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domingo, 14 de janeiro de 2018

Na Planície



 Na planície verde dos sonhos,
as águas correm
com a placidez dos dias esquecidos.

É a única voz que perfuma o pão desta fome de silêncio

Contorno as margens dos sapais e colho hastes de alegria
no bailado leve das ervas.
Prendo-me ao chão, escutando as súplicas das rãs
no murmúrio da linguagem
que salta da pele plana
e quieta dos charcos.
Sigo o vaguear inquieto das libélulas
arrastando consigo
o sono dos nenúfares

Quero vingar-me deste lugar abrigado da noite 
que me oculta a dança suave dos reflexos dos olhos da lua,
sacudir este sal que fulmina os sabores das manhãs quentes e quietas
e agonizar com a felicidade do declínio das tarde limpas
com lumes no horizonte.

Regressarei ao meu vale azul
e pernoitarei com  as asas das estrelas.


Manuela Barroso, "Eu Poético"

9 comentários:

Ailime disse...

Boa tarde Manuela,
Um poema lindíssimo que fala da sedução das planícies que tanto dizem ao meu coração.
Muito obrigada pela sua visita e comentário no canto meu.
Beijinhos e bom domingo.
Ailime

Roselia Bezerra disse...

Ola, querida amiga Manuela!
O desejo decregressar deve se dar pela beleza do lugar e pela paz interior...
Seja feliz e abençoada!
Bjm de paz e bem

Mar Arável disse...

Por vezes é assim
sequestrados no paraíso

Elvira Carvalho disse...

Um belíssimo poema, Amiga.
Um abraço e boa semana

Graça Pires disse...

Belíssimo poema! Uma dança na planície, esperando subir à montanha para tocar as estrelas do céu...
Uma boa semana, Manuela.
Um beijo.

Majo Dutra disse...

Querida Manuela.
Este belíssimo poema que nos fala de sonhos e quimeras
é encantador.
Gosto muito de te ler.
Melhoras...
Beijinhos
~~~~

A Nossa Travessa disse...

Querida Manuela

Magnífico poema.

Lamento dizer-te que este é o último comentário que aqui faço. Qual o motivo? Venho aqui e comento amiúde; pelo contrário tu não me fazes o esmo. Porquê? Ofendi-te? Insultei-te? Agredi-te? Teho a certeza de que não.

Qjs do

Henrique, o Leãozão

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Porque tu mereces quero explicar-te o motivo desta minha grande ausência: ao cabo de uma longa desgraçada malditas doenças que penso que as já conheces mas resumo, um cancro na próstata do meu irmão Braz que vem-se arrastando dolorosamente desde há um ano e meio; a doença pulmões-fígado da minha cunhada Lena que vive nos Açores e vem decorrendo há onze meses e outras, coube-me agora a mim. Fui internado no Hospital de Santa Maria com uma pneumonia agravada por vírus ou bactéria que andam por aí. Estive lá onze dias até me darem alta. Sublinho que fui tratado nas palminhas por médicas e médicos, enfermeiras e enfermeiros e auxiliares, com profissionalismo, simpatia e até carinho. Se alguém me disser mal do SNS vou-lhe às trombas!

Manuel Veiga disse...

pressente-se o fogo e os ventos
agitar o verbo contido no corpo do poema
e a doce amargura do "sono dos nenúfares"
e sal tão desperto a acicatar "as tardes límpidas"

muito belo, Manuela

beijo

Kasioles disse...

Contemplando ese maravilloso paisaje, los sueños parecen tener alas y se elevan hasta tocar las estrellas.
Me ha gustado mucho tu poema.
Cariños y buena semana.
kasioles