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segunda-feira, 17 de março de 2025

O Céu azulou

 







O céu azulou.
As nuvens pincelam o indefinido, desmaiadas.
O Tempo voou.
 
Quero ventos e brisas que transportem ausências em mim.
A incandescência do sol parte-me os olhos
escurecendo os espelhos que se multiplicam dentro da alma.
As carícias deste ar manso não matam a fome nem a sede
do lugar que ignoro. Só as águas mansas e serenas do lago
aquietam este anseio de parar.
 
Quero as ladeiras que me levem às alturas
e penhascos que desafiem esta inconstância de viver aqui.
Um condor que me carregue sobre as águas límpidas,
rasando escarpas erguidas.
Descerei algures nos montes em espuma de giestas e lajes polidas.
 



Texto e Imagem
de
Manuela Barroso

segunda-feira, 10 de março de 2025

Cansam-te as sombras

 



 Jaime Best







Cansam-te as sombras que se enrolam 

e colam ao teu corpo.

Acende-se a luz que entristece e perturba 

o teu sossego e ilusão, oprimindo o silêncio

nesta absurda inquietação.

 

Passeias-te em fragmentos de saudades

penumbras e clarões de alegria,

nesta poeira tão incerta, fugidia.

 

Nos lábios da manhã fazes sorrir os olhos 

nos espinhos agrestes da rua.

Acompanhas o rio de luz no espaço do teu dia.

Desaparecem os oásis indistintos de sonhos

e um rebanho de solidões principia.



Manuela Barroso



terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Fizeste-me

 



Fizeste-me cântico em versos de vidro
na imensidão  do cosmos onde fulgura 
toda a exatidão do belo. 

Tudo parece imutável na plenitude 
serena dos astros e na ausência visível  
do turbilhão efervescente dos magmas.

Mas tudo é um poema em incandescência.

Deixa-me que me transporte para a
serenidade inalterável da luz das memórias
onde me esperará uma sinfonia de estrelas
na imaterialidade dos Tempos.


Manuela Barroso

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Na poeira

 

Jaime Best



Na poeira lê-se o tempo que corre parado

na exatidão do espaço 

que espera algures, em lugar nenhum.

A respiração atravessa as folhas e os pulmões das pedras

no musgo rarefeito.

Os raios aquecem os néctares que pernoitam nos lábios

de todas as paisagens.

A luminosidade vagueia plana no coração da Terra

anunciando a alegria de estrelas azuis.

Nos ninhos aquecidos de peitos maternos,

dormem ondas de amor nas marés do coração.

 

Porque não sorris com a translúcida cor dos olhos dos lírios?

Arruma as angústias,

sacode a poeira que embacia o teu Agora.

Há muito tempo que o sorriso é a muralha

que guarda a fortaleza no poema da tua alma.



Manuela Barroso

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Quando

 





Quando te roubarem o sol da boca  

e escurecer a água da memória,

mantem o olhar na dança dos limos

que na transparência da corrente,

não revelam

nem melancolia,

nem rotina,

nem a sua aparente fragilidade.

 

Entre os seixos, acariciam as cataratas,

libertam a delicadeza da cor

e permanecem na alegria

do ímpeto da espuma nas fragas.

 

Que não te enfraqueçam as mágoas 

mesmo que as tragas.



Manuela Barroso