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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Longe





Sabes, tudo fica longe demais!

O Espaço cresceu no Tempo com sede de todas as horas
Cruzam-se os ponteiros das árvores
com as asas das gaivotas ralhando com as marés
E o tempo das marés cola-se ao horizonte do Tempo
num espaço que só tem cor
É a cor de um tempo que morre nos lábios do mar
cercados de espaço

E tudo fica tão longe!

Lampejos longínquos visitam o tempo da noite
abandonando-se nos círculos do Tempo
em naufrágios de agonia
Rasga-se o véu da saudade de tão longa noite
que já foi dia.
Dói
porque fica longe
longe demais

Mas o tempo percorre o sal do rosto regado
com açúcares de alegria e torres brancas
no sorriso das ameias
sobranceiras à aldeia
Um espaço onde ecoam passos lassos
dos corpos sem memória
porque sabes,
tudo fica longe demais!

No precipício do Espaço [sem fronteiras] descem as vertigens 
em corvos de negro, no espaço das escarpas
que se vertem até ao abandono do leito
É íngreme e fica longe
E sem tempo de subir
Tudo é longo
Tudo fica muito longe,
longe demais!

Manuela Barroso, In “Laços” Versbrava


23 comentários:

Jaime Portela disse...

Um poema impressionante.
Li e reli, porque me encantou.
Parabéns pela excelência do poema.
Bom fim de semana, querida amiga Manuela.
Beijo.

Elvira Carvalho disse...

Um poema muito bonito. Um tanto triste, mas bonito.
Um abraço e bom Domingo

AC disse...

Gostei deveras do poema, que denota uma enorme abrangência.
Parabéns, Manuela!

Toninho disse...

Há tristeza e certa melancolia do que se parece inatingível.
Há uma beleza de jogo de palavras que criam uma sonoridade, da
dor do querer que parece cada vez mais distante. Há uma beleza
na tristeza que se prenuncia.Muito bonito Manuela fruto de uma
linda inspiração na bela construção.
Não sei porque mas em momentos da releitura, parecia que estava olhando um pintura de Van Gogh. Coisa da poesia bem inspirada.

Um bom lindo domingo e que a nova semana seja de paz e saude.
Carinhoso abraço amiga.

Bob Bushell disse...

Great poem Manuela, and the picture is lovely.

Emília Pinto disse...

E tudo fica longe....tudo ficou tão longe e se tudo ficará longe, isso não sabemos. Neste mundo sem fronteiras arame farpado cerca a alma deste ser humano insensato e desumano que a impede de olhar, de escutar, de sentir, enfim de " desembarcar" onde lhe aprouver carregada de afectos, de sorrisos de solidariedade. Como diz Antonio Aleixo : " façam por não varem..." e apesar de tudo estar tao longe, porque não é a nós que nos afecta( na maioria das vez3s ) como poderemos não ver, como poderemos não sentir e não sofrer ? Os muros são altos em alguns, o arame se enrosca apertado nuns tantos outros, mas, sobra sempre um espaço, às vezes pequenino que deixa entrar os sons amargos das miserias humanas. Rasga-se o veu da saudade de tempos que já estão longe, mas que a todo o momento os queremos perto; foi ingreme a subida, mas açucares de alegria amaciavam o caminho dando-nos aquela doce sensação de que no tempo mais à frente a dor seria menor, o mundo melhor e tudo teria mais cor. Chegámos a este tempo...o outro ficou longe e a esperança essa...nem sei onde está, amiga, Lá longe ficaram muitos sonhos, outros aqui estão ainda, mas de uns tantos outros desisti. E neste espaço ecoam os passos e deles não desisto; foi-me dada a obrigação de os dar, de os seguir e até de , a alguém, ensinar os primeiros, por isso, há que prosseguir a caminhada, subindo, descendo e aceitando com gratidão aquilo que temos e somos . Há porem uma coisa de que tenho a certeza, Não devemos " fazer por não ver " ; longe, demais nalguns caso, mas perto, muito perto em muitos outros. Vejamo-los! Beijinhos, amiga e espero que estejas bem. Apesar de longe, sinto-te sempre perto como amiga. Até breve
Emilia



Evanir disse...

Que saudades de si minha querida o tempo passa mas a verdadeira amizade vai além de tudo.
Seu poema tocou fundo meu coração estou aos poucos voltando
a postar os poemas de poetisas e poetas que fizeram e fazem parte da minha viagem.
Feliz por Deus me permitir estar aqui nesse momento.
Um carinhoso abraço.
feliz semana.
Evanir.

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Tamanho este poema! Está excelente. Muito e sinceros parabéns!

Abraço

Aleatoriamente disse...

Minha Rainha, ler-te é Ápice!
Transcreves a leveza de tua alma, docilidade, intensidades, ternura.
Queria sentar contigo num cantinho do quarto e te falar que és tão querida. Que minha admiração sorve tua poesia tão plenamente.
Tudo aqui é poético, tu és a POESIA por certo em neon.
Teus dedos tecem belezas em artes tão ricas e de gestos nobres.
Vir aqui é honra, ler-te é plenitude, felicidade, encantamento.
Obrigada Anjo Azul, por esse carinho que foi, sorver cada palavra na sua mais grandiosa beleza.
Um grande beijo minha tão querida Manu.

Ana Freire disse...

Lindíssimo, Manuela!
Um pouco triste... mas haverá dias, em que parece não haver longe, nem distância... e outros haverá, em que, efectivamente, tudo nos parece longe demais...
Falando com os meus botões... acho que me vou decidir por este blog... :-D
Beijinhos! Continuação de uma boa semana!...
Ana

António Jesus Batalha disse...

Estou a tentar visitar todos os seguidores do Peregrino E Servo, e verifiquei que eu estava a seguir sem foto, por motivo de uma acção do google, tive de voltar a seguir, com outra foto. Aproveito para deixar um fraterno abraço.
António Jesus Batalha.

Zilani Célia disse...

OI MANUELA!
HÁ DIAS ASSIM, TUDO NOS PARECE MAIS LONGE.
TIRAS SEMPRE DO TRISTE AS MAIORES BELEZAS, TALENTO DE QUEM SABE.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Roselia Bezerra disse...

Boa Tarde, querida Manuela!
O longe é minimizado pelo amor...
Bjm muito fraterno

Ailime disse...

Boa noite Manuela, que poema tão belo, num estilo que muito aprecio.
Tudo ficou tão longe no tempo e no espaço, mas que a memória retém.
Um beijinho.
Ailime

Emília Pinto disse...

Querida amiga, já vai longe( não muito....) o dia em que comentei este teu "Longe " , ou melhor, penso que o fiz . Agora tenho usado o tablet ( não tinha..) e, como ainda não me sinto nada á vontade com ele, pode ter acontecido alguma coisa e o comentario ter fugido para bem longe. Vamos ver o que aconteceu....
Beijinhos e boa noite.
Emilia

Maria Rodrigues disse...

Com o passar dos tempos tudo fica tão longe (sinto muitas vezes essa nostalgia no coração).
Absolutamente maravilhoso.
Beijinhos
Maria

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Manuela.
Belíssimo poema, o digo sem qualquer tremor na voz, embora a emoção faça tremer a minha saudade: " Rasga-se o véu da saudade de tão longa noite
que já foi dia" - soberbo.
Apenas uma alma conhecedora pode descrever tão bem a saudade e... de forma tão bela.

*Afinal, fintei o tempo ;)

deixo-lhe um bj amg
bom fim-de-semana

Gracita disse...

Querida Manuela
Teu poema é tão lindo que comove o coração a conotação de tristeza expressa nos diferentes versos. Belo e nostálgico minha querida
Mulher... Um ser forte de aparência delicada
Exuberante por obra do grandioso criador
Amada por suas qualidades
Querida por sua capacidade criativa
Respeitada pela sua nobreza de caráter
Parabéns por seres esta GRANDE MULHER
Beijinhos no coração

Emília Pinto disse...

Querida amiga, espero que as gripes te tenham deixado e que estejas bem. No comecar de novo disseste que o meu comentario já estava aqui, mas não; está só a minha pergunta. Desculpa, mas ainda sou muito" nódoa " nestas coisas e várias vezes faço asneira. Bem...paciência; o que importa é que me fizeste uma visita que me agradou muito. Amiga, beijinhos e muita saúde.
Emilia

rosa-branca disse...

Olá amiga, tudo fica tão longe e ás vezes está à distância de um olhar. Maravilhoso poema que adorei e já tinha saudades de ler tão bela poesia. Beijos com carinho

Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

O que se sente dentro do peito, é um misto de dor e fortaleza.
Inatingível é a plenitude. O que se nos afigura longe, é o estado de espírito de cada momento.
Magnífico.


Beijo
SOL

As Mulheres 4estacoes disse...

Alguns momentos e lembranças,embora recentes, às vezes parecem muito longe no tempo.
Lindo poema!
Abraços, Sônia

Odete Ferreira disse...

Transcendência... Infinito...
Um poema de uma sensibilidade (e inquietude) quase palpável.
BELO!
BJO, amiga :)