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domingo, 14 de dezembro de 2014

Num dia de Inverno


 

 
O rosto do sol refletia-se no imenso oceano de luz, liquefeita na espuma das ondas rebeldes.
Tentava pousar o pensamento, aquietando-me nesta varanda donde tudo se expandia: terra e mar, deleite e beleza, serenidade e meditação.
Contudo, algo perturbava esta paz que queria desesperadamente agarrar como se fosse o único momento de deleite da vida, nestes minutos que o sol aquecia.
Queria agarrar todas as palavras que devolvessem a minha incapacidade de comunicar toda a paixão e envolvência. Uma espécie de luta entre o Eu e o pensamento, entre o espírito e a fragilidade humana, de um cérebro pequeno demais para tão grande exacerbação.
Parava e olhava o limite do horizonte, o fulgor deste prateado aquoso e a alegria sorridente do meu sol.
E a cortina longa pendurada no vento, dançava com a música dos meus olhos e o ritmo surdo, ruidoso e atrevido das ondas longas e gigantes do mar da Ericeira
Mais um olhar e perdia-me neste vai-e-vem deliciosamente inquietante, donde me ausentava e perdia por segundos como se fosse uma miragem.
Deixei o sol, a caminho dos subúrbios do poente, enquanto a vidraça aquecia a mão fria do inverno.
Eu, fechei os meus dedos, apertando as palavras, onde também batia o coração.
Nele sentia agora também a repercussão das cintilações e do bailado do Universo.
 
Manuela Barroso
     Dez. 2014

 

domingo, 30 de novembro de 2014

Um adeus



 Imagem da net
  
 HOJE sinto as dores da partida naquelas vidraças
 turvas, engolindo os olhos daquela tarde de outono.
sinto o frio no peito e o negro da laje sombria
onde não te encontras 
escolheste  a pureza do fogo onde não passeiam
larvas no breu da terra
sinto o peso da ausência no fogo, reduzindo a pó
tudo o que tiveste 
a cinza deixará para sempre a imortalidade da tua
essência naquilo que foste. que quiseste

desceste num trago lento, algures no caminho do adeus.
fecha-se a boca do chão. ficou o nada no  vazio da tarde
em redemoinhos de folhas na dispersão da areia 

tudo se apagou

renascerão as memórias
em tudo o que se semeia

hoje sinto.


Manuela Barroso, “Eu PoéticoVI”

  



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Que caminhos...



Que caminhos são estes que se abrem
Dentro de mim sem sentir?
Que forças me arrancam do peito
Esta fome de partir?
Para onde vou?
Donde venho?
E onde pretendo chegar?
E esta luta constante
De procurar e buscar?
Porque não cais, coração,
Dentro de tão pequeno peito?
Porque saltas sem parar?
Não!
Para tal foste eleito!

Abranda a correria
Vais a tempo de chegar
Embora o tempo te fuja
Não corras! Vai devagar!
Olha que a vida é amor
Ternura, contentamento
Dá-me a mão, quero o calor!
Dá-me a paz deste momento!

 Manuela Barroso, In "Inquietudes" Edium Editores

                                                                             







sexta-feira, 18 de julho de 2014

Despe, minha alma

   
 Da Net

 Despe minha alma os farrapos da vida
Não te vale a pena chorar por ninguém
Aproveita o momento, o teu dia-a-dia
Vive o presente. É o melhor que ela tem!

Sobe, lenta, os degraus da escada
Olha o poente, vê o horizonte
Não olhes para trás, ele é feito de nada
O céu sem limite é a tua fonte

Vê esta flor que vive tão só
Mas sempre te fala com a sua beleza
Nascida do chão, do jardim ou do pó.

Acalma-te no sorriso da criança
Que cresce simples como a natureza
Para descer quando a noite avança.


Manuela Barroso, in "Inquietudes", Edium Editores-2012

domingo, 29 de junho de 2014

Repousa....Respira


Respira a alegria de te encontrares
no espelho de cada sorriso teu

As portas abrem-se em cada aurora
em alucinações de luz
Perscruta o silêncio que nasce em cada raio
que se expande no céu,
também pedaço do teu eu

E amanhece despertando os teus sentidos
no turbilhão de cores
com a voz do orvalho, em uníssono

Aperta-te como menino de ti

E não cresças ainda, por momentos... 
deixa passar o vento de cada dia
acorda depois do abraço
e num momento
ouviras a tarde já brisa
numa outra e nova melodia

                                                              

Manuela Barroso, "EU Poético VI"
Imagem: alan ayers