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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Noites


As palavras deitam-se ao ritmo das horas incertas dos espaços mentais…
Os números do tempo aquietam-se no sossego e tranquilidade da noite.
Ouve-se um sussurro quente que mexe a roupa nos estendais…
...o vulto de mim, aproxima-se da janela aberta que me abraça com a noite...
O ventinho morno convida para um “tête-à- tête”, na noite cálida.
Aceito.
O som continua cavo, vindo das profundezas do horizonte que já não lobrigo.
Tudo calmo...
Só um vento mensageiro de mistérios que se escondem nas esquinas esconsas da cidade...
A roupa continua a dançar no estendal, como num bailado de fantasmas…
…E o olhar perde-se por instantes, prendendo-se ao piar pegajoso das gaivotas...
Saboreio esta mensagem de ar,  com as cerejas de Maio…
...mistura de sabores que vagueiam no cérebro, onde dormem recordações…
…E a leitura da brisa começa a saber a arrepio, a saudades nocturnas…
Olhos que se deitaram no céu, perdiam-se agora em lembranças fugidias que o inconsciente teima em avivar…
Uma espécie de “déjà vu” retira-me da janela que agora fecho com a alma dos olhos e empurro com os olhos das mãos...
Recolho o silêncio da noite e deponho-o no meu leito…
…é com ele que me deito!

Manuela Barroso

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ternuras

Colhi-te
no berço da madrugada
e banhei-te
com as cores do sol nascente!
Arredondei
os braços nus e longos,
e abracei-te
num sorriso seguro e terno!
E apertei-te
no calor sereno do meu peito!
Sentei
a ternura no meu colo,
e desfez-se
 o teu cansaço...
E colhi
todas as flores do sol
 para enfeitar o teu dia.
Deitei-te
no horizonte
e repousei
o meu silêncio
com as cores da tarde que morria!
Teci a noite
com sonhos de lua cheia
 e sonhei-te
em campos de cetim...
E... acordei
para um novo dia que nascia!


Manuela Barroso  "Eu Poético III"
                                                            
                                                                                      

domingo, 17 de julho de 2011

Cartas...


A cidade repousava agora no deserto da ausência das capas negras dos estudantes.
Férias.
O cheiro do monte atraía agora, como o pólen que se desprendia das corolas atrevidas das flores.
A aldeia tinha o mistério da abundância dos pássaros insectívoros, atravessando em flecha ou em voo picado, as flores  do jardim.
Verão.
O sol picava as pétalas das flores e da pele.
A adolescência aceita desafios exigentes...
E era sob esta inclemência abrasadora, que me passeava gostosamente pelos canteiros geométricos do meu jardim.
A impaciência pedia a urgência do carteiro, que esperava com ansiedade e palpitações inquietas...
E naquele lugar, áquela hora, ele aparecia meio escondido, como anjo mensageiro de boa nova...
E, por entre os desenhos dos portões de ferro forjado, este anjo trazia uma das mais belas recordações que guardo no cofre da alma : as primeiras cartas de amor que não eram nunca ridículas!
...E primeiro, olhava longamente a letra que me falava tanto!
Depois, lia as palavras que embalavam meus sonhos de menina...
...E o papel tinha aquele cheiro especial que me enfeitiçava! E tudo era mágico!
E sorria!
E, no refúgio do laranjal, saboreava o sonho de um amor proibido, por ser, tão simplesmente tão menina!
O tempo filtrou recordações.
Mas não matou a saudade que ainda vagueia como uma luz, por entre as rosas do meu jardim!
O carteiro, esse, ficará para sempre no meu imaginário como o anjo da alegria que me entregava pedaços de amor!
...E não há luar como o de janeiro...

Manuela Barroso

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Homenagem -Obrigada, Evanir!


Evanir, do blog http://aviagem1.blogspot.com, entendeu, com a sua delicadeza, homenagear  as palavras que se deixam atravessar por sentimentos errantes, no blog http://wwwanjoazul.blogspot.com.
Agradeço, com ternura, este carinho que partilho com todos os que me visitam e que tanto me alegram! Vocês, são os meus presentes, que eu enfeito com os laços da amizade.
A si, Evanir, de uma generosidade comovente, o coração emudece perante uma alma como a sua!
Você transmite paz! E a paz do coração é o paraíso da Humanidade!
Obrigada pelo seu gesto.
Obrigada por me levar na sua VIAGEM!
Terno abraço,
Manuela Barroso

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Simplesmente flui...

Não durmas,
Vê este silêncio que repousa aqui...
Não vás,
Sente esta largura que foge de ti!
Não penses,
Sente a quietude do momento,
Abandona suavemente o pensamento...
Não fujas,
Fica na paz da tua casa
Momento de ave sem asa
Não corras,
Saboreia o doce do vento
Adormece em ti!
Não grites,
Abençoa a palavra que soltas
Dilui-a na brisa que passa...
Flui...
Simpesmente flui...
És o rio
És a vida
És o lago
És o azul
És o Infinito
Que te possui!

Manuela Barroso in "Eu Poético III"