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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Se vires nascer flores...

 


 Christian Schloe




Se vires nascer flores nos espinhos das rosas
não estremeças o teu olhar
queima as pétalas no cálice da tua alma
faz com elas incenso do teu altar. 
E respira  
deixa  que o aroma  ecoe em  nuvens doces  de beijos.
Não corras atrás do fumo, deixa que voe
na pele mansa do lago. São nenúfares em cortejos.
 
Se vires um rebanho de rolas, rasgando a penumbra dos pinheirais
são cordas de anjos à solta  em harpas sonantes, de  voos celestiais.
E não te perguntes de onde vêm
aceita só a beleza que têm.

No ar estende-se o musgo dos dias. Fica.
Lê o verde do tempo, sorri com o encanto da vida.
Repousa quando o recolhimento do poente a isso te convida.


...

Manuela Barroso "Luminescências"


quarta-feira, 23 de abril de 2025

Fragilidades

 Queridos Amigos e Amigas, tal como esta imagem, assim o meu percurso. Daí a minha ausência sem ser programada. Mas não desistindo, aqui estarei sempre que puder. Abraço.




Na mansidão salgada das algas,
a vida pulsante das marés.
Água onde nadam os átomos
a fragilidade de tanto que és.

Mil ondas, mil anos, mil sóis,
velocidades mil, mil tamanhos
de que é feita a vida
e todo o seu encanto.

Aqui,
o grão na infinita grandeza do Espaço.
No deserto inóspito,
quebranto e areia.
Ânsia.
Inteligência de partículas em cadeia
na imensidão da distância.


Manuela Barroso, "Luminescências", 2019

domingo, 20 de abril de 2025

Feliz Páscoa

 









 Algumas coisas são explicadas pela ciência, outras pela fé. A Páscoa ou Pessach é mais do que uma data, é mais do que ciência, é mais que fé, Páscoa é amor.


Albert Einstein



Se a Tua existência não sensibilizou o coração dos Homens

que a Tua morte os desperte para o mistério da Vida.


Manuela Barroso




É com Amor Pascal que desejo a todos/as uma Páscoa Feliz.













segunda-feira, 14 de abril de 2025

Semana Santa- Meu tempo de Páscoa

 

  Queridos Amigos e Amigas, ultimamente o meu percurso, foi um pouco atribulado. Daí a minha ausência sem ser programada. Abraço.



 

 

Os campos longínquos e verdes eram barcos no mar do meu pensamento.
Os olhos ausentavam-se nas encostas risonhas dos meus montes com rugas em regatos cantantes e alegres, fugindo ao encontro dos botões das giestas e aromas de rosmaninhos.

Nos cabelos atrevidos e esvoaçantes dos choupos, penduravam-se rouxinóis vestindo penas de primaveras meninas, em êxtases de cantos embriagantes, repercutindo-se em ecos nos montes de nuvens dispersas no azul sereno e transparente do Vazio celeste.
O vento indeciso, leve, era a vibração que acordava esta alegria interior, num lago de anónimas águas, num mutismo contemplativo.
Pensamentos mergulhavam de encontro aos seixos redondos em amêndoas coloridas.

Neste espelho mudo, as recordações aninhavam-se nos ovos de tingidos e penachos amarelos em jardins de Páscoa e começavam a sorrir embaladas no sono da saudade.
O canto do rouxinol ondulava nas curvas do pensamento, percorrendo agora a paisagem colorida das glicínias, numa canção enternecedora e tranquila, escrita em memórias de sinos pascais.

E como uma nuvem, deixei-me envolver nesta melodia, flutuando nas recordações que se teciam também na saudade dos meus vestidos rodados de crepe e laços de seda.
Uma imagem se criava em mim, recordando a Vida na morte do Filho do Homem.
Na cortina do tempo, abro hoje a janela, sorvendo a Páscoa do meu dia, na Paz que se faz em mim.
Em alegria.
Assim.


Manuela Barroso

sexta-feira, 21 de março de 2025

Comemorando o Dia Mundial da Poesia


 


Há-de ser em janeiro que eclodirão cristais 

das bolsas da terra; 

que nos olhos das fontes desaguará a luz coada 

da ainda penumbrosa madrugada.

 

Há-de ser a Natureza, a musa do meu canto,  

o bosque onde  passeio  

a  perenidade deste encanto.  

 

Há-de ser o silêncio, a asa deste voo líquido,

na altura  que estremece,

a lonjura que não alcanço, e a paz me aquece.

 

Há-de ser o púrpura do sol-posto

onde se dilui a tempestade de estrelas , 

flores noturnas, 

no seu manto . 

 

Há-de ser o limite das palavras, o meu grito de liberdade 

o meu tempo sem idade.  

E será numa alvorada, ao despertar  

que cantarei o meu hino de alegria

num louvor e vitória à vida  

nesta forma de ser e estar.



Manuela Barroso