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sábado, 14 de novembro de 2020

Abre a porta

               Duy-Huynh
Abre a porta.                                 
Ouvi -te nas grutas e em buscas dementes.
Ouvi a corrosão da tua insistência que atormenta o silêncio do meu sono e das noites que me pertencem.
Hoje trago-te a minha leveza invisível na poeira que se faz luto.
Trago-te a vingança de desatinos que o Homem volta a esquecer.
Abre a porta.
Agora é o tempo de acordar toda a Terra, cercá-la de sombras e acordar a afronta e a indignidade de usurpadores e déspotas que acorrentam vidas humanas e toda a criação, na ganância dos seus sonhos devoradores e bárbaros. Não são mais que simples sopros que se desvanecem no algodão negro das suas lucubrações efémeras.
Abre a porta.
Hoje trago a vingança dos morcegos no incêndio de noites moribundas. O meu ninho é o espaço esconso de ninguém. É o caminho deserto das sombras onde as moléculas navegam em desconhecidas constelações. Respeita-os
 
Só fecharás a porta, com a libertação da Terra e de tudo quanto nela habita.
Ela é o receptáculo que te embala, a corola que te sorri, acredita.

 
Manuela Barroso

 


domingo, 1 de novembro de 2020

Hoje

                       Da net
Hoje, não cantes a primavera que nasce nos outeiros.
Chovem outonos em mim com folhas secas pelo meio.
As rosas perderam a cor,
os lírios perderam asas
as aves perderam chuvas de penas, na pena do desamor.
O sol emudeceu a luz,
as nuvens já não cavalgam no céu.

 
Quero tréguas neste trepidar da calma
que foge, que me arrasta.
Deixa uma vez, a solidão morar comigo
na casa que construiu
nos marfins das noite sem estrelas.
 
Quero a paz da luz, a alegria da noite no refúgio
da solidão.
Quero ninhos no silêncio das alvoradas,
acordar no linho dos lençóis
despertar com  o sorriso do orvalho
na frescura das  madrugadas.
 

Manuela Barroso

 

 

 

 

 


sábado, 19 de setembro de 2020

Bem - vindos!


Depois de uma pausa procurando o afastamento  destes grilhões que aferroam corpo e alma, convido-vos hoje, a ouvir um vídeo que tentei fazer, embora com  detalhes do meu reduzido saber informático.  Mas sou  a voz e o afecto que me une a todos/as vós, queridos AMIGOS/AS.
Eis-nos de novo!




                                                                         

                                                                            "O Bosque"

                                                                                         Manuela Barroso






quarta-feira, 8 de julho de 2020

Rasgava





Rasgava a planura do oceano
como quem semeia cartas ao vento.
Escondia o gemido no agasalho frio do nevoeiro
que nunca lhe fora tão límpido.
Sorriam os olhos com a corda púrpura do poente
que nunca lhe fora tão cúmplice.  

Plantou-se na terra
e nunca esta lhe fora tão cruel.


Manuela Barroso






sábado, 20 de junho de 2020

Se me disseres



Se me disseres que te apaixonas pelas flores que
cobrem as ruas das tuas mãos ou pelo austero cântico                
que atravessa as frestas na sombra das pedras,
vibrarei com o âmago da tua  adolescência.      

Nada é tão puro e cristalino e tão levianamente azul.
Nada é tão perecível como a sonolenta caligrafia  de
um sinuoso silêncio submerso no misterioso lodo das
águas. Nada é mais belo que o sibilar das folhas,
o saltitar do chapim na lucidez da manhã.

Submersos na imaginação vadia, sorvemos o bulício
que nos suspende à moldura da vida,  como corpos
abandonados  à procura de um poente.



  Manuela Barroso