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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Será Feito

 


  

Será feito de fogo
o meu primeiro beijo da manhã.
 
Quero penas de orvalho
que esvaziem voos em fósforos de nevoeiro.
 
Que cintilem os reflexos da tarde
nos filtros do sol
em agonias de giesta.
 
Tu,
serás a alegria do amplexo
dormindo na penumbra
com tanto ardor
que 
roubar os matizes da tua paisagem
nesta secreta viagem
é roubar a cor da tinta
com que faço em mim
a tua imagem.  

 

Manuela Barroso

 


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Elas

 



De trapos pendurados no rosto, deambulam como quem vê.
Enterram sonhos como quem planta espinhos de rosas
na poeira do asfalto sem uma erva de vida. Límpidos os olhos
na esmagada aceitação das lágrimas, resvalando no colo onde
se aquieta o fruto aninhado no colo materno, bebendo a seiva até
à última gota.
Engolem a esperança na alegria que vai apodrecendo com a solidão.
Olhos mirrados com sede de luz e fome do dia, coado por um manto
negro de desterro.
Aninhadas nas sombras lúgubres  dos tugúrios,  
as sementes não tem permissão para nascer.
São proibidas as flores e as pombas.
 

Manuela Barroso


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Página

 




É só uma página.
Mais uma página em branco esculpindo a imagem que procuras .
Nada.
Mais um Tempo.
Outra página tentando decifrar o que o Tempo te guarda.
Nada .
E procuras dentro da pele o que tuas mãos procuram .
Um arrepio  te avisa do caminho, do calor e da raiz 
onde se esconde o  teu tesouro.
Imagina quão perto está o que te pode fazer feliz !


MBarroso


( Caros  Amigos e Amigas, por motivos alheios à minha vontade tenho andado mais ausente. No entanto continuam bem vivos no meu coração. Boas Férias! )


segunda-feira, 19 de julho de 2021

Quando a noite

 


Quando a noite madrugava, despertavam os meus sonhos
na harmonia longínqua das paisagens onde te plantei.
Neles vieste na boca das flores que eu beijava, sentindo o teu perfume.
E eras a acácia austera abraçando-me na sombra longa e sonolenta, manto de desejos, dilatando  alvoroços e inquietações.
Via no contorno das árvores o horizonte do teu corpo
num caudal de afagos errantes, de arrebatamento cego e labaredas verdes.
E subia para a cortina dos teus ramos.
Fechava-a com as tuas folhas.
Emoção e silêncio foram cúmplices dos relâmpagos de ternuras
que fizeram acordar a quietação do bosque.
Cortejos de aves planavam este dossel intimista,
celebrando a vibração e alegria do amor.


Fotografia e Texto

de

Manuela Barroso

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Dá-me as Flores

 


Dá- as flores e aves e gorjeios que se desprendem do colo das árvores. 
Dá- me um barco com remos de fogo e mastros de andorinhas.
Leva- me ao alpendre plantado na alegria do vale juncado de choupos
e ninhos de rouxinóis 
Espera - me o regato onde borbulham as madrugadas do estio e onde 
recrudescem os devaneios atropelando-se com os sonhos no resgate inconsciente da alegria.
 
 
Manuela Barroso