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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Acompanhaste


Acompanhaste, amado, os passos peregrinos
à procura de nada?corri veredas entre muros,
estalando nos contrafortes de musgo sepultado
nos anos, morrendo de tempo. penetrei nos
córregos entre o silvado procurando as amoras
da vida. só encontrei sal nos picos dos valados
íngremes, escorregadios. atravessei a simplicidade
do monte e dormi na clareira roxa de violetas.

no êxtase do perfume, sentei o pensamento
no joelho das pedras e adormeci no regaço
do tempo. não havia mundo, só o aroma roxo
era a plenitude na fugacidade da existência.
não havia ruído. o aroma roxo era agora a
música dos sentidos. a luz  era o segredo
roxo nas  violetas dos teus olhos, amado,
 preenchendo a fome da cor.

 e tudo ficou mais negro com esta humanidade
descolorida, sem norte. amor

orfã de mim, procuro o tempo que  existe no vazio.
só ele preenche a minha sede neste mundo egoísta,  frio.

Manuela Barroso, “ Eu Poético”


13 comentários:

Majo Dutra Rosado disse...

É um poema algo nostálgico, mas fascinante, exímia poetisa.
Desejo-lhe que tudo lhe esteja a correr melhor, querida Amiga e um fim de Verão muito aprazível.
~~~ Beijinhos ~~~

Graça Pires disse...

Talvez o roxo das violetas se torne cúmplice da sede que sentes e possas olhar a tua sombra sem que te sintas órfã de ti mesma.
Um poema, maravilhoso, Manuela!
Uma boa semana.
Um beijo.

Maria Rodrigues disse...

Um poema tão belo que toca o nosso coração.
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Agostinho disse...

Os líquenes esperam sequiosos
a chuva que virá e sepultarão
inexoravelmente
as pedras da incompreensão.

Gostei, Manuela.

© Piedade Araújo Sol disse...

Manela

este poema impregnado de nostalgia fez-me lembrar um que escrevi faz muitos anos e que curiosamente, fala de todos estes caminhos (da vida) ou não.

embora melancólico eu gostei deste poema.

beijinhos

:)

Emília Pinto disse...

Acompanhou-te com certeza aquele " amado " e com certeza tantos outros que amas e que te amam, nos teus " passos pergrinos " à procura de respostas às tuas inquietudes, inquietudes que também são minhas e de tantas outras pessoas que te leem e se reveem neste teu poema. Corremos " veredas ", nos silvados procuramos " as amoras da vida ", sentamos nos joelhos das pedras, mas o resultado foi " nada ", foi um vazio, foi uma tremenda decepção; a humanidade continua descolorida, sem " norte ", completamente perdida e nós, querida amiga, continuamos " com sede neste mundo egoísta, frio. Mas não vamos desistir....a busca deve continuar. E quem sabe, um dia o coração do homem não mudará? Esperemos, Manela! Beijinhos e que a tua serenidade aos poucos vá aumentando.
,Emilia

Jaime Portela disse...

Sem norte, tudo é mais complicado...
Um excelente poema.
Como é teu hábito, de resto.
Bom fim de semana, amiga Manuela.
Beijo.

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Maravilhoso poema!
Os meus parabéns estimada Manuela!
Bom fim de semana.

Profª Lourdes disse...

Linda poesia, amei seu poetar, escreve maravilhosamente bem. Seguindo amiga! Bjuss

Maria Rodrigues disse...

Manuela, passei para desejar uma Boa semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Jaime Portela disse...

E o mundo está cada vez mais egoísta, na verdade.
Excelente poema, gostei imenso.
Bom fim de semana, querida amiga Manuela.
Beijo.

Ana Freire disse...

Nostálgico... belo... e tocante!...
Maravilhoso trabalho, Manuela... ao qual é impossível ficar indiferente!
Ficarei com umas palavrinhas do mesmo, debaixo de olho, para qualquer dia as destacar com um link para aqui, se não se importar...
Um beijinho grande! Esperando que tudo esteja bem, aí desse lado!...
Ana

Teresa Almeida disse...

Um poema que nos transcende.
Todo ele aroma, cor e ansiedade.
Bem conseguido, minha amiga!
Beijinho.