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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Quando

 





Quando te roubarem o sol da boca  

e escurecer a água da memória,

mantem o olhar na dança dos limos

que na transparência da corrente,

não revelam

nem melancolia,

nem rotina,

nem a sua aparente fragilidade.

 

Entre os seixos, acariciam as cataratas,

libertam a delicadeza da cor

e permanecem na alegria

do ímpeto da espuma nas fragas.

 

Que não te enfraqueçam as mágoas 

mesmo que as tragas.



Manuela Barroso

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Tudo é vago

 





Loucura...
E não me entendo!
Larga estrada para mim...
Tudo é vago, tudo é pequeno!
Quero a altura dos céus.
Estou aqui, sou a migalha
sou a vida e a mortalha
sou brisa, vento sereno
sou obra-prima de Deus!
E dizer a todo o mundo
No meu eu, o mais profundo
Sou o cheiro do jasmim,
Doce e fresco como o orvalho
Que refresca a minha alma
Que quando respiro e olho
Vejo Deus em tudo e todos
E regressa então a calma!
Pouso-me no seu regaço
Deixo-me estar tão somente
Meditando no que faço.
Quero viver só o presente!

Manuela Barroso,   In “Inquietudes “- wook 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Caminhar

 E caminhamos já para o Dia de Reis que desejo seja feliz para todos ao som das Janeiras!



 

Caminhar!
Eis o intransitivo de cada dia, de todos os dias, quiçá o dia todo...
Estranha sensação esta que assola o pensamento.
Caminhamos sempre para algum lugar, em alguma direcção, algures no tempo e no espaço!
E sempre pé ante pé, percorremos as horas dos dias muitas vezes à procura de nada ou de alguma coisa do nosso tudo...
E preenchemos os nossos vazios nesta peregrinação contínua como se caminhássemos instintivamente para uma chegada que tarda ou se esconde...
E de porto em porto...tentamos apanhar o barco que nos leva a outra margem...
E atravessamos sentados estas águas, neste barco ,que nos aquieta, porque nos perdemos nas brumas esquecidas do nosso inconsciente...

E aproveitamos para apascentar os nossos olhos nas águas verdes do nosso rio, do nosso mar
E o pensamento pousou no silêncio do Eu...onde o caminhar se interrompeu...
...E o tempo parou...
Mas todas as travessias são um espaço entre margens...
Entre o Aqui e o Além...
Entre o Hoje e o Amanhã...
...E defrontamo-nos com o Agora...
E votamos a caminhar, percorrendo o nosso caminho...
...E a Vida é um contínuo caminhar entre espaços, neste tempo do nosso tempo, no nosso espaço, em direcção a um tempo futuro...
Chamam-lhe trabalho...
...Diria, sim, que é uma peregrinação metafórica colectiva...clandestina...inconsciente..à procura da Consciência Cósmica!
Meditações...


Manuela Barroso




segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Feliz Ano Novo!



FELIZ ANO NOVO!



 


Apesar de tantas raivas, descréditos, desilusões, ingratidões, injustiças...
 não podemos dar-nos por vencidos e  olhar passivamente para as ondas
que nos engolem como monstros tentando afogar os nossos gritos
nem por ventos que derrubam nossos sonhos.
Ás vezes parece que tudo é irremediável...
...e olhamos o vazio na impassividade da impotência
Mas a força está dentro de cada Homem, na sua  coragem
de enfrentar um novo dia , único, sempre desigual.
Na confiança em cada amigo que nos aperta com aquele abraço reconfortante e quente
No amor que sentimos por um ser diferente de todos...e que vale por todas as luzes
por todas as horas.
No viver  cada  dia de sol ou chuva com entusiasmo adolescente...


QUE O ANO DE 2025 SEJA REPLETO DE BÊNÇÃOS E VENTURAS


Manuela Barroso









 





domingo, 22 de dezembro de 2024

Feliz Natal









NATAL


No  cume branco das madrugadas
Enquanto  descia lenta  a neblina
Subiam saudades redobradas
De quando eu ainda era menina.
 
Um cheiro mole, espesso a nevoeiro
Atravessava lento o pinheiral
Peneirando sobre o musgo primeiro
Depois na minha árvore de Natal
 
Trazida em festa e a solenidade
Com que sempre se celebra o Amor.
O presépio nascia na  verdade
  
Com aquela  inocência sem idade
Onde  nos acaricia o calor
Que devia envolver a humanidade.
 
 
Manuela Barroso

 












Queridos e queridas Amigas

Mais que nunca cumpre-nos que dar testemunho de um Menino que nascendo se fez Homem em tudo igual a nós, tudo pelo Amor - que ainda não compreendemos nem seremos capazes de imaginar tal dimensão-de Deus Pai.

Numa sociedade onde cada vez  mais apóstata, há valores - mesmo de outros credos religiosos- que fazem parte da nossa cultura e se vão perdendo.

É na comunhão deste verdadeiro espírito natalício que desejo a todos

Um Santo e Feliz Natal!