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segunda-feira, 30 de setembro de 2024
Faz-se longe
Faz-se longe nos atoalhados de andorinhas
Que te perturba no bico alado das tuas penas
Quando voltardes trazei moradas tardias.
Com um abraço para todos/todas
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
Deambulando
É uma luz calma que vai espreitando a terra.
Um vento leste, triste e manso, carrega com ele o ar cansado do verão quente.
Tudo estiola.
O orvalho é bebido pela vida que o rodeia...
...e as folhas ficam encarquilhadas, numa contorção angustiante de sede, de sombra.
Solo ressequido e poeirento nas bermas asfaltadas das estradas.
O caminho alonga-se na medida inversa dos raios solares.
Uma pedra lavrada de musgo seco, lembra que já foi palco de vida...
...fim de estrada, fim de pó.
Nasce um córrego que foge deste talco, descendo uma delicada ravina...
...e a sombra arrasta o verde...
Cheira a água e acontece a profusão de cores, nas flores penduradas, nas ribadas.
Os meus pés soletram as lajes uma a uma, escorregadias, como granito macio, roído pelo tempo.
Os ouvidos questionam um sussurro.
A água vai rebentando das rochas num regato maroto, bordado de flores azuis! São miosótis!
Acompanho este correr cantante da água...
...meia poça, meio lago, num aconchego de margens feitas em açude, árvores inclinadas, numa saudação à Natureza...
...e mais vida acontece com a água plantada no verde das plantas aquáticas subindo...subindo à procura de luz, nas flores, nos ninhos dos rouxinóis presos na sombra do berço de folhas, nas libelinhas e no coaxar das rãs...
E todos os meus sentidos ficaram presos nesta presa e na quietude onde tudo aconteceu espontâneamente, exceto eu...
E o arrepio do vento era agora a brisa morna que acalmava ainda mais a pele das águas que tremiam só com o esvoaçar das libelinhas, neste espelho onde até o céu se mirava...
O tempo morria, porque nele me perdi...numa imensa meditação...
...e permaneci assim presa, nesta encantadora prisão...
Manuela Barroso-"Deambulações"
Imagem-Pixabay
Boas Férias, Agosto!
quarta-feira, 17 de julho de 2024
Não me perguntes
Não me perguntes, vento, porque não quero
tuas asas no planalto das águias desafiando
os penhascos.
Não quero o desafio em relâmpagos sinistros
matando a pacatez dos sonhos azuis.
Quero o poder de definir o destino da minha
liberdade sem ser a ave que contorna os teus
humores.
Não definas meus limites porque a minha meta
é o infinito na poeira do desconhecido.
Arrepia a minha pele mas não a minha alma can-
sada dos teus movimentos.
Quero as sonoridades do vazio onde tudo flui num
etéreo manto de silêncio.
Aqui me quero repousar.
Embala-me num sono mudo na intimidade da minha
casa.
Não brinques com os meus cabelos nem distraias o
meu olhar.
Deixa que seja ave de mim.
Quero ser levada à procura do palácio do meu tempo
na transparência das minhas asas.
Deixa-me só, assim.
Um Beijo para todos/as!
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Vieste
No colapso da luz
transgrediste o sinal que jazia
inerte
no crepúsculo das águas.
quarta-feira, 19 de junho de 2024
Quando
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leva-me no pólen e na cor das suas asas.
O sol que me abriga sufoca o meu desejo de renascer.
Em uníssono e num cântico cósmico,
faço parte da dança de Shiva,
confluindo na corrente harmónica do Tudo.
abraçam a calma deste lago semeado de nenúfares,
costurando reflexos de paz.
esperando o cais do repouso.
Manuela Barroso
Virei na medida do possivel. Obrigada, AMIGOS/as




