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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Recordando


 Foto Pessoal

Na confinação do espaço, visitei o baú e encontrei esta recordação, imaginando lá atrás o meu campo de flores silvestres.
Bom mesmo é ter amigos e não nos sentirmos sós!



Os campos longínquos e verdes eram barcos no mar do meu pensamento.
Os olhos ausentavam-se nas encostas risonhas dos meus montes com rugas em regatos cantantes e alegres, fugindo ao encontro dos botões das giestas e aromas de rosmaninhos.
Nos cabelos atrevidos e esvoaçantes dos choupos, penduravam-se rouxinóis vestindo penas de primaveras meninas, em êxtases de cantos embriagantes, repercutindo-se em ecos nos montes de nuvens dispersas no azul sereno e transparente do Vazio celeste.
O vento indeciso, leve, era a vibração que acordava esta alegria interior, num lago de anónimas águas, num mutismo contemplativo.
Pensamentos mergulhavam de encontro aos seixos redondos em amêndoas coloridas.


Neste espelho mudo, as recordações boiavam nos ovos de bicos e penachos amarelos em jardins de Páscoa e começavam a sorrir embaladas no sono da saudade.
O canto do rouxinol ondulava nas curvas do pensamento, percorrendo agora a paisagem colorida das glicínias, numa canção enternecedora e tranquila, escrita em memórias de sinos pascais.
E como uma nuvem, deixei-me envolver nesta melodia, flutuando nas recordações que se teciam também na saudade dos meus vestidos rodados de crepe e laços de seda...


Uma imagem se criava em mim, recordando a Vida na morte do Filho do Homem.
Na cortina do tempo, abro hoje a janela, sorvendo a Páscoa do meu dia, na Paz que se faz em mim.
Em alegria. Às vezes saudades.
Assim.


Manuela Barroso-reeditado




sexta-feira, 1 de julho de 2011

TARDES MANSAS

"Paisagens Naturais" de Helena Chiarello
cacadorinfoto.blogspot.com

Os dias quentes de verão eram o repouso imposto aos corpos exaustos, castigados pelo trabalho árduo
do campo.
A sombra das laranjeiras casava-se com a folhagem oferecida da ramada, donde pendiam agora os cachos negros de verdelho e retinto e que serviam de suporte a ninhos de cerezinas que espreitavam curiosas os estranhos vultos humanos...
...Mas as tardes tinham outro encanto!
O tempo ia correndo preguiçoso entre o rio e um livro à sombra da laranjeira pingando flores intensamente brancas, intensamente perfumadas...
...e deixava  o "amor" adormecido no meio  do romance e fazia-me ao rio com um pequeno e rudimentar apetrecho de pesca...
Tardes de pura quietude!
 Deixava-me absorver pela  mansidão das águas e dos pequenos peixes em recreio, que brincavam com as libelinhas que sobrevoavam a capa das águas  que também  dormiam e onde eu me espelhava juntamente com os choupos  que emolduravam o meu corpo.
Era um cheiro a frescura, a água lavada, misturado com o lodo verde onde serpenteavam enguias e trutas esguias...
...e lançava o meu isco...e sorria...
...Os peixes, numa desconfiança atrevida, apareciam parcimoniosamente picando o anzol, com um "não te quero" ..."mas volto"...
...e davam meia volta como num bailado sem vénias!
... E... nada!
Mas era gostosamente doce e relaxante, sentir o vai-e-vem, o sossego que os barbos e bogas me transmitiam...
...e eu não queria o peixe...eu queria o prazer da tranquilidade das águas sobrevoadas pelas libelinhas , e que se agitavam em tremura, juntamente com o voo rasante das andorinhas...
...E neste relaxamento induzido pelo coaxar das rãs e o borbulhar das águas transparentes nos seixos, onde o céu azul mergulhava, transportava-me para o meu lugar seguro, onde não tinha necessidade
de defesas nem de escudos...
...Era eu própria!
Deixava-me embalar nesta onda de paz...
...olhava o Universo...
...e sentia-me à porta de minha Casa!
Corria uma maré frisante que arrepiou os meus cabelos acordando-me do torpor de pensamentos.
Mergulhei na água cristalina que me acordou...
...as folhas dos choupos dançavam dizendo adeus...
...e enfeitei os meus olhos com espelhos de água e libelinhas num entremeio de renda...
... por onde os raios de sol penetravam...
... bordando este lençol  que cobre ainda o meu berço de menina!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

RASGANDO A TERRA


A terra ainda  não acordou  do seu longo pousio...
O sol aquece-lhe as entranhas preparando-a para mais um êxtase à vida....
...E Junho desperta essa sensação de plenitude, numa comunhão entre o homem e o planeta.
...E o tempo atravessa memórias escondidas neste  iceberg inconsciente onde se fecham imagens sinestésicas do tempo que foi...
Deixo fluir esta sensação estranha e distante onde se cruzam vozes do arado e cor e ritmos e cheiros a erva moída pela máquina artesanal que vai rasgando a terra com a ajuda da força hercúlea e penosa de bestas , numa batalha entre o Homem, as suas sinergias e o solo ...
O chão verde do campo anoiteceu com a terra revolvida, escurecida pelo húmus, agora  preparada como ventre de vida...
...Enquanto o sol vai queimando corpos, a luz penetra a terra , num despertar das sementes adormecidas, para mais uma festa da Natureza...
...E estalam as cores em pétalas de fogo, explodindo  o pólen num abraço sensualmente discreto...
E o tempo flui tão mansamente
Que de repente
Sou outro Junho...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

AGORA, Primavera


É impossível não ficar rendida à Primavera!

Ela é o encontro de todos os perfumes, explosão de cores, sinfonia de piscos e merlos, e a barulhenta bateria dos pardais!

Todos eles disputam o território e a eleita que há-de ser só SUA!Todos queremos TER!

Ontem como hoje, a mesma luta.

Mas hoje já não ouço o cantar da poupa tão feminina, o cuco malandro,e os gaios atrevidos.


Mas sinto o cheiro do meu enorme roseiral de tantas cores, reflectindo a cor do Criador!

E se a vida dorme na cama das recordações, deixem -me embalar e adormecer Agora na magia da Saudade!