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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
Fizeste-me
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
Na poeira
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Jaime Best |
Na poeira lê-se o tempo que corre parado
na exatidão do espaço
que espera algures, em lugar nenhum.
A respiração atravessa as folhas e os pulmões das pedras
no musgo rarefeito.
Os raios aquecem os néctares que pernoitam nos lábios
de todas as paisagens.
A luminosidade vagueia plana no coração da Terra
anunciando a alegria de estrelas azuis.
Nos ninhos aquecidos de peitos maternos,
dormem ondas de amor nas marés do coração.
Porque não sorris com a translúcida cor dos olhos dos lírios?
Arruma as angústias,
sacode a poeira que embacia o teu Agora.
Há muito tempo que o sorriso é a muralha
que guarda a fortaleza no poema da tua alma.
Manuela Barroso
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025
Quando
Quando te roubarem o sol da boca
e escurecer a água da memória,
mantem o olhar na dança dos limos
que na transparência da corrente,
não revelam
nem melancolia,
nem rotina,
nem a sua aparente fragilidade.
Entre os seixos, acariciam as cataratas,
libertam a delicadeza da cor
e permanecem na alegria
do ímpeto da espuma nas fragas.
Que não te enfraqueçam as mágoas
mesmo que as tragas.
Manuela Barroso
quarta-feira, 15 de janeiro de 2025
Tudo é vago
Loucura...
E não me entendo!
Larga estrada para mim...
Tudo é vago, tudo é pequeno!
Quero a altura dos céus.
Estou aqui, sou a migalha
sou a vida e a mortalha
sou brisa, vento sereno
sou obra-prima de Deus!
E dizer a todo o mundo
No meu eu, o mais profundo
Sou o cheiro do jasmim,
Doce e fresco como o orvalho
Que refresca a minha alma
Que quando respiro e olho
Vejo Deus em tudo e todos
E regressa então a calma!
Pouso-me no seu regaço
Deixo-me estar tão somente
Meditando no que faço.
Quero viver só o presente!
Manuela Barroso, In “Inquietudes “- wook
segunda-feira, 6 de janeiro de 2025
Caminhar
E caminhamos já para o Dia de Reis que desejo seja feliz para todos ao som das Janeiras!
Caminhar!
Eis o intransitivo de cada dia, de todos os dias,
quiçá o dia todo...
Estranha sensação esta que assola o pensamento.
Caminhamos sempre para algum lugar, em alguma
direcção, algures no tempo e no espaço!
E sempre pé ante pé, percorremos as horas dos dias
muitas vezes à procura de nada ou de alguma coisa do nosso tudo...
E preenchemos os nossos vazios nesta peregrinação
contínua como se caminhássemos instintivamente para uma chegada que tarda ou se
esconde...
E de porto em porto...tentamos apanhar o barco que
nos leva a outra margem...
E atravessamos sentados estas águas, neste barco
,que nos aquieta, porque nos perdemos nas brumas esquecidas do nosso
inconsciente...
E aproveitamos para apascentar os nossos olhos nas águas
verdes do nosso rio, do nosso mar
E o pensamento pousou no silêncio do Eu...onde o
caminhar se interrompeu...
...E o tempo parou...
Mas todas as travessias são um espaço entre
margens...
Entre o Aqui e o Além...
Entre o Hoje e o Amanhã...
...E defrontamo-nos com o Agora...
E votamos a caminhar, percorrendo o nosso
caminho...
...E a Vida é um contínuo caminhar entre espaços,
neste tempo do nosso tempo, no nosso espaço, em direcção a um tempo futuro...
Chamam-lhe trabalho...
...Diria, sim, que é uma peregrinação metafórica
colectiva...clandestina...inco
Meditações...
Manuela Barroso