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sábado, 21 de junho de 2014

Onde moras Liberdade?





 ( DUETO )
                                                      
                                                                            GERÊS

Podia deambular
com as borboletas
que sobem  a saliva do pólen

Podia inventar mensagens
que escondem segredos
no sussurro trémulo da aragem

O diálogo perde-se
na boca turva das dúvidas
transpirando incertezas

Onde moras liberdade?
és surpreendida pelo bolor
dos sorrisos bafientos
rasgando-se nos mofos
de bocas sem memória
definhando  falsidade
vazias, sem história
só lama e lodo
na trajetória.


Manuela Barroso 

                                                                    MAIA

                         

Arrasta-se o poema da liberdade
em dúbia neutralidade para areias movediças

a liberdade mora  na criatividade de cada ser
no caminho escolhido por entre atalhos
onde giestas obscurecidas haurem lentamente
sugadas pelas bocas sem memória

a liberdade é o sol da vida
é sedução no caminho individualmente tecido 


Teresa Gonçalves


Editora Versbrava, 2014




quinta-feira, 5 de junho de 2014

Convite


Com palavras nasceu amizade
da amizade nasceram laços
e é com eles que vos convido 
com os mais ternos abraços
para o nosso "LAÇOS"

Beijo!

Manuela Barroso 









 Do meu bom e querido amigo Sol de Esteva (acordarsonhando.blogspot.com), com
a gratidão das autoras( coracaoentrepalavras.blogspot.com e anjo azul )



Um projeto nascido da proposta / desafio do Editor da Versbrava.



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Pátria- 25 de Abril






Sonhei com a minha Pátria
beijada pelas águas salgadas
regada com o doce dos rios
decorada com o mel dos montes

Sonhei com a minha Pátria
derradeira planície, único vale
na fartura de trigo e centeio
ausente da fome que vagueia pelo meio

Sonhei com a minha Pátria
recanto de paz e de calma
foz de irmãos, parte da mesma alma

Hoje, divide-se a Pátria
alma da mesma mãe
uns têm tudo, outros nada têm.


Manuela Barroso


25 de Abril








SEM IGUALDADE
NÃO HÁ DEMOCRACIA



quarta-feira, 12 de março de 2014

Não repouses





Não repouses no meu leito de outono
As folhas ainda não teceram o colchão,
o orvalho não pintou as almofadas
com as cores das alvoradas

Deixa  a lua viajar
com o tempo que me anoitece
entre fios leitosos de luar
A vida é já aqui
Quero vivê-la com os sonhos que teci,
passear os olhos pelos vincos do tempo
ausente das orquídeas formosas
e esquecer o murmúrio na pele lavada de rosas
Quero afagar o bordado no linho
que cresce nos campos com cores de menino,
nos baloiços de água em searas azuis.
Aqui entrego este corpo que guarda e envolve
este eu que sou e não sou.

Quero o murmúrio do colo do rio
Fala-me das cantigas que ouvia no Estio
Quero acompanhar o pólen das flores
em  laranjeiras acesas
com a dança das abelhas
Deixa que o fado cante a alegria deste exílio
que o tempo traçou na falésia da vida
Só há fado se o destino o marcou

Eu quero o sonho na flauta de um silêncio
quero o silêncio no esplendor das marés
quero as marés na galáxia da vida
nas nuvens em montanhas coloridas
quero o fluido silencioso do mel
nesta viagem

Deixo a amargura e o fel
numa outra carruagem


Manuela Barroso, in "Eu Poético VI"
Imagem :An -He
                                                        

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ainda permanece ali



Ainda permanece ali aquele corpo desnudado
no abandono do frio
a seiva foi morrer nas entranhas da terra e deixou-te
numa aparente inércia
sem portas
para me acolher quando eu regressar
não choras porque as nuvens choram por ti
nas lágrimas doces da chuva
não danças com o vento
que te despiu
despojando-te dos brincos da tua graça
mas
deixas tecer-te de bordados de musgo e líquenes
que te abraçam
nos anoiteceres solitários
não soluças
porque é desmedida a aceitação do teu destino
pregada ao chão
és a estátua viva
onde nada interrompe o sorriso
que cinzela a tua escultura
e não perdes a memória dos teus anéis
que se escrevem
no teu corpo
mais belo e assombroso
em cada relâmpago de tempo
és o desafio
na demolição da idade
quanto mais te abandonas
e moldas
aos caprichos da Natureza
mais confundes a noção de eternidade

Manuela Barroso
Imagens: Net



 pregada ao chão
 és a estátua viva
 onde nada interrompe o sorriso
 que cinzela a tua escultura
a seiva foi morrer nas entranhas da terra e deixou-te
numa aparente inércia
sem portas
para me acolher quando eu regressar
                                                                  

quanto mais te abandonas
e moldas
aos caprichos da Natureza
mais confundes a noção de eternidade