SEGUIDORES

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Saber-te

 
       Comemoração do dia de S. Valentim, a convite do Juvenal 
                               do Blog "Palavras Aladas"





Saber-te longe ou perto, que importa
se os passos do teu sorriso
me conduzem ao bucolismo do vale
onde se espraiam os meus sentidos?
 
Aproxima docemente o teu olhar do meu vulto
cercado das espigas amarelas do trigal
na elegância do bailado nas asas dos sopros de brisa
exultando a terra, no aroma outonal.
 
Leva-me na transparência do brilho
no voo das tintas dos teus olhos
para morrer na insónia das tuas mãos.
E no mistério da penumbra
divagaremos na íntima muralha
enquanto a noite se afunda.

Manuela Barroso in  "Luminescências"-2019

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Tu não recordas

 







Tu não recordas
mas os hinos do Cosmos são o êxtase que não encontras na Terra
As palavras são objetos concretos que a música traduz na
sonoridade das estrelas!
A Essência que és preenche-se de Infinitos
As cordas são a luz alargada no Espaço onde a velocidade canta
a Eternidade que não compreendes
O espelho da Terra sobe em cânticos atravessando a poeira dos
tempos acompanhando o poema da vida
Nas cordas das auroras escondem-se outras músicas que não
vais decifrar
Na harpa das açucenas não ouves o som do pólen em reflexos de amor
Nos olhos das violetas não ouves a música da cor
O véu que cobre o que parece invisível
é o mistério da Beleza que fala no Silêncio
em  eternos salmos de Amor.


Manuela Barrroso

 


sábado, 21 de janeiro de 2023

Neve e frio

 



...
...E o frio torna-se mais frio, quando ficas frio…
…Porque o frio também é calor, a neve também é quente quando a tua mão toca na minha e fala.
Quando os dedos se entrelaçam numa linguagem terna como os laços dos flocos nos braços da madrugada…
…Quando os olhos fecham as cortinas e imaginam a música crepitante de uma lareira, na companhia dos reflexos aconchegantes e envolventes que se encostam timidamente ao teu peito
...Quando ouves o suave toque do algodão aquoso na tua vidraça e sabes que não é o teu coração
...Quando ficas "encolhidinho" à espera da incerteza ou do uivo do vento e sentes o cobertor mole que te aconchega como os braços da lua...
...Quando ficas a saborear o tempo do tempo que faz...
...E o Branco da Neve, pode ser o branco das manhãs de março, quando esperas a Primavera.
...E aceitas que o frio pode ser calor...porque nem sempre o calor é quente, com sabor a mãe!
...E aceitas que a neve é calor, não aceitando o frio da alma.
Prisão e liberdade...
São faces de amor que nem sempre tem a mesma face.
 
...E chama-se amor.

Manuela Barroso ( reeditado)

 

 


sábado, 14 de janeiro de 2023

Neve e Frio

 


 Branco e frio.

A água dança agora no céu metálico, arrastando o seu vestido branco pelo chão das árvores num noivado colectivo. Ora envoltas em longos mantos cuspindo reflexos de cristais, ora cingidas em flocos deixando antecipar formas concupiscentes em vestidos longitudinais.
E nesta serenidade branca, todas as oscilações da Natureza são aceites com a mesma brandura.
Dançam com o vento, choram com a chuva, e abrem os braços com o sol.
E tu? E eu?
Nós somos um capricho!
Somos o frio, o calor, o mau humor...
Não sabemos sorrir para a vida, mesmo quando o sol fica no limite do nosso olhar.
Quando a noite se deita gélida no teu corpo que não aquece.
Quando os pés entorpecidos esquecem que o frio não visita só as mãos pensantes e a alma em silêncio...porque tu és um todo como o todo das partículas da neve!
E ignoras o calor que nasce dentro de ti e que é a fogueira que te aquece e te prepara para esta hibernação contrariada...

(continua)

Manuela Barroso 

(Banalidades...)

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Imaginação

 


 

Cobre-se a imaginação de nada.
Embrulho o pensamento com o manto branco da paz.
A mente desdobra-se em argumentos para matar a sua saciedade.
Mas em vão.
A imaginação aliou-se ao pensamento e caminharam em direção ao deserto, onde o vazio preenche o vazio.
A imensidão da areia fina e branca é o prelúdio para o pensamento vago,
voando por este mar branco e árido e cheio de nada. 
Céu longo.
Numa abóbada gigantesca, é a Criação que nos liga ao Infinito.
E, entre o deserto e o céu, só as miragens preenchem o vazio.
São abstratas.
E o pensamento acalma a imaginação.
E o vazio começa a preencher o espaço e o tempo.
E o espaço e o tempo começam a desistir.
Já não existe nem espaço nem tempo.
O pensamento entrou na antecâmara do Universo e foi atraído por ele. “Volatilizou-se” e disse não à resistência.
E encontrou-se no vazio.
E encontrou a calma e a quietude.
Pousou na serenidade.
E este vazio não era o nada, era o tudo, porque era o vazio do silêncio onde o pensamento repousava na tranquilidade adormecida.
E o pensamento, solto das amarras da mente, caminhou nas areias da imaginação.
E adormeceu.
Sentiu-se luz e sombra, tudo e nada.
E nesta libertação meditativa, adormecia nas areias da paz, na lonjura do deserto.
E as teias da vida acordaram-no para a realidade e o vazio foi-se preenchendo com o ruído e confrontos cerebrais. E foi -se deixando morrer...
E o vazio de tudo deu lugar ao vazio de nada.
E acordou o turbilhão da mente.
E o pensamento começou a deixar-se morrer também, como uma flor que a imaginação aprendeu a amar, alimentando-o tantas vezes de utopias...
Mas a mente desprendeu-se como um iceberg, arrastando os flocos da imaginação numa gigantesca bola de neve...
E a quietude do vazio dava agora lugar a avalanches e tempestades brancas, que de paz, só falava a linguagem da sua cor.
E voltou a realidade.
Fria e branca
Branca e fria!
 


Manuela Barroso
 
Pintura de Thomas Spence



Renovo os meus votos de um Feliz 2023!