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| Vladimir Kush |
Sabes , amado,
As folhas caem e levam com elas o
sono da hibernação. É tempo do tempo de
me soltar das amarras que me prendem ao fogo da vida. Minha alma está sedenta
de adormecer no teu colo. Preciso do embalo da brisa, do aconchego das nuvens.
Tudo é tão belo mas também tão impiedoso. Na música ouço a voz a tua paz, na
linguagem das folhas amarelecidas que se acamam com o sol morno na carícia doce
do outono.
Páro.
Sinto agora que me falas no
balancear das folhas ainda aqui verdes ,
que plantaste para mim. E através delas tudo me balbucia da Unicidade de que
sou parte. E deste monólogo que só esta folha branca aceita, de novo paro e
olho através da vidraça. E sorrio: pelo sol meigo que beija os meus olhos, pela
dança das folhas que fazem sorrir a minha alma, pelo azul, tão azul com que
vestes o meu sorriso.
E decidi que hoje será mais um
dia de festa, que eu, nesta ignorância de ti, não sabia que era a surpresa que
me reservavas.
Manuela
Barroso











