SEGUIDORES

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ventos de Verão


Verão. Morno.
O sol filtra-se por entre as tílias dos jardins.As pessoas passam apressadas. Correndo, sempre a correr...
Tento contrariar o passo que imprimem e começo num diálogo surdo, interrompido com o buzinar dos carros. Também eles apressados...As folhas rodopiam no chão poeirento.
Folhas que já viveram o seu tempo e caíram numa despedida de vida.Porque as suas vidas,continuarão fazendo parte do todo:Na Terra nada se perde...
Então, ouço o roçar das folhas nas árvores,obedecendo à força do vento, com uma "voz" tão intrigante que continuei a caminhar, pensando intrigada, na incapacidade de defenir tal "voz"!
Parece tão inútil, não é?

terça-feira, 20 de julho de 2010

Linguagens


Um bosque tem o seu quê de mistério.

Fiquei prisioneira de uma espécie de estado de êxtase, numa visita feita a um parque algures numas férias de verão. Um lago, uma ponte, árvores ancestrais e silêncio!Nas águas paradas espelhavam-se as folhas enormes e raízes aéreas que desciam verticais dos troncos que subiam nas margens do lago dando um ar de austeridade e respeito numa linguagem muda mas bem perceptível .O céu era recortado por uma abóbada de folhas, emprestando a este espaço um pouco de mistério e misticismo! A luz era coada por este conjunto arbóreo, reflectindo-se timidamente na água escurecida. Na ponte, encostada ao corrimão, olhei para cima tentando compreender melhor o silêncio e a linguagem que me envolvia...Aquietei o meu pensamento porque, por momentos pareceu-me perceber que as árvores também falariam a sua linguagem...E senti uma espécie de estranho arrepio que ainda não se apagou da minha memória.

Retirei-me pensativa e serenamente como quem sai de um Santuário!

sábado, 17 de julho de 2010

Entre-Mundos


Agora sinto-me assim. Dividida. Uma espécie de nostalgia que vem não sei donde nem sei como, mas que corrói lentamente este bocado de peito como um ácido que teima em querer ficar!

As paisagens da minha infância, alongam-se no tempo e fica apenas uma boneca de trapos perdida no espaço da vida.

Procuro fugir, recordando a majestade do arvoredo compacto dos meus espaços, mas as folhas largas dos plátanos transformam-se na minha mente em rochas impiedosas, compactas, duras e distantes , antes admiradas pela sua robustez granítica!

...E a imaginação vagueia...e fujo de mim própria!

Então, procuro refúgio, qual ovelha perdida, num sítio onde não seja fácil encontrar-me!

...E fico à espera que nasça um novo dia!

Boa noite!


segunda-feira, 5 de julho de 2010

NAS ONDAS


Parece que o calor vai fazer as suas férias entre nós.

Porque estará ele tão hesitante?Ora nos desidrata, ora nos refresca!Mas mesmo às vezes sendo pouco convidativo a longos passeios,dá-nos como opção o mar para pasmarmos pachorentamente, descansando os olhos no horizonte infinito, perdendo-nos na contagem das ondas caprichosamente enformadas como se fossem farófias...e rebentam na praia onde se deitam sensualmente, esperando as carícias dos acalorados ,famintos dos arrepios que elas proporcionam!

Mas nem tudo é tão azul, tão fresco, tão puro! No meio dessa mousse branca esconde- se uma garrafa de plástico (e muito mais...), que nos faz acordar do infinito e voltar à realidade!

E o que outrora fora uma forma feliz de enviar uma mensagem, tornou-se hoje numa mensagem triste dos nossos tempos!

...E voltamos a olhar o infinito,a contar as ondas e saborear o silêncio porque apesar de tudo o mar está à nossa frente e as ondas à nossa espera!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mais além


O tempo vai correndo mansamente! Ora se passeia por entre os labirintos da nossa mente,perdendo-se na imensidão do nosso cérebro, ora fica entediado pela monotonia e parte a galope atrás do corropio desta vida , qual buraco negro onde se escondem o tédio ou a vertigem...

E nesta sensibilidade temporal, o nosso estado de alma procura adaptar-se a esta dualidade...

...E pensamos no tempo como uma existência objectiva, que nos condiciona com o tic-tac do relógio , escravizando-nos! E somos os "robots" que começam a fugir do próprio tempo!

Tempo...Aqui...Agora...

E depois?!

Os olhos ficam pregados ao Infinito tentando aquietar a alma faminta numa constante convulsão

linguística : Como? Porquê?Quem sou? O que sou?...E depois?

E a voz do silêncio eleva-se no segredo do peito, os olhos lêem o silêncio da alma...e é no silêncio que encontro o caminho que me leva à paz,à quietude,à serenidade...porque mais além estará algo inatingível que fará parte de mim e por isso me completa!

Porque somos parte do Infinito!