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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Onde ficas?


Onde ficas com laços desfeitos
do tempo cansado?
Onde ficas nas palavras incertas
que cedo morreram?
Onde ficas nos desejos cumpridos
da curvas da noite?
Onde ficas nos olhos perdidos 
na noite do peito?
Onde ficas quando os lábios secaram
a espuma dos dias?
Onde ficas quando os braços te procuram 
no canto vazio?
Onde ficas quando as palavras se perdem
no desejo que morreu?

Ficarei à tua espera
Num sono meio acordada
És o tronco, sou a hera
Sou filha da madrugada!

Manuela Barroso, "Inquietudes", Edium Editores




segunda-feira, 24 de abril de 2017

Pátria-25 de Abril


Sonhei com a minha Pátria
beijada pelas águas salgadas
regada com o doce dos rios
decorada com o mel dos montes

Sonhei com a minha Pátria
derradeira planície, único vale
na fartura de trigo e centeio
ausente da fome que vagueia pelo meio

Sonhei com a minha Pátria
recanto de paz e de calma
foz de irmãos, parte da mesma alma

Hoje, divide-se a Pátria
alma da mesma mãe
uns têm tudo, outros nada têm.


Manuela Barroso



25 de Abril



domingo, 16 de abril de 2017

Páscoa Feliz





Se a Tua existência não sensibilizou o coração dos Homens
Que a Tua morte os desperte para o mistério da Vida.


Manuela Barroso
Páscoa de 2017








Tempo de Páscoa!
O azul do céu, parece mais límpido, transparente e tranquilizador.
Há um misto de serenidade e inquietude.
A Natureza associa-se ao Tempo, com uma certa inconstância:ora está a acordar duma longa hibernação, numa espécie de preguiça ,ora acorda irritadiça alagando as várzeas e fazendo tremer os salgueirais.
Mas também convida,assim, e quem sabe, de propósito, ao recolhimento de um passado que Agora ainda se recorda: A Morte de Jesus numa tosca cruz.
Mas a saudade vem quando, depois de comemorar a ressurreição, o Compasso visitava a minha casa, acompanhado de um tilintar de uma alegre campaínha! E lá vinha uma coroa
de flores pequeninas brancas e rosas, suaves...envolvendo o tal Jesus numa cruz menos grotesca!
E a saudade voltou ao meu peito!
Boa Páscoa, menina...

FELIZ PÁSCOA!



sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ele






Algumas coisas são explicadas pela ciência, outras pela fé. A Páscoa ou Pessach é mais do que uma data, é mais do que ciência, é mais que fé, Páscoa é amor.

Albert Einstein



 "Ser incréu custa muito! É dia de Páscoa. O gosto que eu teria de beijar também o Senhor, se acreditasse! Assim, olho a fé dos outros em aleluia, e fico nesta tristeza agnóstica que faz da vida uma agónica aventura sem esperança de ressurreição." 
(Miguel Torga, Diário XIII. Texto escrito em 15 de Abril de 1979)


domingo, 9 de abril de 2017

Sopra...




Sopra agudo
um vento de leste.
Saltam as agulhas acesas
dos pinheiros mansos
costurando a música dos pardais e das gaivotas.
Correm cordeiros no mar ,
na lã branca de espuma.

No convés  da erva orvalhada,
foguetes de pegas azuis,
coloridas,
alegres,  
sadias.

Atormentam-se as nuvens.

Algures,
o porão da inconsciência dos homens,
cospe foguetes de gás
fundindo-se
com os escombros  acesos do silêncio.
Pétalas
caem nos braços exauridos,
já murchas,
sem cor,
sem espaço,
sem vida.

Onde já não existem pegas azuis.


Manuela Barroso









terça-feira, 4 de abril de 2017

Alepo- Nova Postagem


Tendo já dado a conhecer este projecto,  aquando do lançamento do Livro "Cinco Lágrimas por Alepo"  e porque tem sido um êxito, vamos de novo a recordar o acontecimento, desta vez impulsionada com a participação da nossa Majo Dutra, que  desta forma contribui- e de que forma -para a divulgação do mesmo projecto.
Lembro que o mesmo já aconteceu antes, com as nossas amigas Olinda Sol, através do seu blog "Xaile de seda", e Elvira Santos no seu Blog "A mulher e a poesia".

Como um rio que forma desde a nascente, assim aconteceu esta corrente de solidariedade com António Gaspar,- Contista e Poeta- e a querida amiga Conceição Lima , grande divulgadora dos nossos poetas na sua tão conhecida "Hora da Poesia", na Radio Vizela, todas as quartas-feiras às 21h .
As Crianças de Alepo, agradecem.

...E cada um, seremos MUITOS !


                                             LIVRO A FAVOR DAS CRIANÇAS DE ALEPO

                                                               ATRAVÉS DA UNICEF                 
                                                       ( Colaboração de vários autores)


Todo o produto deste livro é entregue à Dra Madalena Marçal Grilo, Presidente da Unicef  a favor das crianças de Alepo. E SÓ. Quem estiver interessado em obter o livro deixem o pedido nos comentários , por favor


 COMO ADQUIRIR O LIVRO

Dados para compra do livro “Cinco Lágrimas por Alepo” e envio por correio

a) Valor a transferir €13 (custo do livro €10 + correio €3)
b) Fazer a transferência para IBAN: PT50 0269 0346 00206260932 04;
c) Enviar-me o comprovativo por correio electrónico (agc@dep.uminho.pt) ou por mensagem, indicando o titular da conta de onde foi pago
d) Enviar a morada completa para envio por e-mail ou mensagem.
Obrigado.


Agora, a Nota Inicial de Conceição Lima que juntamente com António Gaspar, foram os criadores e impulsionadores deste projecto:



Algumas das poesias e respectivos autores que fizeram parte deste projeto:


NOTA: Desde já, as minhas desculpas aos autores, por divulgar as poesias através de fotografia mas é o possível neste momento.





 Como a gota que cai no lago, os nossos actos repercutem-se em harmonia quântica por todo o Universo.
E o mundo será melhor.



sábado, 1 de abril de 2017

São cordas...


 Jacek Yerka

São  cordas de violino as agulhas dos pinheiros.
Chorando,
são ecos de vozes 
tateando as fímbrias dos montes.
   .
A luz coa a acidez das 
sombras  no fogo das  resinas,
definhando os nervos da terra
que geme no refúgio das grutas .
Aí cantam os morcegos
na felicidade da cortina das teias.
 
Ninguém escutará a voz
encostada aos olhos das nascentes;
só o rosto do granito erguido
no moinho solitário do vale.

Amanhece. 
Uma chuva de sol
se espalha em delírio no orvalho das toupeiras
que rasgam a terra
em lábios verdes e floridos .

O pólen desce do campanário.

Mergulhando no chão,
outras flores virão,
fazendo dele um santuário.

 Manuela Barroso