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domingo, 12 de novembro de 2017

Adormeço

Vladimir Kush


Adormeço entre a folha e o tronco rugoso, 
numa sonolência confusa
onde o rumor de uma sombra absurda e imperceptível,
se levanta com o pensamento do vento.

Ouço a lembrança das horas líquidas, suaves e longas ,
estendidas no arvoredo da colina densa,
na saudade plangente do sino perdido na Torre imensa.
Ouço o abandono do silêncio vazio
na escuridão surda da Noite
que cresce com o abandono alheado da lua,
na cegueira das nuvens revoltas
desenhadas na terra nua.
Ouço os sons longínquos que dormem,
nos fumos  crescentes do inconsciente.
Ouço vozes  plangentes de água
que florescem em cataratas luminosas,
na penumbra silenciosa da saudade.

E o sussurro penetra o jardim
com a música das flores
em sonhos de primavera,
 grávidos de esperança e de mim.

Os zumbidos das hélices de insetos
entardecem a solidão no sopro impercetível
do baile suave das borboletas.
Estranho som neste silêncio,
estranha ilusão
que desce
que dorme em flores
na minha mão.

No horizonte deita-se o fim do dia,
com a canção da torre, morna saudação a Maria.
As badaladas diluídas do sino,
são hoje as recordações perfumadas da minha noite.
Sinfonia do Universo

 tocada na catedral de mim, como um Hino.

 Manuela Barroso , 2011



9 comentários:

Olinda Melo disse...


Olá, Manuela

Sinto neste belo poema uma sincronização perfeita com o Universo, ouvindo-se todos os sons, o silêncio, o perfume que inebria a noite. É um Hino à beleza da Criação e bem haja quem consegue traduzir em palavras tanta maravilha.
Parabéns, minha Amiga.

Bj

Olinda

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida amiga Manuela!
Achei versos que me disseram muito:

Ouço o abandono do silêncio vazio
na escuridão surda da Noite...

Todo poema seu é belo!
Seja muito feliz e abençoada!
Bjm de paz e bem

Manuel Veiga disse...

poema policromático e muito belo, como se todas as cores, cheiros e sons da Natureza livremente se organizassem no corpo Poema, em celebração (pagã ?) da dádiva da vida.

e a Poeta, nesse Cântico Universal de louvor à vida e na magia da palavra poética, fosse, não apenas sacerdotisa, mas também Templo de absoluta Beleza na comunhão de todos os elementos da criação artística.

gostei muito, absolutamente.

beijo, minha amiga

Graça Pires disse...

Ouço as palavras e os silêncios do teu poema, intenso e belo. Um hino à Natureza e à tua união com ela, à tua comunhão com o Universo.
Uma boa semana, minha Amiga.
Um beijo.

Mar Arável disse...

Um belo casamento
em comunhão de bens
Bj

Teresa Almeida disse...

Manuela, a natureza respira no teu poema. E a harmonia é tão intensa que se sente o teu palpitar, como se dela fosses essência e a poesia pulsão universal.

Beijinhos, amiga.

Maria Rodrigues disse...

Uma sinfonia de sensibilidade e encanto num hino feito de poesia.
Simplesmente maravilhoso!!!
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Elvira Carvalho disse...

Um hino de amor pela natureza, uma introspecção dos próprios sentimentos.
Um abraço

Jaime Portela disse...

Mais um excelente poema.
Gostei muito, parabéns.
E mais não digo dada a minha incapacidade para comentar poesia.
Continuação de boa semana, amiga Manuela.
Beijo.