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domingo, 7 de maio de 2017

Mãe!








Já não revolves as tuas fotografias, mãe!
As pernas cansadas dos teus 100 e meio 
são o martírio do teu caminhar.
E perdes-te no tempo de menina que ainda
mora em ti.
Dos teus olhos molhados já não vertem lágri-
mas porque a saudade secou as águas onde
agora navegam as tuas recordações. O tempo
foge-me mãe, mas para ti parou no relógio da
tua juventude.
És rodeada de todo e tanto amor mas o aroma
das tuas rosas chama por ti. E paras recordando
a bênção de pétalas que caiam nas cadeiras de
lona onde combinávamos o jantar!
O paradoxo do amor leva-nos para onde tu estás
mesmo caindo com a neve que nos cobre!
E tu ficas longe, pensando nas cercanias do teu
jardim outrora tão florido.
Ai maio, rosas de maio pingando sulfate caído
das videiras!
Ai centeio dos nossos campos semeado de tocas
de  grilos abandonando-se no bailado dos cantares
de grilos  à tardinha!
Eu sei que tudo isso te acompanha, mãe!
Mas , ouve, mãe vai ser já noite também para mim.
Antes que vá, senta-me ao colo de um sorriso teu e
diz que me amas.
Sem ti é já noite.
E eu só quero ver uma estrela: tu, MÃE!



Manuela Barroso, Maio de 2017