SEGUIDORES

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Réveillons

Existe uma maravilhosa mítica lei da natureza que as três coisas que mais desejamos na vida -- felicidade, liberdade e paz de espírito -- são sempre obtidas quando as concedemos a alguém mais. ( Peyton Conway March )


O tempo atravessa o dia, desenhando sulcos silentes de ansiedade no “réveillon” que se aproxima.
Mãos vazias acenam dedos trémulos de despedida aos dias que agora morrem, sem o grito da saudade!
E o sol morre também em cada olhar, sem a dignidade de um crepúsculo com sopros de majestade...
Eis a Morte sem Redenção na Memória gelada da Negação!
...E corre-se a cortina como portas que se fecham, interpondo-se entre a realidade vivida e a incógnita do futuro...
...E uma nova vibração faz ondular os mistérios de mais uma noite na tentativa de nos preencher numa espécie de Imensidade e Intemporalidade onde nos sentimos cada vez mais perdidos, mais sós...
...E como que num assalto, a alegria estoira numa felicidade estranha, estilhaçando cristais embriagados na imensidão desta noite comemorativa, numa histérica máscara de felicidade cinicamente emparedada num ego calado, traiçoeiro...
Acenam-se sorrisos, pisam-se angústias, cala-se a impotência...e tudo se afoga em flutes de alegria fugidia!
O corpo vai mergulhando numa exaustão calada, amordaçando solidões que se instalarão no dia seguinte, no vazio do efémero.
Ainda cambaleando de euforia, pisa-se o chão rua fora, atravessando olhos cheios de vazios inquietantes dos” sem abrigo”, que nos fixam, perguntadores e incrédulos, implorando partilhas de festas não consentidas e que eles amordaçam...
...E enquanto esmagamos a sorrir, os dias que agora se findam, tentando apagá-los, rastejamos à procura da Felicidade Futura, implorando Amor e Paz para o ano que se inicia...

...E eu... eu procurarei novas Altitudes em novas Paisagens, subindo a Montanha donde, na sua amplitude, ecoarei gritos de Esperança que cheguem ao Infinito, abraçando o Universo!
Porque a minha Felicidade está na minha Essência!
Que me preenche!
E a minha Essência é aquilo que Eu Sou!
...Uma Filha do Universo!

Feliz 2012,

Num abraço de Paz a todos os que me visitam e que amo.

Manuela Barroso

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O céu metálico...


Céu metálico- Maia
  O céu metálico sobrevoa, observando, esta floresta de cabelos humanos,
invadidos por rajadas de medos, emparedando-os na angústia do abandono
e desencanto.
Somos berlindes ansiosos, em declives verticais,
em voos  picados e  pesados de encontro ao abismo.
A solidão gela a amargura das horas com sede de vingança...
...E crepita a ânsia de liberdade pela Dignidade e Igualdade Humanas...
...uma estranha prisão com grades frias, intransponíveis,
feita de injustiças, ódios e metal...
A dignidade sufoca esta espuma de solidão, numa angústia asfixiante,
infligida por carrascos impunes que anulam sonhos e gritos de esperança...
A impunidade esmaga a esperança de justiça numa cortina opaca,
provocando arrepios de indignação...
E neste lar terreno, o espetro da loucura humana ganha contornos
de abismo tenebroso, mutilando mocidades ainda por nascer. ..
...E a dor da indignação bate surda no olhar de peitos magoados,
numa amargura incontida, que acordará nas brasas das consciências abandonadas,
feitas vulcões,  cujas crateras vomitarão
lavas incandescentes de libertação.
E das cinzas,
nascerá de novo o Amor...

Manuela Barroso

sábado, 3 de dezembro de 2011

Tempo-Espaço



Atravesso a floresta do Tempo.
E não encontro árvores nem folhas, só Vazio.
O Espaço matou as notas musicais que se despreendiam da alma.
O eco perdeu-se na imensidão do Tempo.
E volto-me para o Espaço e não me encontro...
O Tempo não deu tempo para me encontrar.
Quis sair , deixando este Espaço, fugindo ao Tempo.
E não os acompanhei na sua vertigem.Pensei parar. O Tempo fugia.
Pedi ao Tempo para ficar.
E o espaço tornou-se um vazio onde me perdi...
Esperei pelo tempo, onde as notas musicais se diluiam...
E num mundo abstrato, procurava algo concreto , palpável...Tudo se diluía no Tempo.
A realidade refletia-se agora na imaginação.
E agora o Espaço era  irreal.O Tempo, irreal.
Perdi-me de mim, das referências musicais e folhas das árvores
Perdi-me do que julgava ser o  abstrato e  o concreto...
E o Espaço ficava cada vez mais distante das memórias feitas de imaginação...feitas com imaginação...feitas de abstrações...
E vagueei pelo tempo infinito, percorrendo o espaço vazio que fica para além do tempo...
E com tempo, aprendi a conquistar espaço, espaços...
...que agora ficam cheios de Tudo
...e agora a imensidão do Universo é um Vazio Enorme, imenso de tudo, de tanto!
E de repente, uma espécie de vazio cheio de Tudo prenche o meio vazio de mim.
E encontro-me.
Agora...
Aqui...
Ah! Mistérios do Universo!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amor Incondicional


...E insinuas-te numa conversa contínua, em que não me deixas concentrar...
Bates de súbito na porta do meu peito e interrompes o meu diálogo!
Mas não te impões. Inspiras.
Não aborreces. Pedes.
Não obrigas. Insinuas.
E o meu Eu submete-se à tua força.
Entre o Ego e o Eu, tu és a verdade da vida.
Tua presença é o precipício dos egoístas e o perfume dos amantes.
E não exiges porque tu és redenção.
E não esperas porque não aceitas trocas.
E no silêncio da alma, a tua voz ecoa num murmúrio doce como um cântico de acordes celestiais só possível num Universo desconhecido!
E sinto essa espécie de som invisível, num coração que não sei se é o meu. E nele, semeias uma paz...minha eterna companhia, na companhia das minhas horas.
Se desfaleço, não peço que voltes porque já estás escondido em mim...
E a solidão transforma-se em minha confidente...
Com ela partilhava as desilusões humanas que hoje são livros de meditação e elevação, e que leio nas horas a sós contigo...
Ah! Se pensam que morri, digo que não, que cresci!
Por ti, para ti!
E transformas infortúnios e humilhação em lições de afetos, na dádiva de Amor sem condições, sem obrigação de retribuir o verbo amar.
As horas vão passando, cadenciando o tempo, e a tua presença é o sino que desperta e alegra, anunciando o verdadeiro sentido do delírio do Amor: Amor Sem Condição.
...Mas cai na humana condição, também o teu encanto, no repouso adormecido, entrelaçado com caudais de emoções descontroladas que banham o coração descompassado dos amantes, quando se abandonam em pedaços de céu, numa miragem incandescente do Divino...
E na teia da vida, imprimes caudais de sentimentos, feitos de mel, no fel da injustiça e ingratidão.
E os fardos ficam submersos na espuma da Esperança e elevam-se nas nuvens, numa ascensão meteórica, feita de graça e de paz!
E a vida pára, como que em espasmos, em êxtases de ternura!
É urgente encontrar o Amor para parar o tempo!
É urgente encontrar tempo para viver o Amor!
...Porque este é o segredo da Vida:
Encontrar coisas que façam parar o tempo, ou encontrar tempo para parar as coisas!
...e parei
...para me encontrar!


Manuela Barroso






sábado, 12 de novembro de 2011

Meditando...




Na casa do silêncio deita-se a cambraia da Paz.
E na paz do silêncio ouve-se o que não se quer ouvir.
E o coração fala, o peito aperta-se e o pensamento inquieto esgueira-se, como que empurrado pela voz calada da canção deste sino interior.
É no silêncio que se ama.
É no silêncio que as palavras encontram o eco do ruído do coração.
E no silêncio, a imaginação vagueia, transformando um punhado de terra numa gigantesca montanha. Uma inocente faísca, num clarão ensurdecedor, ou num descontrolado incêndio.
E o Silêncio é a presença que controla o carrossel das danças vibrantes da imaginação.
E ela, sem eco, cai de novo no silêncio e cansada, mergulha no berço da paz.
É no silêncio que se ouve o ruído das águas paradas.
O Silêncio é a voz que dá voz.
O Silêncio sou eu. O Silêncio é a voz que ecoa no peito da noite do meu dia.
É onde me encontro.
É onde me deito.
É onde penso, me reconforto.
É a paz dentro do bulício da minha mente.
O Silêncio é o Nada onde o Tudo pode existir.
É a passagem para o eternamente puro estado de Quietude e Iluminação.
É no silêncio que me leio, me domino, me arrependo, me ilumino.
Onde, ouço a música dos meus segredos errantes que vagabundeiam pelos meus telhados de agonia e onde marco meu encontro com a Alegria faminta da Paz e Harmonia interiores.
É o tempo que se encontra no Templo da aquietação, onde o Sossego se deita no regaço secreto e acolhedor da nossa paz interior.
É onde escuto meus desejos cansados, que se cruzam com as brumas vazias em saudades vagabundas e que dormem incógnitas nos gemidos do inconsciente.
Uma alegria com sentido, tão cara e consentida pela minha Voz!
Só.
Assim.

          
                                                                                   Manuela Barroso