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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Simplesmente flui...

Não durmas,
Vê este silêncio que repousa aqui...
Não vás,
Sente esta largura que foge de ti!
Não penses,
Sente a quietude do momento,
Abandona suavemente o pensamento...
Não fujas,
Fica na paz da tua casa
Momento de ave sem asa
Não corras,
Saboreia o doce do vento
Adormece em ti!
Não grites,
Abençoa a palavra que soltas
Dilui-a na brisa que passa...
Flui...
Simpesmente flui...
És o rio
És a vida
És o lago
És o azul
És o Infinito
Que te possui!

Manuela Barroso in "Eu Poético III"

sexta-feira, 1 de julho de 2011

TARDES MANSAS

"Paisagens Naturais" de Helena Chiarello
cacadorinfoto.blogspot.com

Os dias quentes de verão eram o repouso imposto aos corpos exaustos, castigados pelo trabalho árduo
do campo.
A sombra das laranjeiras casava-se com a folhagem oferecida da ramada, donde pendiam agora os cachos negros de verdelho e retinto e que serviam de suporte a ninhos de cerezinas que espreitavam curiosas os estranhos vultos humanos...
...Mas as tardes tinham outro encanto!
O tempo ia correndo preguiçoso entre o rio e um livro à sombra da laranjeira pingando flores intensamente brancas, intensamente perfumadas...
...e deixava  o "amor" adormecido no meio  do romance e fazia-me ao rio com um pequeno e rudimentar apetrecho de pesca...
Tardes de pura quietude!
 Deixava-me absorver pela  mansidão das águas e dos pequenos peixes em recreio, que brincavam com as libelinhas que sobrevoavam a capa das águas  que também  dormiam e onde eu me espelhava juntamente com os choupos  que emolduravam o meu corpo.
Era um cheiro a frescura, a água lavada, misturado com o lodo verde onde serpenteavam enguias e trutas esguias...
...e lançava o meu isco...e sorria...
...Os peixes, numa desconfiança atrevida, apareciam parcimoniosamente picando o anzol, com um "não te quero" ..."mas volto"...
...e davam meia volta como num bailado sem vénias!
... E... nada!
Mas era gostosamente doce e relaxante, sentir o vai-e-vem, o sossego que os barbos e bogas me transmitiam...
...e eu não queria o peixe...eu queria o prazer da tranquilidade das águas sobrevoadas pelas libelinhas , e que se agitavam em tremura, juntamente com o voo rasante das andorinhas...
...E neste relaxamento induzido pelo coaxar das rãs e o borbulhar das águas transparentes nos seixos, onde o céu azul mergulhava, transportava-me para o meu lugar seguro, onde não tinha necessidade
de defesas nem de escudos...
...Era eu própria!
Deixava-me embalar nesta onda de paz...
...olhava o Universo...
...e sentia-me à porta de minha Casa!
Corria uma maré frisante que arrepiou os meus cabelos acordando-me do torpor de pensamentos.
Mergulhei na água cristalina que me acordou...
...as folhas dos choupos dançavam dizendo adeus...
...e enfeitei os meus olhos com espelhos de água e libelinhas num entremeio de renda...
... por onde os raios de sol penetravam...
... bordando este lençol  que cobre ainda o meu berço de menina!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MAGIA DA NOITE!

Amo-te,
silêncio da noite!
quietude da noite!
solidão da noite!
Escuro peregrino
escorrendo nas pedras lavadas
em lágrimas azuis!
Amo-te,
lua
minha escrava
confidente
rainha...
Amo-te
pios nocturnos
mochos e corujas
em campanários de estrelas
E amo-te
sussurro vazio
que corres no fio da lua...
Que pare o dia
Que a noite é a rainha.!..
...E a noite vai caindo lentamente
acompanhando a quietude do pensamento
onde só a janelas dos olhos penetra...
lendo os compassos
e vicissitudes da vida
com mais paixão, mais lucidez...
...E tento penetrar nesta amálgama...
... A imaginação mergulha
e deixo-me viajar
aproveitando os ventos da solidão...
...E no canto de mim
guardo as memórias...
...E no canto de mim
florescem momentos de felicidade
que partilho em segredo
com os sabores da madrugada....
Deixo-me levar pela saudade
adormecendo nos seus braços.
Acordo na nuvem do tempo
que se desfaz
... com o pó do dia...
Vem...
oh, noite companheira
alimenta
esta magia!...

                                 Manuela Barroso  -   In "Eu poético III"




sexta-feira, 17 de junho de 2011

RASGANDO A TERRA


A terra ainda  não acordou  do seu longo pousio...
O sol aquece-lhe as entranhas preparando-a para mais um êxtase à vida....
...E Junho desperta essa sensação de plenitude, numa comunhão entre o homem e o planeta.
...E o tempo atravessa memórias escondidas neste  iceberg inconsciente onde se fecham imagens sinestésicas do tempo que foi...
Deixo fluir esta sensação estranha e distante onde se cruzam vozes do arado e cor e ritmos e cheiros a erva moída pela máquina artesanal que vai rasgando a terra com a ajuda da força hercúlea e penosa de bestas , numa batalha entre o Homem, as suas sinergias e o solo ...
O chão verde do campo anoiteceu com a terra revolvida, escurecida pelo húmus, agora  preparada como ventre de vida...
...Enquanto o sol vai queimando corpos, a luz penetra a terra , num despertar das sementes adormecidas, para mais uma festa da Natureza...
...E estalam as cores em pétalas de fogo, explodindo  o pólen num abraço sensualmente discreto...
E o tempo flui tão mansamente
Que de repente
Sou outro Junho...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ABSTRAÇÕES


                                                                          Alguém
Algures
Secretamente ausente
Presença In(discreta)
Abstrato
No timidamente agora.
Distância serena
No enigma concreto
Poético!
Sublime cântico dos sentidos
 Hinos de (e)terna sedução 
Asas suspensas em nuvens azuis
Tempos templos e códigos desiguais
Palavras estrelas
Cometas sensuais
Planetas fugidios
Em espaços quase siderais...
   
                                             Manuela Barroso