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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Feliz Aniversário, Graça!

 

                                                               Parabéns, Graça!



Para a Graça Pires


Constróis a caligrafia dos dias como se foras  
um pássaro escrevendo  no orvalho.
 
Na delicadeza das linhas o sublime do improviso.
               
Deixas  a contemplação das palavras
como se foras um barco em viagem clandestina
deslumbrada pelo longe.
E uma alegria sonâmbula deambula,
tacteando a sublimidade poética.
 
Meticulosa, desenhas voos
perseguindo a sabedoria das migrações.  
 
O inesperado
é o alvoroço na surpresa efervescente de cada poema  
 
E acendes o desejo de permanecer ali,
focando a paisagem num aturado desafio.
Puro deleite.
 
O monólogo interior vagueia para desaguar lentissimamente
na insónia do despertar.
 
 
Manuela Barroso

Sexta- feira ,22 de Novembro de 2023

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Pinga de Chuva


                       

Imagem da net


 

Transparente e leve uma pinga
como uma rosa nascia.
Era água, era flor ou era luz
que naquele ramo descia.
Colada ao galho, paciente esperava
o vai-e-vem do vento
que ao longe assobiava ,
trazendo  gotas dispersas
outras nos charcos submersas.
 

De uma pinga, uma pérola se fez
emanando fulgente brilho
mas ao escorrer no ladrilho
sua forma se desfez.
 
Não chores, pinga de chuva
porque não perdeste a graça
que  a importância que tens
é conforme as circunstâncias.
 
No novo ciclo de vida  
em pérola de novo vens.
Na verdade, não é a forma
que dá valor ao que temos
mas antes a essência da sombra
que somos e que não vemos.


Manuela Barroso, Luminescências-Seda Editora

 

 

 

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

DÓI

Queridos amigos, a minha ausência deveu-se e deve-se ainda  a problemas de saúde.

Volto com as saudades de uma andorinha mas com a sombra triste do fumo que nos cobre de dor.


  

Enquanto o clamor das sirenes e o atordoar das bombas investem incendiando os céus,
tentas aquietar o pensamento no redemoinho dos devaneios imparáveis
que se fazem no peito amordaçado.
Os teus remansos são agora os relâmpagos cravados na memória cansada
de tantas imagens coladas em incessantes tatuagens numa dolorosa impiedade.
 
As gentes são hoje migalhas de nada jogadas no pó da terra
num vazio sem dor.
Rosas jogadas no deserto na vertigem do estertor da Terra.
 
A execrável carnificina humana ramifica-se em garras de fumo negro
num injustificado sadismo bélico fratricida
onde as imagens de crianças sem nome são a mais dura faca
que atravessa o coração dos mais fortes.
 
Até quando, meu Deus, até quando?
 
 
Manuela Barroso

 

 


quarta-feira, 5 de julho de 2023

Infância

 


 Donald Zolan



Recebo-te, minha infância na maresia dos pinheiros
com  suas folhas de agulhas, saudando o tempo de esperança
nos fins de tarde soalheiros


Ouço-te no estio agreste em silvos de angústia
 nos ouvidos secos dos vales, na música dos caminhos
nos ecos das madrugadas e na brancura dos linhos

Ainda te vejo no cume da calçada
flores campestres
passeios de joaninhas e frutos silvestres

Os aromas,
ah, os aromas!
eram ausências de perfumes vadios,
presença da limpidez da primavera
recanto das raízes virgens no ventre impoluto da terra

Hoje
sou planeta, 
clarão sem luz 
que acoberta os dias que tateio na fragilidade dos inocentes,
pés acorrentados e nus.


Manuela Barroso in "Laços"- Dueto  comTeresa Gonçalves, Ed. Versbrava


segunda-feira, 24 de abril de 2023

Pátria




Sonhei com a minha Pátria
beijada pelas águas salgadas
regada com o doce dos rios
decorada com o mel dos montes

Sonhei com a minha Pátria
derradeira planície, único vale
na fartura de trigo e centeio
ausente da fome que vagueia pelo meio

Sonhei com a minha Pátria
recanto de paz e de calma
foz de irmãos, parte da mesma alma

Hoje, divide-se a Pátria
alma da mesma mãe
uns têm tudo, outros nada têm.


Manuela Barroso

25 de Abril