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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Chora, Terra



 Chora, Terra pela injustiça dos fracos
na cegueira da guerra.                        
Na indigestão da crueldade,
vomita em lava
o vermelho incandescente  da maldade.
Grita a tua fúria no relâmpago das trovoadas.
Os Homens já não ouvem a linguagem mansa
das manhãs orvalhadas.

Faz chorar as nuvens.
Os Homens já não têm lágrimas.
Rega os campos, as flores e a harpa do centeio.

A navalha do grito do vento,
fez refém a luz do pensamento.



Manuela  Barroso in "Eu Poético VI



domingo, 10 de fevereiro de 2019

Tanto Frio



Tanto frio lá fora.
Pelas fendas da tarde o piano travesso do vento
carregando neve invisível na intimidades das sombras.
Não adivinho a respiração das árvores nem os segredos
aquáticos das rãs. Mas sinto a solidão fria dos pássaros
que não vejo e as pálpebras maduras nas silhuetas  
abatidas  no recorte da noite.
Passos que pisam lençóis de geada na pressa
descompassada de seivas quentes no calor
do tecto e das asas.
Haverá sempre um lago morno em cada tempo
que agasalhe  o sono  para aí  desaguar e colher
a seguinte madrugada.

Manuela Barroso


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Feliz Ano Novo


Votos para que no Novo Ano que se avizinha se concretizem todos os vossos sonhos, queridos/as amigos/as.
Feliz e Próspero Ano Novo!

Manuela Barroso





quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Natal-2018


                              Bom Natal para todos, Feliz Ano Novo!




No cume branco das madrugadas
Enquanto  descia lenta  a neblina
Subiam saudades redobradas
De quando eu ainda era menina.

Um cheiro mole, espesso a nevoeiro
Atravessava lento o pinheiral
Peneirando sobre o musgo primeiro
Depois a minha árvore de Natal

Trazida em festa e a solenidade
Com que sempre se celebra o Amor.
O presépio nascia na  verdade


Com aquela  inocência sem idade
Onde  nos acaricia o calor
Que devia envolver a humanidade .


Manuela Barroso
Dezembro de 2018







sábado, 8 de dezembro de 2018

Queria



 
Queria despir esta pele e ser outra.
Queria vagabundear de coração em coração e ouvir a música de cada músculo.
Queria subir ao mistério dos neurónios e entender a linguagem simples e tão complexa desse mundo que me faz.
Limito-me a ter um corpo e a ser o que não compreendo.
Limito-me a expandir o meu olhar e contemplar as nuvens rasgadas do sol poente,
a expansão das estrelas que vejo e imaginar as que não vejo.
Limito-me a acordar com a frescura da manhã embalada com o pio dos pássaros.
Limito-me a vaguear pelo dia, cada dia, tragando cada hora, na contemplação das colinas,
com as árvores mansas e pacientes, pregadas ao chão, cada dia.
Perco-me a deambular por um areal pescando búzios na sua tão enigmática simetria.
Deleito-me com as flores do campo, na sua perfeita e inquietante harmonia.
Pouso o meu pensamento, como se fosse uma flor de cristal, plantada no peito da vida.


Manuela Barroso