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domingo, 11 de dezembro de 2022

XIII Interacção Fraterna de Natal

     
A convite da Amiga Rosélia, a minha participação nesta Interacção Fraterna de Natal
                                       

 


Natal!
É mistério. É magia .

É  miscelânea de sabores e sons em toadas de alegria.
É família, é paz, é harmonia.
É calor , é lareira, pinhas de pinheiros mansos à nossa beira .
É cheirinho a canela , mesa grande 
Sapatinho , chaminé e toda a fantasia.

Por isso...

Hoje escrevo de branco
como o floco de neve
que cobre com o seu manto
as palhinhas ao de leve
 
Não acordem o Menino
acabado de nascer
num cantinho pequenino
onde ninguém quis viver
 
É nesta simplicidade
que Ele  nasce sem trono
sem ouros e sem vaidade
que a beleza da humildade
é ter tudo como uma ave
ser o cântico da liberdade
não ser servo nem ser dono.
 
Foi a boa nova que trouxe
a doutrina que deixou
e como se fosse pouco
deu a vida porque amou!
 
Obrigada, meu Menino,
contigo nada mais foi igual
tão bom ser-se pequenino
Obrigada pelo teu Natal!

 ☹☹

( Mas hoje olhando a vidraça
fazem-se vultos lá fora
vozes famintas de crianças 
e minha alma triste chora.)

Manuela Barroso  

 

Queridos amigo/as


Embora o Tempo seja de profunda consternação Humana pelos Irmãos que vemos padecer e os que nem imaginamos o seu sofrimento,confesso sentir um certo pudor recordar as minhas tão alegres Festas de Natal. Mas é uma urgência recordar sempre o nascimento de Jesus porque se pela sua vinda renascemos  pelo seu Amor e Morte não morremos jamais. Assim creio.

Para todos/as, o meu fraterno abraço!








sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Lá fora


 

La fora chove o sol.
A terra pinta-se de Outono. Folhas moribundas
que ainda sorriem para a vida. Tinha esquecido.
Não sabia que os moribundos ainda podiam alegrar
as manhãs que gelam o sangue. A vidraça, uma barreira
donde os olhos contemplam a vida de um sol calmo
penetrando na alma, espalhando-se  pelos sentidos
alargando-se no jardim da minha pele.
Dentro, dádiva de vida longa, tropeçando na renda dos ossos.
A sombra desce. O sol deita-se numa horizontal plácida.
O chão dorme sentindo os beijos das folhas
e a vidraça é a porta que me liga ao mundo que me esqueceu
Eu, penetro as suas sombras nas vozes dos passos,
no tambor ruidoso que me acorda para a vida.
 
 
Manuela Barroso

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Donde nascem

 



 
Donde nascem esses olhos rosa
tatuados de música? De que penhascos
são feitos os instrumentos que atravessam
os desfiladeiros desafiando os voos
 
dessas notas musicais numa sinfonia azul?
De que matéria é feito o som que se 
transporta tão suavemente para esse
abismo donde não quero sair?
 
Junta todas as notas musicais  
na pauta da alma para que toque
a orquestra que os ouvidos se neguem  
esquecer. Que seja perene o arrebatamento
 
que emprenha a alma com esse canto
em uníssono e que fique escrito no teu rosto
os hieróglifos suspensos na sombra da tua
voz segredando baixinho as sombras  no
 
espelho do teu caminho. É que se soltam
notas veladas tão calmamente do peito
e num monólogo tão intenso, que os crisântemos
são o leito onde serenamente me quero silenciar,
deitando-me nas ondas, e nesta sonolência, repousar.
 
 
 
Manuela Barroso
 

 

 


segunda-feira, 7 de novembro de 2022

À Deriva sem margens

 



 

 
Estou cansada!
Já não sei nem ouso coisa nenhuma
porque cansei de depender
ter que escolher ter que dar
sem ouvir a razão o bater do coração  
de ter que repetir
cansada da publicidade das inverdades
"ratings" inflação desorganização
Banalização do amor da morte da dor da promiscuidade
do poder financeiro do poder político da corrupção
sem solução
e dar… dar… dar sem que eu queira sem perguntar
se quero se posso...
E guerra tanta guerra por tudo por nada
crianças velhinhos almas penadas
sem tudo com nada
 
Cansei!
Uf! Que cansada!  
 
E queria tanto a paz construir paz partilhar paz
Mas o ruído é tanto...que não me ouço mais!
Estou cansada muito cansada!
 
Partilhei o turbilhão
agora a procura de abrigo
para  descansar no silêncio
esta inquietação.
 

 

Manuela Barroso


 

 

 


terça-feira, 11 de outubro de 2022

Nos dias

 






Nos dias em que os rumores do vento da vida ensurdecem o pensamento, voo.
Preciso de pousar na escarpa mais íngreme da montanha
onde o remanso do azul me aproxima da Fonte.
É aqui que me purifico, sorvendo a frescura das águas límpidas
neste marulhar esvoaçante
que me acalma,
que sinto,
que não vejo:
indefinível aos sentidos.
Impotente, sem penas, choro a pena deste penar.
Limito-me a estender os olhos para que deles se soltem as asas
que limitando-me, as imagino.
E tanto me pesa esta ausência!..
Finjo que voo, que pouso naquela pedra já  lavrada de musgo seco
onde se escreve como num papiro, a minha existência.
Deduzo que mesmo sem penas
é possível forjar umas outras Asas para subir a Vida.
Porque voar, é a forma mais fácil de caminhar!


Manuela Barroso