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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O céu metálico...


Céu metálico- Maia
  O céu metálico sobrevoa, observando, esta floresta de cabelos humanos,
invadidos por rajadas de medos, emparedando-os na angústia do abandono
e desencanto.
Somos berlindes ansiosos, em declives verticais,
em voos  picados e  pesados de encontro ao abismo.
A solidão gela a amargura das horas com sede de vingança...
...E crepita a ânsia de liberdade pela Dignidade e Igualdade Humanas...
...uma estranha prisão com grades frias, intransponíveis,
feita de injustiças, ódios e metal...
A dignidade sufoca esta espuma de solidão, numa angústia asfixiante,
infligida por carrascos impunes que anulam sonhos e gritos de esperança...
A impunidade esmaga a esperança de justiça numa cortina opaca,
provocando arrepios de indignação...
E neste lar terreno, o espetro da loucura humana ganha contornos
de abismo tenebroso, mutilando mocidades ainda por nascer. ..
...E a dor da indignação bate surda no olhar de peitos magoados,
numa amargura incontida, que acordará nas brasas das consciências abandonadas,
feitas vulcões,  cujas crateras vomitarão
lavas incandescentes de libertação.
E das cinzas,
nascerá de novo o Amor...

Manuela Barroso

sábado, 3 de dezembro de 2011

Tempo-Espaço



Atravesso a floresta do Tempo.
E não encontro árvores nem folhas, só Vazio.
O Espaço matou as notas musicais que se despreendiam da alma.
O eco perdeu-se na imensidão do Tempo.
E volto-me para o Espaço e não me encontro...
O Tempo não deu tempo para me encontrar.
Quis sair , deixando este Espaço, fugindo ao Tempo.
E não os acompanhei na sua vertigem.Pensei parar. O Tempo fugia.
Pedi ao Tempo para ficar.
E o espaço tornou-se um vazio onde me perdi...
Esperei pelo tempo, onde as notas musicais se diluiam...
E num mundo abstrato, procurava algo concreto , palpável...Tudo se diluía no Tempo.
A realidade refletia-se agora na imaginação.
E agora o Espaço era  irreal.O Tempo, irreal.
Perdi-me de mim, das referências musicais e folhas das árvores
Perdi-me do que julgava ser o  abstrato e  o concreto...
E o Espaço ficava cada vez mais distante das memórias feitas de imaginação...feitas com imaginação...feitas de abstrações...
E vagueei pelo tempo infinito, percorrendo o espaço vazio que fica para além do tempo...
E com tempo, aprendi a conquistar espaço, espaços...
...que agora ficam cheios de Tudo
...e agora a imensidão do Universo é um Vazio Enorme, imenso de tudo, de tanto!
E de repente, uma espécie de vazio cheio de Tudo prenche o meio vazio de mim.
E encontro-me.
Agora...
Aqui...
Ah! Mistérios do Universo!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amor Incondicional


...E insinuas-te numa conversa contínua, em que não me deixas concentrar...
Bates de súbito na porta do meu peito e interrompes o meu diálogo!
Mas não te impões. Inspiras.
Não aborreces. Pedes.
Não obrigas. Insinuas.
E o meu Eu submete-se à tua força.
Entre o Ego e o Eu, tu és a verdade da vida.
Tua presença é o precipício dos egoístas e o perfume dos amantes.
E não exiges porque tu és redenção.
E não esperas porque não aceitas trocas.
E no silêncio da alma, a tua voz ecoa num murmúrio doce como um cântico de acordes celestiais só possível num Universo desconhecido!
E sinto essa espécie de som invisível, num coração que não sei se é o meu. E nele, semeias uma paz...minha eterna companhia, na companhia das minhas horas.
Se desfaleço, não peço que voltes porque já estás escondido em mim...
E a solidão transforma-se em minha confidente...
Com ela partilhava as desilusões humanas que hoje são livros de meditação e elevação, e que leio nas horas a sós contigo...
Ah! Se pensam que morri, digo que não, que cresci!
Por ti, para ti!
E transformas infortúnios e humilhação em lições de afetos, na dádiva de Amor sem condições, sem obrigação de retribuir o verbo amar.
As horas vão passando, cadenciando o tempo, e a tua presença é o sino que desperta e alegra, anunciando o verdadeiro sentido do delírio do Amor: Amor Sem Condição.
...Mas cai na humana condição, também o teu encanto, no repouso adormecido, entrelaçado com caudais de emoções descontroladas que banham o coração descompassado dos amantes, quando se abandonam em pedaços de céu, numa miragem incandescente do Divino...
E na teia da vida, imprimes caudais de sentimentos, feitos de mel, no fel da injustiça e ingratidão.
E os fardos ficam submersos na espuma da Esperança e elevam-se nas nuvens, numa ascensão meteórica, feita de graça e de paz!
E a vida pára, como que em espasmos, em êxtases de ternura!
É urgente encontrar o Amor para parar o tempo!
É urgente encontrar tempo para viver o Amor!
...Porque este é o segredo da Vida:
Encontrar coisas que façam parar o tempo, ou encontrar tempo para parar as coisas!
...e parei
...para me encontrar!


Manuela Barroso






sábado, 12 de novembro de 2011

Meditando...




Na casa do silêncio deita-se a cambraia da Paz.
E na paz do silêncio ouve-se o que não se quer ouvir.
E o coração fala, o peito aperta-se e o pensamento inquieto esgueira-se, como que empurrado pela voz calada da canção deste sino interior.
É no silêncio que se ama.
É no silêncio que as palavras encontram o eco do ruído do coração.
E no silêncio, a imaginação vagueia, transformando um punhado de terra numa gigantesca montanha. Uma inocente faísca, num clarão ensurdecedor, ou num descontrolado incêndio.
E o Silêncio é a presença que controla o carrossel das danças vibrantes da imaginação.
E ela, sem eco, cai de novo no silêncio e cansada, mergulha no berço da paz.
É no silêncio que se ouve o ruído das águas paradas.
O Silêncio é a voz que dá voz.
O Silêncio sou eu. O Silêncio é a voz que ecoa no peito da noite do meu dia.
É onde me encontro.
É onde me deito.
É onde penso, me reconforto.
É a paz dentro do bulício da minha mente.
O Silêncio é o Nada onde o Tudo pode existir.
É a passagem para o eternamente puro estado de Quietude e Iluminação.
É no silêncio que me leio, me domino, me arrependo, me ilumino.
Onde, ouço a música dos meus segredos errantes que vagabundeiam pelos meus telhados de agonia e onde marco meu encontro com a Alegria faminta da Paz e Harmonia interiores.
É o tempo que se encontra no Templo da aquietação, onde o Sossego se deita no regaço secreto e acolhedor da nossa paz interior.
É onde escuto meus desejos cansados, que se cruzam com as brumas vazias em saudades vagabundas e que dormem incógnitas nos gemidos do inconsciente.
Uma alegria com sentido, tão cara e consentida pela minha Voz!
Só.
Assim.

          
                                                                                   Manuela Barroso





sábado, 29 de outubro de 2011

Sons

Foto Anjo Azul - Abadia

Adormeço entre a folha e o tronco rugoso, numa sonolência confusa,
no rumor de uma sombra absurda e imperceptível,
que se levanta com o pensamento
do vento.
Ouço a lembrança das horas líquidas, longas e suaves,
estendidas no arvoredo da colina densa,
na saudade plangente do sino perdido na Torre imensa.
Ouço o abandono do silêncio
Vazio
na escuridão Surda da Noite,
que cresce com o abandono alheado da lua,
na cegueira das nuvens revoltas
desenhadas na Terra Nua.
Nos sons longínquos que dormem, nos fumos  crescentes
do inconsciente,
ouço Vozes  plangentes de água
que florescem em cataratas luminosas,
na penumbra silenciosa
da saudade. E o sussurro penetra o jardim
com a música das flores
em sonhos de primavera, grávidos de esperança e de Mim.
Os zumbidos das hélices de insetos
entardecem a solidão no sopro impercetível do baile suave
das borboletas.
Estranho som.
Estranha ilusão,
neste silêncio
que desce
que dorme em flores
na minha mão. No horizonte
deita-se o fim do dia,
com a canção da torre em harpas de Avé -Marias.
E as badaladas diluídas
do Sino,
são hoje as badaladas perfumadas da minha Noite.
Sinfonia do Universo tocada na catedral de Mim
como um Hino.

                                            Manuela Barroso