Ainda cogito no esconderijo desta hibernação.
O som da flauta acorda o meu torpor.
Os galhos já se desprendem bebés em folhas tenras e
inocentes,
dos ventos e beijos ardentes da canícula do sol.
É um espreguiçar doce;
os aromas contaminam a pele
e arrepiam todos os sentidos.
Ainda breves
flores despontam do musgo
e os girinos passeiam por entre os limos flutuantes.
Que me banhem todas as estrelas na noite que se aproxima.
Que me dispa de tédio as línguas de sol
porque necessito de gritar
que a alegria é o mastro dos
meus dias.
Que me beije a chuva, muita chuva.
Quero navegar nos lagos largos da abundância
onde a vida se incendeia.
Hoje quero ser a rã que se espreguiça livre
por entre as flores orvalhadas da manhã,
colhendo campestres inocências.
Já não tenho tempo para perder,
nem paciência.
Manuela Barroso, Eu Poético VII



