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domingo, 25 de abril de 2021

Ainda Cogito

 



 

Ainda cogito no esconderijo desta hibernação.

O som da flauta acorda o meu torpor.

Os galhos já se desprendem bebés em folhas tenras 

e inocentes, dos ventos e beijos ardentes 

da canícula do sol, num doce  espreguiçar.

Os aromas contaminam a pele

e arrepiam todos os sentidos.

Ainda breves flores despontam do musgo

e os girinos passeiam por entre os limos flutuantes.

 

Que me banhem todas as estrelas na noite que se aproxima.

Que me dispa de tédio as línguas de sol

porque necessito de gritar 

que a alegria é o mastro dos meus dias.

 

Que me beije a chuva, muita chuva.

Quero navegar nos lagos largos da abundância

onde a vida se incendeia.

 

Hoje quero ser a rã que se espreguiça livre

por entre as flores orvalhadas da manhã,

colhendo campestres inocências.

 

Já não tenho tempo para perder,

nem paciência.



Manuela Barroso, "Luminescências"-2019

 

 

12 comentários:

Toninho disse...

Muito lindo Manuela, viajar pela natureza,
em cada elemento encantar com um sentimento.
Poesia de rara beleza e profunda sensibilidade.
Banho-me nas aguas de suas poesias no lago azul.
Linda semana leve e alegre amiga.
Beijo.
E viva Portugal livre.

chica disse...

Lindos teus versos e não temos ,de verdade, muito tempo e nem paciência! ADOREI! beijos, ótimo dia e semana,chica

Graça Pires disse...

A Natureza descrita de forma tão expressiva por quem sabe maravilhar-se com ela. " necessito de gritar que a alegria é o mastro dos meus dias". Grita, Manuela. Eu grito contigo. Quero a alegria como mastro dos meus dias também. E quero ser a rã que se espreguiça livre. O resto que nos importa?
Muita saúde.
Um grande beijo.

Fê blue bird disse...

Que belo grito de alegria, Manuela.
Já chega de nos escondermos, vamos aproveitar o que a natureza tão sabiamente nos oferece, o resto, são pormenores.
Parabéns e obrigada por este momento de puro prazer.

Um beijinho, continuação de feliz semana





lis disse...

Junto-me a ti nos quereres que despontam nas palavras do poema e me afagam abundantemente, como chuva nesse meu outono.
Que delicado cogitar que a natureza te banhe com aromas estrelas e a inocência das flores.
Lindo, Manuela
_ beijinhos, miguinha

Ailime disse...

Boa tarde Manuela,
Um poema maravilhoso que exalta a força da natureza em todo o seu esplendor!
A chuva, como bálsamo, ajuda à explosão das cores e aromas!
Um beijinho e saúde.
Ailime

A Paixão da Isa disse...

muito bonitos bjs feliz fim de semana saude

silvioafonso disse...

Azul?, tem certeza? Mas minha
mãe me dizia que era branco e
que as asas também eram brancas.
Mas se você vem e me diz que não
são, quem sou eu para contrariá-la.
Beijos e beijos, muitos.

Toninho disse...

Manuela
Um feliz dia das mães amiga e as todas mães de sua vida.
Um bom domingo de feliz semana.
Beijo e paz no coração.

Smareis disse...

Boa noite Manuela!
Quanta saudade minha querida,
Versos lindíssimos tão bem construído.
Quanta sensibilidade , adorei por demais.
Um beijo e um punhadão de sorriso pra você.
Um ótimo mês de Maio!
Feliz Dia das mães pra ti!

Juvenal Nunes disse...

Não é inerente ao homem hibernar, mas a pandemia a isso nos obriga.
Para além disso o poema é um hino à alegria do renascer, que a natureza nos mostra e o ser humano terá de assumir.
Abraço poético.
Juvenal Nunes

Maria Rodrigues disse...

Que o nosso tempo não seja perdido, mas sim seja utilizado com sabedoria, afim de tirarmos dele, o melhor da vida.
Um poema sublime
Beijinhos