SEGUIDORES

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

MEIA PRAIA


Areia.Aridez.
O sol bate forte nos corpos sedentos de mais bronze.A areia respira um ar quente de febre que vou sentindo à medida em que os meus pés a tocam.Institivamente dirijo-me para o mar.
Água.
E o meu corpo,fugindo deste braseiro, percorre a orla sentindo o beijar doce da água mansa nos pés.E o mar fala.As ondas falam.E não sei decifrar esta linguagem. Aquieto-me e penso na água! Tão pesada e tão leve!Tão preciosa e tão pura! E a pureza baila no meu pensamento.Ser puro...é ser cirstalino. Como a água!Sem manchas. Como a água!Moldável mas sem quebrar. Como a água!
E olho aquela massa imensa de água, tentando ouvi-la!Mas fala toda ao mesmo tempo!Não a compreendo!E o meu pensamento volta-se para dentro de mim mesma! Sou água, sou vento, sou ar e o mar...
...e olho para longe...a tocar o céu! E penso: uma coisa Deus fez bem feito! Pelo menos para já ninguém lê pensamentos! E junto o mar e o céu nos meus pensamentos e escondo-me neles...
E ando...ando ...na água e converso com as ondas! E os pensamentos correm como as motas que as sulcam ...e ninguém sente, ninguém vê, ninguém sabe...
...e fica um doce sentimento de bem estar, de ternura, de aquietação...que ninguém sente ninguém vê, ninguém sabe!
...e percorro no meu silêncio esta Meia Praia, que me vai trazendo à memória recordações que já esqueci! E esqueço-me de mim e do sol que começa a bronzear e perco-me no tempo!
...e os meus olhos percorrem o horizonte. E volto a pensar! O que é o possível? E o impossível?
...e será que existe o possível e o impossível ?
...e as ondas vão batendo com as possibilidades possíveis...
...e volto as costas ao mar e às ondas porque não é possível ouvi-los!
...e conformo-me com a minha impotência de querer compreender possibilidades...
Talvez noutro mar... noutra água...

Noutro lugar!



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SIMPLESMENTE...ROSA


Rua quente.

Saboreio o ar condicionado enquanto espero ...

Sentada no balcão fresco, senta-se um bébé sorridente, que a mulher exibia quase que, como um adorno.Os elogios e as carícias tornam a criança ainda mais comunicativa. Teria um ano.

A mulher sorria, olhava para trás, como se aquele Ser, fosse único...Enquanto saía diz-lhe-" Diz adeus..."E aquela mãozita inocente, com gestos ainda descoordenados pela precocidade, lá se foi com o gesto no ar.E então a mãe diz"Vamos, minha rosa!"...E foi-se sorrindo, enquanto segurava a cabecita com mão de mãe, quando a colocava na cadeirinha docemente...

Simples, não?

...Mas fiquei a pensar no amor e em tudo o que esta palavra engloba: O amor não espera nada em troca, ele dá-se.O amor não espera reconhecimento, ele é humilde. O amor não fala alto, ele adora o silêncio. O amor não é solitário , ele quer abraçar o mundo.O amor não se satisfaz com pouco. Ele é imenso.E quando se dá amor...recebe-se ainda mais amor de volta!Não é mágico?

Amor.Amores.

O que importa é amar.

Se possível, sorrindo...

sábado, 7 de agosto de 2010

SOL POSTO


É da idade do primódios da Terra, mas é uma imagem que atrai o nosso olhar quando cai a tarde.
Aldeia.
Brincadeiras de crianças que acabavam quase ao anoitecer no quintal fechado!
Lembro com nostalgia o sino triste da igreja a tocar as Avé -Marias.
Eram badaladas tristes, aliadas a hitórias que a minha Rosa nos contava...
Subia as escadas de granito, ouvia distraidamente e longinquamente as conversas da família e ia
para a janela virada a poente.Ao longe, alonga-se deitado, o rio Homem, com caráter, fazendo jus ao seu nome!
Árvores recortadas num céu azul bébé...doce , manso e acolhedor!
As montanhas erguem-se suaves, emprestando um contraste a esta paisagem mas servindo de moldura a um quadro verdadeiramente perfeito e belo: o sol no seu caminhar cansado, vai-se deitando nas serras acenando com as suas cores amarelo, vermelho, laranja num até breve de alegria!
...E eu, pequenita, só, naquela janela, já conseguia admirar, fascinada a grandeza da paisagem e o Infinito que ela escondia e cuja tradução persigo e quero encontrar!
"Vamos , menina, o jantar está na mesa..."
Boa noite alegria!
Amanhã é outro dia...

Sorria...


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

MANHÃS DE VERÃO


Todas as estações do ano têm o seu encanto.
Mas falemos do Verão!
Manhãs refrescantes que prenunciam o "castigo" do Sol...
Em Agosto a cidade está calma, adormecida convidando ao devaneio.
Percorro a Alameda com as tílias a dar os bons dias. Gosto do verde.Fortuitamente sou apanhada por pingos do torniquete que salpica a relva como um banho matinal...As pombas rebolam-se na água e espreguçam-se ao sol...
Mas mal soa um ruído estranho, ei-las, qual filme de Hitchcok, cortanto, frenéticas o ar...Áinda bem que não sou fóbica...
Mas também há os cães que ziguezagueiam, com aquela alegria de quem se sente protegido e livre embora com a trela! Belo paradoxo! Mas dá que pensar!...
E eu, comigo, vou caminhando por esta Avenida,observando os meus pensamentos numa paz interior enorme!Nem triste,nem eufórica.Só Paz!Observo os que se cruzam comigo:Olhares fundos,lábios contraídos,faces sombrias...Quanta confusâo, quanto desconforto oculto,vagabundeando assim por entre as pombas, que aproveitam o momento, às cambalhotas na água! "Olhai os lírios do campo...".Gostava de ser lírio!E enquanto existir,ter a sabedoria para saborear a vida, os amigos, a paz, a serenidade...
Assim como as pombas!E os lírios!
"O essencial, é invisível aos olhos"
Tentemos "ver" melhor !

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

LUGAR SEGURO


Todos teremos um sonho: um sítio idílico onde nos encontramos com nós próprios, que faz parte intrínseca desta sombra interior que se esconde de nós e em nós...
Todos gostamos de plantas, admiramos árvores seculares, amamos as flores e até a relva mimosa que afaga os nossos sentidos quando nos envolvemos nela nas tardes cálidas de verão...
Mas sinto um gosto especial pelas...heras! Sim as heras!Porquê? Não sei.Se sei, não sei porquê...
Há um não sei quê de mistério nesta planta!No meio de uma leitura,debaixo dum carvalho idoso(mas nobre!),ela sobe lentamente pelos ramos, enfeitando os braços descascados, emprestando-lhe uma segunda pele!Quando chega ao topo, não faz como os Kiwis, que se encarrapitam como um parasita, no suporte mais próximo...Não,ela deixa-se cair,calma e com doçura enfeitando o espaço como um candelabro, acariciando-nos quando passamos perto.Quando a brisa corre ela baloiça-se,discretamente, fazendo deste espaço, um lugar meditativo...na companhia de um sobreiro com quem tenho uma espécie de diálogo! Verdade. Para mim o Sobreiro é a imagem da personalidade e sobriedade. Ele impõe-se. Só! Ah, depois quem ama este lugar secreto e discreto? Toda a passarada! Deus, amanhecer neste lugar que me envolve, é amanhecer no paraíso!