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sexta-feira, 1 de março de 2013

Cardos




 ...E era azul
Dos cardos sorriram rosas com fios de alvoradas
E no ventre dos montes nasceram fontes de primavera
Correram urzes e tojo e mimosas nas encostas escrevendo gotas
na terra orvalhada
Pelas gretas nuas da serra corria o pólen misturado com a imagem
das flores por gerar
Não quero o frio que corta a corrente deste sangue que alimenta
este eco vagabundo.
Não quero a foice que corta a nuvem onde planto meus devaneios
Não quero o ruído que destrua a voz deste meu silêncio que canta
e grita e sorri e olha enlevada aqui
Não quero olhares  ausentes  frios, distantes misantropos nos gestos
e palavras do meu corpo.
Deixa abrir os olhos e abraçar o sol, o mundo e o belo que a Natureza
tem no vulcão mais profundo
Quero explodir como a lava, quente, luminosa, na incandescência das brasas.
E aquietar-me
Fechar as asas
Deixa pasmar o meu silêncio e saborear a torrente de labaredas gigantescas
nas cores que explodem, subindo desta cratera profunda
Quero repousar os meus sentidos no colo da serra, aquecer o chão
do meu peito onde germinarão sementes de sonhos no coração da terra  
Deixa que se abram os dedos dos olhos e das mãos
Há tanto por fazer nascer.
Há tanta solidão
Quero voltar aos cardos agrestes na verdade da sua  despida inocência
Quero o odor dos perfumes silvestres percorrendo preguiçosamente o ar
numa calma sonolência.
Em deliciosas demoras quero flor de rosmaninhos  e amoras.
Tudo muda.
Tudo vai embora e seja como for, eu ficarei aqui plantada com os cardos
no azul da serra em flor.
Deixa que adormeça no sossego que entra na canção do vento
onde as sombras são as bailarinas neste palco mudo,
num eterno encantamento

 
Manuela Barroso, in "Poemas Oblíquos"
Tela - Waterhouse
 

45 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Assim me sinto, aqui, "num eterno encantamento"...
A imagem, e as "imagens" do poema, são lindíssimas.

Um carinhoso abraço, Manu,
da Lúcia

✿ chica disse...

Maravilhoso poema,Manuela! beijos,lindo fds! chica

Humberto Maranduva disse...

O sentido natural, essencial do poema transcende o prosaísmo simples das palavras. Este poema respira sensibilidade e beleza. Parabéns.

Manuel Bragança dos Santos

Humberto Maranduva disse...

O sentido natural, essencial do poema transcende o prosaísmo simples das palavras. Este poema respira sensibilidade e beleza. Parabéns.

Manuel Bragança dos Santos

R. R. Barcellos disse...

Os dedos da bruma, deslizando entre as colinas
Afagam os cardos adormecidos
Amorosamente.

Belíssimos versos. Abraços.

Gracita disse...

Os teus belíssimos versos exalam a sensiblidade por cada letra aqui tracejada. Um poema melódico e suave. Adorei este lirismo. Parabéns amiga! Beijos com carinho e ternura.
Gracita

Mônica disse...

Manoela
sempre seus poemas sao de encantamento e de vontade de reler bastante ate decorar. pena que nao consigo.
Com amizade Monica

Maria Emilia Moreira disse...

Olá Manuela!
Ler-te é regressar às origens, à serra mãe, à natureza pura, ao odor dos silvados com o despertar dos primeiros raios de sol, as gotículas de orvalho...enfim! Ler-te é sonhar com o mundo maravilhoso da "Criação".
Existe sempre uma grande harmonia que nos embala durante a leitura do poema. O meu abraço.
M. Emília

Anne Lieri disse...

Encantamento é o que sinto ao ler suas poesias,Manoela!Linda e sensivel demais,adorei!bjs,

Parole disse...

Fico sempre sem palavras para te comentar, Manu, tal a beleza das imagens poéticas que as tuas palavras produzem no meu olhar... Belíssimo!

Beijinhos e tenha um lindo domingo.

Eloah disse...

"Quero voltar aos cardos agrestes na verdade da sua despida inocência".Querida que preciosismo de sentimento!Tem a doçura das palavras que imprimes suavemente e sempre nos teus textos e na tua poesia.Amei teus cardos e o teu deslizar na calma benfazeja entre a natureza e a paz almejada. Bjs Eloah

Armando Sena disse...

Uma bela alegoria à primavera, ela que tudo faz renascer. Será?

Maria Rodrigues disse...

Belissimo poema. Divagamos pela vida sem parar e temos tantas vezes por companhia apenas a solidão.
Bom restinho de domingo
Beijinhos
Maria

Nilson Barcelli disse...

A tua poesia encanta-me sempre.
Mesmo quando é feita de cardos...
Excelente, como sempre.
Manuela, minha querida amiga, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijo.

SANTA CRUZ DIÁCONO GOMES disse...

Manuela: Lindíssimo além de ser um poema melódico mas com um certo lirismo adorei.
Beijos
Santa Cruz

Dete disse...

Lindos poemas, lindas fotos, ótima seleção de temas. Parabéns!

Helena Chiarello disse...

O desejo de vida, de intensidade, de emoção, brota com a força e a beleza dos cardos agrestes... Lindo!
Uma viagem sempre encantadora e encantada ler você, querida amiga!
E saio daqui com o aroma dessas palavras, nas mãos, nos olhos e no coração...
Muitos beijos e meu maior carinho!

Beatriz Bragança disse...

Manelinha:
Criaste um visual novo para a tua página inicial.Está lindo! Que imagem mais maravilhosa!!! Que beleza! É bem certa a frase que diz « Uma imagem vale mais que mil palavras.»
São gotas de orvalho que caíram durante a madrugada e se instalaram por toda a planta? «Com os primeiros raios de sol, tomou a aparência de um diamante, encantando a todos com o seu brilho e a sua pureza.»(J.S.Nobre)
Vê só o que despertaste em mim, só de olhar para essa belíssima imagem! Isto é a Natureza e as suas maravilhas, que tanto te atraem.Parece um querer o regresso às origens,quero dizer, às tuas Terras, onde pulula uma vegetação semelhante àquela de que falas no teu belo poema.
Esta bela poesia, como dizia Adolfo Casais Monteiro «é da terra, porque(a poetisa) é da terra; é arte, não por apreender quaisquer valores ultra - terrenos, mas por conter, em inesgotável possibilidade ecoante...» um «eterno encantamento.»
Parabéns,minha poetisa muito amiga.
Beijinhos da
Beatriz

Luma Rosa disse...

Oi, Manuela!!
É primavera no seu coração!
A natureza trabalha tão silenciosamente, imagina se fizesse barulho! :)
Cada cor uma nota musical e seu poema uma bela orquestra!
Boa semana!! Beijus,

Manuel Pintor disse...

e assim se aquietam olhares abertos
sobre quanto o sol alcança
na profundeza dos vulcões

é de luz, flores,
é de ver de luz
a explosão azul dos corações

"Há tanto por fazer nascer."

Manuel Pintor disse...

e assim se aquietam olhares abertos
sobre quanto o sol alcança
na profundeza dos vulcões

é de luz, flores,
é de ver de luz
a explosão azul dos corações

"Há tanto por fazer nascer."

AC disse...

A Natureza, eterna inspiração...!
Muito belo e intenso, Manuela!

Beijo :)

tecas disse...

«Não quero a foice que corta a nuvem onde planto meus devaneios
Não quero o ruído que destrua a voz deste meu silêncio que canta
e grita e sorri e olha enlevada aqui»
Maravilhosa imagem poética, querida Manelinha. Todo o poema tem o aroma da Mãe Natureza « Mãe Terra» que a chama com amor.
A intensidade e a musicalidade corre livre como corre a poesia em si.
Divino, grande poeta.
Beijinho amigo e muitas flores ( já geradas)

MARIA DA FONTE disse...

Fiquei encantada com tanta beleza, li e reli. Um beijinho grande

MARIA DA FONTE disse...

Fiquei encantada com tanta beleza, li e reli. Um beijinho grande

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

E " num eterno encantamento " continuas tu, Manuela a misturar vida e natureza...natureza e vida. E não será assim? Claro... e ai de quem não pense que a vida é como " ventre dos montes onde nascem primaveras " onde " há tanto por fazer nascer...onde há tanta solidão e onde tudo muda " E " era azul, Manuela...e tem de continuar azul a nossa terra...a natureza; azul também a nossa vida; quero continuar a sentir o perfume das flores silvestres...ver o sol do astro rei que agora mais vezes aparece. Não quero frio...não quero " olhares ausentes". Quero luz...quero " o sossego que entra na canção do vento "
Encantada mais uma vez eu fiquei com a beleza das tuas palavras sempre louvando a vida e a natureza, duas preciocidades às quais nem sempre damos o devido valor. Beijinhos Manuela e obrigada por este belo momento
Emília

Paulomauricio disse...

Boa noite amiga! Eu que agradeço por voce compartilhar tanta coisa linda! Beijos e uma ótima semana! :)

Gabriel Mitel disse...

You've got a nice blog here I follow...
http://ancinetwisdom.blogspot.ro/

Lunna Guedes disse...

Há tempos não venho aqui e hoje, nesse fim de tarde com a chuva molhando o asfalto lá fora e eu aqui nessa varanda a apreciar o cenário que chega junto a mim em meio as suas palavras. Gosto da solidão que desliza por suas linhas e acaricia o meu olhar. É um estar sozinho que se faz sopro do vento. Tudo tão calmo. Sem precipitações comuns. Sem o cansaço de olhar cenários inteiros sem o outro e ainda assim os versos falam-me desse instante onde tudo se precipita. rs

Grazie carissima
bacio

fus disse...

Hermosos ramilletes de versos de primavera formando un poema magistral.

un abrazo

fus

Paulomauricio disse...

Seja sempre bem vinda, grande poetisa e amiga. Aproveito pra lhe oferecer o meu award e o selo pena de ouro, e com eles a minha amizade e sincera admiração! Beijos e obrigado mais uma vez por compartilhar também tantas coisas lindas!

SOL da Esteva disse...

Querida.

Uns quantos cardos mantêm-nos despertos para a Vida. Há sempre o outro lado.
Poesia encantadora!
Amei.

Bejos


SOL

✿ chica disse...

Manuela, cheguei agora de uma lindo passeio, bem reenergizada e vim te desejar feliz dia amanhã! beijos,chica

Maria Alice Cerqueira disse...

Olá amiga você que está sempre presente em meu cantinho, eu venho lhe agradecer de todo o coração, o carinho de sua presença. Que Deus a abençoe e guarde, hoje e sempre. Assim que poder voltarei. Tenha uma linda semana coberta de muita paz e amor! Com carinho Maria Alice. Obrigadoooooooooooo!!!!!

Aleatoriamente disse...

Manu querida,
É lindo te ler, é lindo saborear as palavras em união, sensibilidade e grande sentimento.
Parabéns Mulher -poesia.

Beijo

ana costa disse...

Até porque do cardo brota uma linda flor roxinha!!!!!
Linda sem dúvida toda a sua poesia minha amiga, é uma grande honra poder partilhar estas leituras....
beijo e bom fim de semana

Evanir disse...

A cada hora sou chamada, é desafiada
para aprender nova lição,
para expandir a consciência da conquista da paz e do amor a DEUS e ao próximo.
Experimentar tudo na vida é bom.As coisas ruins me ensinam a viver.
As coisas boas me mantém viva.
Eu sou as lembranças que tenho, os objetivos que traço, as mudanças que sofri.
Eu sou a infância que tive, sou a fé que carrego
em Deus.
Nesse dia consagrado a mulher venho te deixar meu amor e carinho.
Eu sou mulher.
Eu sou mãe.
Eu sou avó.
Eu sou bisavó.
E continuo sendo (Mulher)
Feliz ,é a mulher que não para no tempo será mulher dos 0 até os 100 .
Meu eterno carinho.
Beijos na sua alma.
Evanir.

Olinda Melo disse...


Eram cardos...mas afinal são rosas, rosas belas que nascem dos seus belos poemas, querida Manuela, com uma grande mensagem de amor.

Votos de Felicidades.

Bjs

Olinda

Gracita disse...

Oi minha amiga querida!

Somos inteligentes
Somos carinhosas
Somos batalhadoras
Somos delicadas
Lindas e sensíveis...
Somos românticas
Sensuais e sinceras.
Somos MULHERES,
Somos Guerreiras!!
Parabéns pra você neste dia especialmente dedicado a ti!!!!
Beijinhos com carinho!
Gracita

Malu Silva disse...

Você é mesmo um colosso!! Estas metáforas pungentes que nos despertam para um mundo radiante e cheio de magia!!!
Adoro.
Quero vir sempre...
Abraços

Maria Rodrigues disse...

Manuela passei para desejar um excelente fim de semana.
Beijinhos
Maria

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Manuela;excelente poema....
Cumprimentos

luís rodrigues coelho Coelho disse...

E que dizer de um poema tão cheio de vida, sonho e de esperança por nascer...? Em cada manhã se abrem novos horizontes nas gotas de orvalho que sorriem nas folhas verdes das plantas.

Desejo-lhe uma boa semana.

.•♫•. Nancy .•♫•. disse...

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Un petit bonjour chez toi Manuela en ce vendredi
GROSSES BISES et bonne fin de semaine !!!!!!!

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ana costa disse...

Olá amiga passando e deixando um beijinho....