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sábado, 12 de agosto de 2017

Quando


 christian shole
 Quando eu for um sonho de flores transparentes
no cais da minha madrugada,
arrasta-me na sombra das tuas águas
para um porto florido
no infinito das minhas noites.

Quero ser o vitral que emoldura
os meus tédios,
na verticalidade das suas misteriosas cores,
transportando o seu estranho vulto,
numa consciência ausente
onde murcham os jardins,
como uma floresta de silêncios.
E abrir-se-á uma porta por onde entram brisas
que se escondem de mim,
perfumando o salão da minha alma,
como grinaldas de primavera;
entoarão alegrias orvalhadas,
num cortejo de violinos,
tecido pelos teus dedos.
E o teu vulto circunspeto,
distante,
amorfo
e frio,
permanece imóvel,
em lábios húmidos
que procuram a sedução
no silêncio das horas da tarde,
que vão descendo em cortejo luminoso,
de inquietantes intensidades de entardeceres.

Serei para sempre
o pórtico de uma metáfora,
escrita no inconsciente de uma alma,
sedenta de sorrisos de estrelas,
em cortinados de tédios,
no claustro da minha noite.

Assomarei  no nevoeiro incógnito,
atravessando o cetim das tardes,
com sabor a noite,
na saudade do infinito!

Manuela Barroso, in “Inquietudes”, 2012-Edium Editores




8 comentários:

Gracita disse...

Em metáforas belíssimas a ambiguidade dos desejos
Que poema lindo minha comadre. Gosto deste fascínio que mostra e se esconde provocando no leitor um encantamento ímpar
Um maravilhoso final de semana
Beijos e carinhos

Emília Pinto disse...

Há saudades que pesam, que doem tanto que nos perguntamos, até quando?. Não sabemos responder, amiga! Os quandos..os porquês, os quantos, os ses são complexos e a nossa pequenez é incapaz de os decifrar; só a vida sabe e entende e a nós resta aceitarmos, seguindo em frente enquanto ela o permitir. Nestas noite de Verão há estrelas que parecem sorrir, mas por mais que as olhemos a nossa alma só vê o breu da noite e assim será quando amanhecer e quando de novo a noite cair; dia após dia, mesmos com os jardins floridos e o sol brilhando a saudade será imensa, dolorida e por muito tempo tudo terá um " sabor a noite ". Ainda não sei o quanto dói esta saudade, esta sensação de vazio extremo, mas imagino-o e o peito aperta e a alma se inquieta. Neste quando, querida Manuela, deixas transparecer a tristeza que têm sido os teus dias, trsteza que entendo e que, sei, demorará a transformar-se numa simples saudade nostálgica., mas... a vida dá e tira e a nós só nos cabe vivê-la da melhor maneira possivel. Sou pequena demais para te ajudar, mas sou amiga o bastante para me solidarizar com a tua dor e deixar-te um forte abraço carregadinho de carinho .
Emilia

Emília Pinto disse...

Há saudades que pesam, que doem tanto que nos perguntamos, até quando?. Não sabemos responder, amiga! Os quandos..os porquês, os quantos, os ses são complexos e a nossa pequenez é incapaz de os decifrar; só a vida sabe e entende e a nós resta aceitarmos, seguindo em frente enquanto ela o permitir. Nestas noite de Verão há estrelas que parecem sorrir, mas por mais que as olhemos a nossa alma só vê o breu da noite e assim será quando amanhecer e quando de novo a noite cair; dia após dia, mesmos com os jardins floridos e o sol brilhando a saudade será imensa, dolorida e por muito tempo tudo terá um " sabor a noite ". Ainda não sei o quanto dói esta saudade, esta sensação de vazio extremo, mas imagino-o e o peito aperta e a alma se inquieta. Neste quando, querida Manuela, deixas transparecer a tristeza que têm sido os teus dias, trsteza que entendo e que, sei, demorará a transformar-se numa simples saudade nostálgica., mas... a vida dá e tira e a nós só nos cabe vivê-la da melhor maneira possivel. Sou pequena demais para te ajudar, mas sou amiga o bastante para me solidarizar com a tua dor e deixar-te um forte abraço carregadinho de carinho .
Emilia

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, lindo poema a revelar a saudade permanente, ao longos dos anos, a vida premeia-nos com coisas marcantes que ficam para sempre no nosso interior.
Bom domingo e semana,
AG

Toninho disse...

Olá Manuela, que lindeza de poema revestido de uma elegância fantástica que faz dos entardeceres inquietos momentos mágicos, que faz poesia de rara beleza.
"O pórtico de uma metáfora, escrita na inconsciência da alma..." que show de criatividade e figura.
Aplausos poetisa querida Manuela.
Uma semana maravilhosa para você.
Bjs de paz amiga.

Majo Dutra Rosado disse...

~~
Belíssimo, querida Manuela, belíssimo!
Abraço grande.
~~~~

Graça Pires disse...

Um poema muito intenso com o infinito da noite como o pressentimento de uma "orfandade" interior que as palavras convocam...
Muito belo, minha Amiga.
Uma boa semana.
Um beijo.

Olinda Melo disse...


Um poema que nos leva em viagem aos intrincados sentimentos da nossa alma. Vejo aí uma brecha, uma esperança, o desejo de que uma porta se abra trazendo brisas encantadas para refrigério e embelezamento nos momentos de maior tristeza e descrença.

Muito obrigada, cara Manuela. É sempre um prazer lê-la.

Bj

Olinda