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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SIMPLESMENTE...ROSA


Rua quente.

Saboreio o ar condicionado enquanto espero ...

Sentada no balcão fresco, senta-se um bébé sorridente, que a mulher exibia quase que, como um adorno.Os elogios e as carícias tornam a criança ainda mais comunicativa. Teria um ano.

A mulher sorria, olhava para trás, como se aquele Ser, fosse único...Enquanto saía diz-lhe-" Diz adeus..."E aquela mãozita inocente, com gestos ainda descoordenados pela precocidade, lá se foi com o gesto no ar.E então a mãe diz"Vamos, minha rosa!"...E foi-se sorrindo, enquanto segurava a cabecita com mão de mãe, quando a colocava na cadeirinha docemente...

Simples, não?

...Mas fiquei a pensar no amor e em tudo o que esta palavra engloba: O amor não espera nada em troca, ele dá-se.O amor não espera reconhecimento, ele é humilde. O amor não fala alto, ele adora o silêncio. O amor não é solitário , ele quer abraçar o mundo.O amor não se satisfaz com pouco. Ele é imenso.E quando se dá amor...recebe-se ainda mais amor de volta!Não é mágico?

Amor.Amores.

O que importa é amar.

Se possível, sorrindo...

sábado, 7 de agosto de 2010

SOL POSTO


É da idade do primódios da Terra, mas é uma imagem que atrai o nosso olhar quando cai a tarde.
Aldeia.
Brincadeiras de crianças que acabavam quase ao anoitecer no quintal fechado!
Lembro com nostalgia o sino triste da igreja a tocar as Avé -Marias.
Eram badaladas tristes, aliadas a hitórias que a minha Rosa nos contava...
Subia as escadas de granito, ouvia distraidamente e longinquamente as conversas da família e ia
para a janela virada a poente.Ao longe, alonga-se deitado, o rio Homem, com caráter, fazendo jus ao seu nome!
Árvores recortadas num céu azul bébé...doce , manso e acolhedor!
As montanhas erguem-se suaves, emprestando um contraste a esta paisagem mas servindo de moldura a um quadro verdadeiramente perfeito e belo: o sol no seu caminhar cansado, vai-se deitando nas serras acenando com as suas cores amarelo, vermelho, laranja num até breve de alegria!
...E eu, pequenita, só, naquela janela, já conseguia admirar, fascinada a grandeza da paisagem e o Infinito que ela escondia e cuja tradução persigo e quero encontrar!
"Vamos , menina, o jantar está na mesa..."
Boa noite alegria!
Amanhã é outro dia...

Sorria...


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

MANHÃS DE VERÃO


Todas as estações do ano têm o seu encanto.
Mas falemos do Verão!
Manhãs refrescantes que prenunciam o "castigo" do Sol...
Em Agosto a cidade está calma, adormecida convidando ao devaneio.
Percorro a Alameda com as tílias a dar os bons dias. Gosto do verde.Fortuitamente sou apanhada por pingos do torniquete que salpica a relva como um banho matinal...As pombas rebolam-se na água e espreguçam-se ao sol...
Mas mal soa um ruído estranho, ei-las, qual filme de Hitchcok, cortanto, frenéticas o ar...Áinda bem que não sou fóbica...
Mas também há os cães que ziguezagueiam, com aquela alegria de quem se sente protegido e livre embora com a trela! Belo paradoxo! Mas dá que pensar!...
E eu, comigo, vou caminhando por esta Avenida,observando os meus pensamentos numa paz interior enorme!Nem triste,nem eufórica.Só Paz!Observo os que se cruzam comigo:Olhares fundos,lábios contraídos,faces sombrias...Quanta confusâo, quanto desconforto oculto,vagabundeando assim por entre as pombas, que aproveitam o momento, às cambalhotas na água! "Olhai os lírios do campo...".Gostava de ser lírio!E enquanto existir,ter a sabedoria para saborear a vida, os amigos, a paz, a serenidade...
Assim como as pombas!E os lírios!
"O essencial, é invisível aos olhos"
Tentemos "ver" melhor !

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

LUGAR SEGURO


Todos teremos um sonho: um sítio idílico onde nos encontramos com nós próprios, que faz parte intrínseca desta sombra interior que se esconde de nós e em nós...
Todos gostamos de plantas, admiramos árvores seculares, amamos as flores e até a relva mimosa que afaga os nossos sentidos quando nos envolvemos nela nas tardes cálidas de verão...
Mas sinto um gosto especial pelas...heras! Sim as heras!Porquê? Não sei.Se sei, não sei porquê...
Há um não sei quê de mistério nesta planta!No meio de uma leitura,debaixo dum carvalho idoso(mas nobre!),ela sobe lentamente pelos ramos, enfeitando os braços descascados, emprestando-lhe uma segunda pele!Quando chega ao topo, não faz como os Kiwis, que se encarrapitam como um parasita, no suporte mais próximo...Não,ela deixa-se cair,calma e com doçura enfeitando o espaço como um candelabro, acariciando-nos quando passamos perto.Quando a brisa corre ela baloiça-se,discretamente, fazendo deste espaço, um lugar meditativo...na companhia de um sobreiro com quem tenho uma espécie de diálogo! Verdade. Para mim o Sobreiro é a imagem da personalidade e sobriedade. Ele impõe-se. Só! Ah, depois quem ama este lugar secreto e discreto? Toda a passarada! Deus, amanhecer neste lugar que me envolve, é amanhecer no paraíso!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

RECORDAÇÕES


Noites de Verão.
Bateram as saudades.Memórias, como ALGUÉM disse...
Mas esta saudade, bate no fundo da alma, como a luz de lua cheia, que se espraiava melancólica e misteriosa pousando nos ramos dos plátanos e choupos que me cercavam.Assim, é uma memória de uma nostalgia infinita!Porquê?Porque o tempo é implacável e torna-se quase sinistro quando leva com ele pedaços de coração!As personagens são simples e belas: Lua, mocho piando ao longe,branda brisa morna acariciando o ar e as folhas na noite e... Deus meu, um Pai, único no mundo, que o Céu me deu com quem compartilhava as nossas convicções filosóficas e literárias!
Mas na impermanência do tempo só resta esta saudade amarga e longa...
O luar continua. As sombras deitam-se no chão num deleite sensual com a frescura da noite...
Nada se apagou...
...mas tudo o vento levou!...