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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fusão...

Rio Tâmega

Quero fundir-me
com a estrada branca do barco
que passeia dentro de mim!
Quero fundir-me
com o som das ondas mudas
que vêm em silêncio visitar a praia da minha pele.
Quero fundir-me
com os novelos brancos no azul
que envolve o meu espírito  nesta inquieta ausência ...
Quero fundir-me
com a  carícia da água 
que banha os meus pensamentos  em espuma, sem mágoa
Quero fundir-me
com os risos do sol
como beijos quentes de um amor de verão.
Quero fundir-me
com o verde dos meus pés nus
no deleite da erva molhada, cheirando a madrugadas!
E quero fundir-me com as flores dos catos
em pétalas de seda
desafiando incongruências!
E,
Quero a fusão do infinito visível
No invisível que mora em mim!
                   Manuela Barroso, "Eu Poético III"
                                                                                                                                                                                  

sábado, 6 de agosto de 2011

Tardes...

 Rio Minho...duas Nações


Era um azul de fim de tarde pálido cuja monotonia monocromática era cortada por pinceladas em labaredas laranja.
As andorinhas eram como vozes de crianças à solta, em danças provocadoramente arriscadas...
...Mas os olhos ficaram imóveis no rio onde se espelhava a luz que se ia despedindo do dia...
...E as árvores que contornavam o leito de paz, completavam este hino de harmonia e quietude...
Detive-me numa espécie de oração vespertina, ao contemplar belezas discretas que a fugacidade do tempo nos ajuda a ignorar...
...E, no coração do Minho, com o altar dos pinheirais que sobem os montes, o rio parou como que numa vénia perante uma espetadora rendida aos seus encantos!
Parei o tempo, sacudido por um vento norte atrevido, desnorteado pelo meu fascínio, que lhe roubava o seu protagonismo...
...E, à medida que a luz desaparecia, mais o rio pasmava nas suas águas mansas, contornadas pelas árvores, rendidas à pacatez deste espelho...
...E o rio ia escorregando, neste pedaço entre duas nações, como num êxtase de vibrações nos corações destes povos que dormem nas suas margens...
 ...É que neste recanto do mundo, a natureza ainda se funde com o amor!..
Já Vénus ia alta, acompanhada pelo quarto minguante...
...fechei a varanda desta Pousada...
... e arquivei memórias de beleza e de paz...
...na contemplação dos reflexos do Universo!..

domingo, 31 de julho de 2011

No mar


O sol celebrava a festa da tarde.
As ondas uma a uma se empurravam
com uma pressa disfarçada para chegar à areia fina
enrolando-se em cabelos
como tranças de menina!

Vi-te na onda que abraçava agora a costa
trazendo nos caracóis beijos e conchas de mar!
A areia morria com a espuma
e as ondas uma a uma
faziam dos rochedos seu par!

O olhos do horizonte confundi-os com os teus
e perdi-me na maré cheia
levada pela brisa morna...
neste vai e vem que embala.

Voltarás com os olhos da lua
no espelho do mar de prata!

Manuela Barroso, "Eu Poético III"


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Noites


As palavras deitam-se ao ritmo das horas incertas dos espaços mentais…
Os números do tempo aquietam-se no sossego e tranquilidade da noite.
Ouve-se um sussurro quente que mexe a roupa nos estendais…
...o vulto de mim, aproxima-se da janela aberta que me abraça com a noite...
O ventinho morno convida para um “tête-à- tête”, na noite cálida.
Aceito.
O som continua cavo, vindo das profundezas do horizonte que já não lobrigo.
Tudo calmo...
Só um vento mensageiro de mistérios que se escondem nas esquinas esconsas da cidade...
A roupa continua a dançar no estendal, como num bailado de fantasmas…
…E o olhar perde-se por instantes, prendendo-se ao piar pegajoso das gaivotas...
Saboreio esta mensagem de ar,  com as cerejas de Maio…
...mistura de sabores que vagueiam no cérebro, onde dormem recordações…
…E a leitura da brisa começa a saber a arrepio, a saudades nocturnas…
Olhos que se deitaram no céu, perdiam-se agora em lembranças fugidias que o inconsciente teima em avivar…
Uma espécie de “déjà vu” retira-me da janela que agora fecho com a alma dos olhos e empurro com os olhos das mãos...
Recolho o silêncio da noite e deponho-o no meu leito…
…é com ele que me deito!

Manuela Barroso

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ternuras

Colhi-te
no berço da madrugada
e banhei-te
com as cores do sol nascente!
Arredondei
os braços nus e longos,
e abracei-te
num sorriso seguro e terno!
E apertei-te
no calor sereno do meu peito!
Sentei
a ternura no meu colo,
e desfez-se
 o teu cansaço...
E colhi
todas as flores do sol
 para enfeitar o teu dia.
Deitei-te
no horizonte
e repousei
o meu silêncio
com as cores da tarde que morria!
Teci a noite
com sonhos de lua cheia
 e sonhei-te
em campos de cetim...
E... acordei
para um novo dia que nascia!


Manuela Barroso  "Eu Poético III"