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sábado, 22 de janeiro de 2022

110 Anos , 110 Poetas - Universidade do Porto


Antologia Comemorativa dos 110 Anos da Universidade do Porto


No 110 º Aniversário da Universidade do Porto, tive a honra de ser convidada 
a participar com um poema para assinalar esta data, na Antologia Comemorativa dos 110 anos com a organização da Professora Dra Isabel Morujão, docente neste estabelecimento de ensino.
Perante as pessoas de talento e enorme estatura literária que passaram durante este tempo por esta Universidade, senti uma enorme responsabilidade perante tal  convite. 

Na verdade é um entrelaçado de tão belos  poemas que nos perdemos na imagística fabulosa, sensibilidade e talento poético dos autores que integram esta Antologia Única.


Capa



Contra-capa




Parto em busca
 
               
Parto em busca dos olhos
onde deixei adormecer as flores.
Quereria recriar violetas dos estilhaços
e diluir a desertificação em fios transparentes
na brancura do espaço.
Sorveria a alegria
no fascínio da contemplação das searas
sacudindo o murmúrio dos dedos
e o suor silencioso das mãos.
 
Paralisa-me o sorriso híbrido,
o sufoco da irrequietude humana
na voragem cega do cinza ácido de cada dia.
É neste caminho opaco
que encontro a voz que me fala dos segredos
que guardo e não ouço.
Aquieta-me a juventude mansa
do borbulhar de tudo o que nasce
no assombro da Criação.
E tudo para nesta prisão de liberdade
que sinto,
que vejo
e escuto
numa harmonia sinestésica de um piano de minutos
escorrendo vagarosamente no tempo.
 
Numa procura de nada, rasgaria atalhos febris
para encontrar clareiras azuis no colo do bosque,
numa etérea fusão com as silhuetas graciosas
das flores selvagens,
numa quietude explosiva de serena alucinação.
 
Aqui, demorar-me-ia
na plenitude contemplativa das minudências             
que me crescem e libertam
da prisão das salivas humanas.
Refugiar-me-ia no abrigo da insuspeição das árvores
e na incidência da luz
que me cega e arrebata
numa concupiscência de amantes.
 
As minhas mãos
seriam asas de alegria
na sofreguidão de liberdade e regatos de ternura.
A nudez dos meus pés
alimentar-se-ia da sensação fugidia
das carícias do musgo das lajes polidas, 
num corpo que me ignora.
 
 
Agora,
o voo dos olhos são fugas
que se descolam das rochas
na busca incessante de flores transparentes,
aturdidas com as imagens insanas de injustiça.
Bebo as nascentes,
com a avidez cristalina de beijos esquecidos.
Sinto o chão plasmado do frenesim de águas vivas
e erva solta
onde se embargam as palavras
prisioneiras deste mutismo contemplativo.
 
Mas um sopro de vento
apaga-me a luz da vertigem do tempo. 
Vão caindo sombras
dilacerando o eco do instante                     
emudecendo a infância da solidão.
Pudera abraçar a vida que me preenche
e preencher a vida que me pertence
com a paz que percorre os meus sentidos.
O ruído das palavras
entorpece o infinito dos pensamentos.
 
A memória adormecida
é cometa na comporta do silêncio,
é o suporte da alegria primaveril que não se escoa,
hoje veleiro e utopia,
flutuando nos tentáculos
de tudo o que não é pessoa.


Manuela Barroso
Alumna FLUP ( 1º Curso de FR-1968)
Inédito

Manuela Barroso
 




 

sábado, 8 de janeiro de 2022

Na Subtileza

 



 

Na subtileza enigmática dos dias pardos chovem saudades 
Na sombra me deito.
Na paisagem do sorriso discreto
murcham as flores no exílio deste cais
num abandono secreto.
 

Sou o gesto indefinido e adiado no horizonte da bruma.
Sou a nuvem da emoção onde albergo esta paisagem de algodão,
neste mote de saudade em espuma.
 
Cansam-me as sombras que se enrolam 
e colam ao meu corpo.
Acende-se a luz que entristece e perturba 
o meu sossego e ilusão oprimindo o silêncio
nesta absurda inquietação.
 
Passeio-me em fragmentos de saudades
penumbras e clarões de alegria,
nesta poeira tão incerta, fugidia.
 
Nos lábios da manhã faço sorrir os olhos 
nos espinhos agrestes da rua.
Acompanho o rio de luz no espaço do meu dia.
Desaparecem os oásis indistintos de sonhos
e um rebanho de solidões principia.


Manuela Barroso

 

 

 



quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Feliz Ano Novo de 2022

 Todos os dias são de festa.

Todos os dias são para ser comemorados
A vida, ela própria, é uma festa ao amor, á dádiva, à partilha, ao perdão...
Não fará sentido viver por viver. Nós vivemos por amor a filhos, a causas, e aos pais que amamos.
Toda a vida é imbuída de amor, porque ele dulcifica, acalma, alegra, purifica.
E a sociedade sem amor atrofia, repele!
Eis a razão desta fobia em ascensão, à solidão e aos campos verdes da nossa infância, agora cobertos de neve...cuja beleza acariciamos com o nosso olhar!
Eis o inconformismo do ser humano, buscando não só o próprio bem, mas o bem partilhado.
Por isso a vida parece doer cada vez mais.
Eis o sonho da Humanidade: viver em consonância com o Universo!
Tanto e tão pouco!
Parece!


UM FELIZ ANO PARA TI,
de mim
ACEITA!


QUE O ANO  SEJA REPLETO DE BÊNÇÃOS E VENTURAS!






terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Feliz Natal


 

Duas palavras que o meu íntimo reclama partilhar convosco, meus queridos companheiros e amigos de tantos momentos de convívio, este ano menos por motivos pessoais.

Embora esta tragédia actual nos queime tanto a alma, roubando  horas de encantos perante tantas coisas pelas quais ainda vale a pena lutar, o pensamento será sempre e mais forte que os sobressaltos já que “ o homem não pode escolher directamente as suas circunstâncias, mas pode escolher os seus pensamentos”

Tentemos deixar espraiar os sons da música como o único eco que nos brinda, cultivemos a beleza na mente, a graça, bondade e alegria nos nossos pensamentos  e o nosso mundo interior terá desta forma  outra construção  porque a perfeição que nos dá forma, está dentro de nós.

Tentemos construir-nos , sejamos persistentes.

DESEJO A TODOS UM FELIZ NATAL

com

AMOR, SAÚDE , PAZ, SERENIDADE.

Se assim for, faremos o nosso PRESÉPIO.

ABRAÇO-VOS a TODOS COM TERNURA

 

Manuela Barroso

 

 




domingo, 28 de novembro de 2021

Quando os flocos de neve


 


Quando  os flocos de neve
iniciarem a gestação das suas flores,
leva-me contigo para a alvura dos montes.
Quero banhar-me na pureza do gelo.
 
Tudo é tão ruidoso na lonjura dos polos.
 
Quero congelar o meu hálito
e deixar de respirar na hibernação do corpo
faminto de paz.


Manuela Barroso