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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Grata, Poetas Livres de Florianópolis

No encontro, flores
Na chegada, um presente
Obrigada, GPLF!

Troféu Garapuvu




Cada dia que nasce renova-se com novas tonalidades.
Assim é com a claridade de hoje!

E não é pelo "escrito" que vem a seguir, nem pelo prémio, nem tão pouco  pela divulgação.
Mil vezs Não!
Mas sim, porque a nossa Eloah do blog http://alemdosfragmentos24x7.blogspot.pt/, querida amiga de há tantos anos e cuja amizade cresceu através dos nossos blogs , vai aterrar no aeroporto Sá Carneiro para nos conhecermos pessolamente, dentro de poucos dias.
É assim, uma forma simples  de lhe prestar a minha homenagem, já que este prémio foi obtido no Grupo Poético a que pertence.

E se , meus amigos/as, por vezes nos debatemos com a solidão, a fome de amizade no mundo, as incógnitas da internet ( e quantas!) , amizade virtual  (fictícia),  eis o testemunho da minha verdade: tenho encontrado amigos/as fabulosos/as.
Sendo eu  transparente  por natureza, tenho recebido os mais puros e cristalinos  reflexos nas amizades, verdadeiros diamantes que aqui tenho encontrado.
Aqui não são os "likes" que nos preenchem.
Aqui, há um desfolhar de alma que nos leva e nos deixamos ser levados pelo mesmo estado e alma.
Pelo coração.
Daí o conhecermo-nos mais , porque mais nos expomos.

Obrigada, minha querida amiga Eloah pela tua visita.
A tua sobriedade espelha-se  na belíssima poesia calma e doce que escreves  e que é o reflexo de ti.
Mas não pensei nunca que os nossos comentários fossem o preâmbulo de uma grande amizade  em que a distância e o espaço,  não têm voz.

Implícita fica a minha gratidão e  amizade a todos/as os que me  presenteiam com a vossa presença e palavras tão amáveis!
A todos muito estimo.

Beijinho!


 Prémio- 2º lugar- do Grupo de Poetas Livres de Florianópolis

Descansa aqui.
Sobrevoa o mistério da vida que percorre os interstícios das pedras.
Não te perguntes pelos ventos e as cores e as flores.
Vive nelas.
O canteiro está dentro de ti.
Não importa de onde venham as flores e as estrelas.
Não te perguntes.
Acalma o frio das perguntas olhando só para elas.

Na exaustão dos porquês, tens as respostas no êxtase do teu olhar.
Revê-te nelas.
E tu não sendo uma estrela és muito maior que elas.
Pousa depois o teu olhar no regaço do Universo
e tens toda a poesia num só verso.

E enche-te da paz que desce até ao umbral da tua porta
e deixa entrar
ela
e o luar.
Convida-a se quiseres para ficar.

Eis o belo da vida num só olhar:
a companhia das estrelas que sentadas na tua escada
vêm descendo calmamente de luz em luz,
iluminando os teus olhos
para depois tu e elas, contemplar.
E há tanto para amar!

                                             Manuela Barroso

 Grupo de Poetas Livres de Florianópolis
 2º Lugar  no 10º Concurso On-line “Alzemiro Vieira “, 2014

 Em 4 de Dezembro 2014





Para ti, Eloah, um canto de paz na alegria dos montes.
Aqui, a giesta e a urze crescem, mesmo longe da água das fontes...


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ontem



Ontem vi o teu coração nos olhos das pedras.
Pesavam no meu peito.
Ouvi sílabas de silêncios em buracos cravados
no chão, bocas abertas na noite em tentáculos
de estrelas navegando solidão.

Eras a luz escura
em tetos de alvorada
nos braços da lua.
  
Caminhei com o vento
nas ondas do teu corpo,
tão vagarosas e longas,
tão lentas e tão noturnas.

Desci as madrugadas que dormiam
no meu rosto, lençóis de bruma fria
renda orvalhada, reflexos de sol posto
nesta tarde ainda molhada.

Bebi cheiros de espuma que nasciam 
do teu corpo em impertinências famintas .

Veio o vento.

Levou o aroma
já morto.

Manuela Barroso, in Antologia Poetas Lusófonos

  

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Não esqueças




(Gerês)

Não esqueças nunca
ao debruçar-te no mar que és parte do sargaço
abandonado na areia
um fragmento do Espaço

E quando vagueares pelas searas
das estrelas que o céu tem
também elas são de ti, fazes parte do Infinito
são um cristal também

Não esqueças  nunca
que és cristal em harmonia
em eterno movimento
em contínua  mutação
composta no teu silêncio.

Neste ritmo em consonância com a música do Universo
somos cristais tão perfeitos neste declive de sombras
sendo todos um só verso

MBarroso  e TGonçalves
in” Laços”- Dueto, Edições Versbrava

domingo, 19 de abril de 2015

Partem-se...



Partem-se os corações na seiva das pedras.
Procuras  o silêncio dos bosques  quando o
silêncio mora no silêncio do peito. Procuras a
alegria no tédio da noite, quando a luz te visita
cada dia.
Alonga os teus olhos e derrama o teu olhar nas
bolsas tenras das copas das árvores, no rebentar
das águas com pressa de nascer.
Busca a tua primavera e reparte-a como pão com
a fragilidade com que te mendiga o teu irmão.
Lê no planalto a lonjura dos cometas, deixa-te perder
na vastidão do oceano azul do céu  e dorme acordado
na imagem deslumbrante da paisagem.
E sobe o monte de nuvens nas pegadas da brisa que
te levam ao esplendor do mistério dos buracos que
são negros de luz.
Espraia os sentidos pelo caminho que pisas.
Nas orlas das estrelas, espera-te o tempo que não
tens e a fome de poentes azuis.
Aproveita o tempo que te dá a tua idade.

Maravilha-te na planura da tua liberdade.

Manuela Barroso

Adenda em 21/4- Amanhã dia 22-04, pelas 21H, estarei na Hora da Poesia, nesta rádio: http://www.radiovizela.pt/





domingo, 12 de abril de 2015

Deste mudo




Deste mudo cais donde embarco
só o silêncio das amarras me prendem
aos grilhões dos porões de navios naufragados

Só consinto as tatuagens das margens
no ventre das mãos ausentes de flores orvalhadas

Desço ao coraçáo das águas
e mergulho no bálsamo verde
dos limos numa graciosa contradança
...


Manuela Barroso, in "antologia conVida", Bárbara Editora