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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

As Lezírias



 
As lezírias perfumavam a distância
no pequeno bago de arroz.

Enchia-se o vale de ti,
na aragem morna, procurando
o verde dos teus olhos.
Não pergunto onde tu estás.
Vejo-te em cada pupila de flor
que escuto.
E estás na sombra de cada pétala
que escreve a poesia do teu nome.
Procuro ouvir-te, atravessando os
charcos saltitando de vida.

O chão não apodreceu.

A vida é a “anima” da beleza
de Ser e Estar vivo.
Na aridez tórrida do deserto
no enigma do escorpião
no lodo do pântano
nos mosquitos em multidão
no oásis mais belo
...tudo está em comunhão

 Na lama senta-se a flor
num anfiteatro de folhas
crescendo no capim
onde se vai fechando a luz.
Pernoitam os insetos
ruminando a noite calada.
Tudo dorme.

Espero-te
no colo das minhas mãos
na ternura da madrugada




Manuela Barroso, " Eu poetico VI"
Pintura: Claude Monet