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sábado, 14 de janeiro de 2023

Neve e Frio

 


 Branco e frio.

A água dança agora no céu metálico, arrastando o seu vestido branco pelo chão das árvores num noivado colectivo. Ora envoltas em longos mantos cuspindo reflexos de cristais, ora cingidas em flocos deixando antecipar formas concupiscentes em vestidos longitudinais.
E nesta serenidade branca, todas as oscilações da Natureza são aceites com a mesma brandura.
Dançam com o vento, choram com a chuva, e abrem os braços com o sol.
E tu? E eu?
Nós somos um capricho!
Somos o frio, o calor, o mau humor...
Não sabemos sorrir para a vida, mesmo quando o sol fica no limite do nosso olhar.
Quando a noite se deita gélida no teu corpo que não aquece.
Quando os pés entorpecidos esquecem que o frio não visita só as mãos pensantes e a alma em silêncio...porque tu és um todo como o todo das partículas da neve!
E ignoras o calor que nasce dentro de ti e que é a fogueira que te aquece e te prepara para esta hibernação contrariada...

(continua)

Manuela Barroso 

(Banalidades...)

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Imaginação

 


 

Cobre-se a imaginação de nada.
Embrulho o pensamento com o manto branco da paz.
A mente desdobra-se em argumentos para matar a sua saciedade.
Mas em vão.
A imaginação aliou-se ao pensamento e caminharam em direção ao deserto, onde o vazio preenche o vazio.
A imensidão da areia fina e branca é o prelúdio para o pensamento vago,
voando por este mar branco e árido e cheio de nada. 
Céu longo.
Numa abóbada gigantesca, é a Criação que nos liga ao Infinito.
E, entre o deserto e o céu, só as miragens preenchem o vazio.
São abstratas.
E o pensamento acalma a imaginação.
E o vazio começa a preencher o espaço e o tempo.
E o espaço e o tempo começam a desistir.
Já não existe nem espaço nem tempo.
O pensamento entrou na antecâmara do Universo e foi atraído por ele. “Volatilizou-se” e disse não à resistência.
E encontrou-se no vazio.
E encontrou a calma e a quietude.
Pousou na serenidade.
E este vazio não era o nada, era o tudo, porque era o vazio do silêncio onde o pensamento repousava na tranquilidade adormecida.
E o pensamento, solto das amarras da mente, caminhou nas areias da imaginação.
E adormeceu.
Sentiu-se luz e sombra, tudo e nada.
E nesta libertação meditativa, adormecia nas areias da paz, na lonjura do deserto.
E as teias da vida acordaram-no para a realidade e o vazio foi-se preenchendo com o ruído e confrontos cerebrais. E foi -se deixando morrer...
E o vazio de tudo deu lugar ao vazio de nada.
E acordou o turbilhão da mente.
E o pensamento começou a deixar-se morrer também, como uma flor que a imaginação aprendeu a amar, alimentando-o tantas vezes de utopias...
Mas a mente desprendeu-se como um iceberg, arrastando os flocos da imaginação numa gigantesca bola de neve...
E a quietude do vazio dava agora lugar a avalanches e tempestades brancas, que de paz, só falava a linguagem da sua cor.
E voltou a realidade.
Fria e branca
Branca e fria!
 


Manuela Barroso
 
Pintura de Thomas Spence



Renovo os meus votos de um Feliz 2023!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Feliz Ano Novo

 


Apesar de tantas raivas, descréditos, desilusões, ingratidões, injustiças...
 não podemos dar-nos por vencidos e  olhar passivamente para as ondas
que nos engolem como monstros tentando afogar os nossos gritos
nem por ventos que derrubam nossos sonhos.
Ás vezes parece que tudo é irremediável...
...e olhamos o vazio na impassividade da impotência
Mas a força está dentro de cada Homem, na sua  coragem
de enfrentar um novo dia , único, sempre desigual.
Na confiança em cada amigo que nos aperta com aquele abraço reconfortante e quente
No amor que sentimos por um ser diferente de todos...e que vale por todas as luzes
por todas as horas.
No viver  cada  dia de sol ou chuva com entusiasmo adolescente...

QUE O ANO DE 2023 SEJA REPLETO DE BÊNÇÃOS E VENTURAS

 

  


 



A todos os amigos e amigas endereço os meus melhores votos de um FELIZ ANO NOVO, onde se realizem todos os vossos anseios.

Obrigada pela vossa presença, companhia, carinho e delicadeza, nas palavras  tão generosas.

 

Terno e grande abraço!

 

Manuela Barroso





domingo, 11 de dezembro de 2022

XIII Interacção Fraterna de Natal

     
A convite da Amiga Rosélia, a minha participação nesta Interacção Fraterna de Natal
                                       

 


Natal!
É mistério. É magia .

É  miscelânea de sabores e sons em toadas de alegria.
É família, é paz, é harmonia.
É calor , é lareira, pinhas de pinheiros mansos à nossa beira .
É cheirinho a canela , mesa grande 
Sapatinho , chaminé e toda a fantasia.

Por isso...

Hoje escrevo de branco
como o floco de neve
que cobre com o seu manto
as palhinhas ao de leve
 
Não acordem o Menino
acabado de nascer
num cantinho pequenino
onde ninguém quis viver
 
É nesta simplicidade
que Ele  nasce sem trono
sem ouros e sem vaidade
que a beleza da humildade
é ter tudo como uma ave
ser o cântico da liberdade
não ser servo nem ser dono.
 
Foi a boa nova que trouxe
a doutrina que deixou
e como se fosse pouco
deu a vida porque amou!
 
Obrigada, meu Menino,
contigo nada mais foi igual
tão bom ser-se pequenino
Obrigada pelo teu Natal!

 ☹☹

( Mas hoje olhando a vidraça
fazem-se vultos lá fora
vozes famintas de crianças 
e minha alma triste chora.)

Manuela Barroso  

 

Queridos amigo/as


Embora o Tempo seja de profunda consternação Humana pelos Irmãos que vemos padecer e os que nem imaginamos o seu sofrimento,confesso sentir um certo pudor recordar as minhas tão alegres Festas de Natal. Mas é uma urgência recordar sempre o nascimento de Jesus porque se pela sua vinda renascemos  pelo seu Amor e Morte não morremos jamais. Assim creio.

Para todos/as, o meu fraterno abraço!








sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Lá fora


 

La fora chove o sol.
A terra pinta-se de Outono. Folhas moribundas
que ainda sorriem para a vida. Tinha esquecido.
Não sabia que os moribundos ainda podiam alegrar
as manhãs que gelam o sangue. A vidraça, uma barreira
donde os olhos contemplam a vida de um sol calmo
penetrando na alma, espalhando-se  pelos sentidos
alargando-se no jardim da minha pele.
Dentro, dádiva de vida longa, tropeçando na renda dos ossos.
A sombra desce. O sol deita-se numa horizontal plácida.
O chão dorme sentindo os beijos das folhas
e a vidraça é a porta que me liga ao mundo que me esqueceu
Eu, penetro as suas sombras nas vozes dos passos,
no tambor ruidoso que me acorda para a vida.
 
 
Manuela Barroso