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domingo, 8 de maio de 2016

É dia




 Kamil Vojnar


É dia.
O jardim anoiteceu  e com ele as gotas
nas nervuras dos meus olhos.
Ilhas de bancos numa solidão invisível.
Pousam cintilações
nas asas noturnas de merlos amarelos.
Uma seda de ginjeira voa,
tece-se em arabescos e conchas de danças.
No ventre das tábuas solitárias
sentam-se memórias no abandono do silêncio.


Manuela Barroso



11 comentários:

Mar Arável disse...

Penso azul

em todas as estações

Bj

Elvira Carvalho disse...

Tão belo e tão intenso.
Abraço e um dia feliz

Olinda Melo disse...


Bom dia, Cara Manuela

A solidão é algo palpável e nem sempre lhe prestamos atenção, acabando por se tornar invisível aos olhos de quem passa por esta vida sem dar importância ao seu semelhante.

Um belo poema. Obrigada.

Bj

Olinda

Emília Pinto disse...

" É dia ", dia chuvoso , cinzento que convida àquele silêncio tão necessário para que " as memórias " nos cheguem e as possamos absorver, deliciados e sorridentes com algumas, tristes e pesarosos com outras que depressa tentamos que se afastem. Sentamo-nos poucas vezes " nas tábuas solitárias" , porque o tal do tempo não nos deixa tempo para isso ou então seremos nós que não sabemos gerir esse tempo de modo a que possamos ficar uns minutos de silêncio, minutos importantes para a serinade da nossa alma e também para que não deixemos morrer aquele passado que nos fez bem, aquelas pessoa que não merecem ser esquecidas, aqueles momentos preciosos da nossa infância que fazem o nosso dia luminoso quando recordados. Nao devemos ficar presos ao passado, mas ele é o responsável pelo que somos hoje e, além disso , como é bom voltar a ele e reviver momentos inesqueciveis, Manuela por isso é dia hoje e deve ser também amanhã e repois e eepois... .Deixemos vir até nós as memórias neste silêncio que se faz urgente, pelo menos durante uns minutinhos deste nosso tempo que se apressa e corre cada vez mais
Que seja para ti um dia de boas memórias, hoje e em todos os que a vida te conceder. Nunca tenho palavras para classificar a beleza da tua poesia, mas tenho uma sempre pronta e que diz muito sobre o que penso. Muito, muito obrigada pelo belo momento poético. Beijinhos, amiga.
Emilia

rosa-branca disse...

Deliciosamente belo. Adorei. Boa semana e beijos com carinho

© Piedade Araújo Sol disse...

a melancolia com nuances de cores e cantos dos melros, e ainda a dança da natureza.
o silêncio em nossos corações.
a delicadeza das palavras feitas seda.
a ternura aliada à nostalgia.
muito belo!
:)

Toninho disse...

Uma imagem linda inspiradora.
Anjos que povoam nossas memorias.
Um belo poema para as coisas do coração.

Abraços amiga.
Bom fim de semana com paz.

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Manuela
Neste poema teceu arabescos feitos de palavras para decorar a solidão, que assim, perderá força, decerto. Quem tem a escrita por companhia - há quem a chame de "amante fiel" - não está só ;)

um bj amg

Maria Rodrigues disse...

A solidão e as memórias andam muitas vezes de mãos dadas.
Maravilhoso poema.
Beijinhos
Maria

Odete Ferreira disse...

Saboreei este teu "Dia" introspectivo.
Relevo os dois últimos versos.
Muito bom, amiga!
Bjo :)

Ana Freire disse...

Só a solidão... consegue anoitecer os dias... em pleno dia... esmorecer as cores da vida... e apagar os jardins, dos nossos caminhos...
Nostálgico... mas um poema, muito belo, e tocante, Manuela!
Beijinhos!
Ana