturnos,
no deserto de penedos nus.
e cada pingo de chuva
é um cristal teu, suspenso na noite
mais clara que o breu.
Manuela Barroso, in "Eu Poético"
domingo, 12 de novembro de 2017
Adormeço
![]() |
| Vladimir Kush |
Adormeço entre a folha e o
tronco rugoso,
numa sonolência confusa
onde o rumor de uma sombra
absurda e imperceptível,
se levanta com o pensamento do vento.
se levanta com o pensamento do vento.
Ouço a lembrança das horas líquidas, suaves e longas ,
estendidas no arvoredo da colina densa,
na saudade plangente do sino perdido na Torre imensa.
Ouço o abandono do silêncio vazio
na escuridão surda da Noite
que cresce com o abandono alheado da lua,
na cegueira das nuvens revoltas
desenhadas na terra nua.
Ouço os sons longínquos que dormem,
nos fumos crescentes
do inconsciente.
Ouço vozes plangentes de água
que florescem em cataratas luminosas,
na penumbra silenciosa da saudade.
Ouço vozes plangentes de água
que florescem em cataratas luminosas,
na penumbra silenciosa da saudade.
E o sussurro penetra o jardim
com a música das flores
em sonhos de primavera,
em sonhos de primavera,
grávidos de esperança e de mim.
Os zumbidos das hélices de insetos
entardecem a solidão no sopro impercetível
do baile suave
das borboletas.
Estranho som neste silêncio,
Estranho som neste silêncio,
estranha ilusão
que desce
que dorme em flores
na minha mão.
que desce
que dorme em flores
na minha mão.
No horizonte deita-se o fim do dia,
com a canção da torre, morna saudação a Maria.
As badaladas diluídas do sino,
são hoje as recordações perfumadas da minha noite.
Sinfonia do Universo
tocada na catedral de mim, como um Hino.
Manuela Barroso , 2011
Manuela Barroso , 2011
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