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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Uma Rosa - Simplicidades


"As flores não morrem de pé, vivem em perfumes"


Parou o sol.
O tempo esqueceu-se de fazer parar os ponteiros do meu dia.
Morreram as minhas rosas.
Morreram?
Não.
Ainda dormem saudades em botões calados que não desistem da vida.
As pétalas silenciam a sua beleza deixando-se apagar, murchando-se
em novelos de abraços.
As flores não morrem de pé, vivem em perfumes.
Ficaram os picos secos como as ameias de um castelo na defesa das
hastes erguidas e nuas que antes se passeavam no vento ligeiro e fino,
exibindo os seus trajes em sedas de juventude.
A mocidade dos dedos de estames caiu com o pólen nas intempéries
da vida, exposta aos caprichos do tempo e ciclos da Natureza.
Resignadas respondem mudas aos nossos olhos perguntadores,
transmitindo ao coração a dor da decadência nesta nudez enrugada e triste
mas serenamente ainda bela.
Um botão uterino com sementes estéreis e espinhos agudos mas quase
cegos numa última defesa muda, eis o que resta do que
outrora foi um reino de êxtases em perfumes e cores num hino à rainha das flores.
Respiro com este “fruto” nas horas feitas de nostalgia.
Mas neste inverno de azul-cinza a minha alma acorda deste açude de saudade
e pinta de novo a primavera que dorme entorpecida mas que acordando
sempre se renova com a mesma idade.
O sol chamará de novo a vida.
Em breve as minhas rosas semearão olhos de juventude apetecida.
Viverei os encantos de cada maio com as pétalas a sorrir,
guardarei na memória o perfume de cada aurora,
para viver de novo em cada florir.
E um dia será com uma colcha de rosas
com que quero que me cubram
quando eu partir.
As rosas vão e vêm...
Eu vou...
...para de outra forma
vir...


Manuela Barroso
Inverno de 2013




"... eis o que resta  do que outrora fora um reino de êxtase de perfumes e juventude...
...respiro este fruto nas horas feitas de nostalgia."

"Um botão uterino com sementes estéreis/Inverno 
Inverno de 2013

28 comentários:

✿ chica disse...

Foste fundo,Manuela!Lindíssimo ,profundo e faz pensar! Adorei! beijos praianos,,chica

Olinda Melo disse...


E o pólen assegurará a renovação e com a primavera o sol também voltará. A autora também voltará ou permanecerá através das suas palavras, dos seus belos escritos em prosa e em versos, com que vai tornando o mundo mais aprazível.

Gostei muito.

Bj

Olinda

Gracita disse...

Amada Manuela
A rosa não morre apenas adormece naquele botão uterino para ressurgir ainda mais exuberante. Lindo poema minha querida.
Beijos com meu carinho
Gracita

Lita disse...

Poema e fotos lindos! Adorei!
Beijinhos
Lita

Leninha disse...

Manu querida,

As rosas irão e outras voltarão a reviver os seus encantos...mas nunca serão as mesmas, apesar do perfumado aroma e da beleza infinda...enquanto que nós, humanos seres, permaneceremos em nossas obras, em nossos descendentes e nos que virão após.
Renasceremos em outras dimensões, em outras vidas? quero crer que sim...

Bjssssss e uma rosa,
Leninha

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

E cá estou eu, neste novo ano, com a simplicidade das minhas palavras, deliciando-me com as tuas rosas que de novo se erguerão orgulhosas, passados que forem estes dias invernosos. Como eu anseiam elas pela alegria da Primavera para que " as horas feitas nostalgia" se transformem em dias em que" o sol chame de novo a vida"
Os ciclos da natureza têm os seus caprichos...a vida também, mas...havemos de sobreviver. O Inverno acabará... o sol vai aparecer e com ele todas as rosas vão florescer.Assim vai ser, Manuela...assim é sempre!
Vim ao teu convite à leitura...senti a tua paz...li a carta ao Menino Jesus. Penso que deixei as minhas palavras simples...Não sei...será que por engano não publiquei?
Não preciso de te dizer que me soube bem ler as tuas simplicidade e com elas vou dormir. Cá estarei sempre, amiga! Fica bem e até sempre. Um beijinho muito especial
Emília

elvira carvalho disse...

Um lindíssimo poema pese toda a amrgura nele impressa.
Um abraço e bom fim de semana

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Um eterno surgir e ressurgir, na beleza da vida...

Sempre um poema que encanta!

Beijo, Manu,
da Lúcia

Sandra Subtil disse...

Que texto maravilhoso, Manuela!

"Ainda dormem saudades em botões calados que não desistem da vida."

Lindo, lindo, lindo!
Beijos

Beatriz Bragança disse...

Querida Manelinha:
Já reparaste que nós somos como as rosas?!...O nosso exterior silencia a nossa beleza,quando nos«apagamos».Só que existe uma grande diferença:enquanto elas rejuvenescem a cada Primavera...nós, nem sempre.
Escreves sempre tão bem!...
Bom fim de semana
Beijinhos da
Beatriz

Maria Emilia Moreira disse...

Olá Manuela!
Fiquei em êxtase quando terminei a leitura do poema! Admirável a forma como pegas nas palavras e as multiplicas em luz...música...canto...
O ciclo da renovação da natureza tratado de forma maravilhosa!
Beijos.
M. Emília

Armando Sena disse...

Que bela mensagem de esperança, ainda mais importante nos tempo que correm.
bjs

R. R. Barcellos disse...

Efêmera foi um dia
A rosa em tua consciência;
Mas hoje, em tua poesia,
É eterna em sua essência!


"Enquanto o valor do diamante se dilui por toda a eternidade, o valor da flor concentra-se em sua efemeridade. Segundo por segundo, a flor é mil vezes mais valiosa."

Beijos.

Maria Rodrigues disse...

Nostálgico e belo. As rosas apenas adormecem para depois floresceram ainda mais belas e vigorosas, nós florescemos também, mas através nos nossos filhos.
Bom domingo
Beijinhos
Maria

Anne Lieri disse...

Manuela,mas que linda essa poesia!Tudo na natureza acontece em ciclos num eterno despertar!Bjs,

Nilson Barcelli disse...

Deixarás as tuas sementes e, por isso, não morrerás... e serás perpetuada nas sementes das sementes e por aí fora.
Fizeste mais um excelente poema. Parabéns pelo teu enorme talento com as palavras.
Manuela, minha querida amiga, tem uma boa semana.
Um abraço.

Pérola disse...

Um renascer que se adivinha.
Um reçomeço que se anseia.

Que bela comparação.

Assim a vida tivesse sempre a certeza de novas e perfumadas oportunidades.

As fotografias estão lindas.

As tuas publicações melhoram sempre.
Desconheço de onde te vem esse sopro inspirador, mas bem haja!

Beijinho

Fernando Santos (Chana) disse...

Belas fotografias e poesia...Excelente post....
Cumprimentos

Mônica disse...

Manoela
Que beleza de poesia. Eu adoro rosas e sei o tanto que ela pode ser comparada a nossa vida.
precisamos refletir sempre. Rosas sao feitas para amar e apreciar assim como a humanidade.
com carinho e tambem sem tempo e com saudades Monica

ana costa disse...

Porque a vida é feita de ciclos, que o teu renascimento venha impregnado pelo suave cheiro das mais lindas rosas...
Adorei este lindo e maravilhoso poema!!!!
um beijo

fus disse...

Una maravillosa entrada, muchas gracias por compartir.


un abrazo

fus

SOL da Esteva disse...

"[...]Em breve as minhas rosas semearão olhos de juventude apetecida.[...]"
Se assim é (eu acredito) porque se vê um toque de nostalgia?
Um lindo Poema a dizer que a Primavera volta sempre, no seu tempo, que é o tempo certo.


Beijos



SOL

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida Manuela

As tuas palavras são pétalas de rosa que irão permanecer para além de ti...ficará para sempre o perfume das tuas palavras.
E...neste momento sinto que sempre que vir uma rosa me vou lembrar de ti.
Sabes que foste a única pessoa que me viu na foto do meu blogue...tu sentiste que era eu.


Um beijinho com carinho
Sonhadora

Mariazita disse...

Olá, Manuela
Assim se completam os ciclos da vida - nada desaparece, apenas se renova em novas formas e cor.
A rosa propaga-se através desse botão uterino, fonte de vida, enquanto nós, humanos, nos perpetuamos através de filhos, netos, bisnetos, enfim, descendentes... mas não só, também através da obra que deixamos feita.
E, para os que acreditam, há sempre um ressurgir.
Achei este poema, ou texto poético, simplesmente maravilhoso!

Bom fim-de-semana.
Beijinhos

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

O sol voltará certamente...
Para já é mau tempo... também faz parte!!!

Bom fim de semana!

Sissym disse...

Manuela,

As rosas são belas, mas vivem tao pouco!

Quando botão, o misterio de sua formosura faz com que a atenção se concentre no desabrochar.

Enquanto flor existe exuberancia, quando murcha, francamente, eu fico triste.

Contudo, nós conseguimos ser mais tempo botão e muito mais flor em vida. Chegará o momento da velhice que não precisará ser como uma rosa murcha preste a morrer.

Beijinhos

Zélia Cunha disse...

Manuela,

Não tenho palavras para tecer comentários. Simplesmente fique extasiada com a beleza de tua poesia. tocou-me fundo a alma e emocionou,parabéns!
Beijos!

lis disse...

Me encontro nas suas palavras , nos seus versos , em ti.
Obrigada pelo dom que não deixas passar_ usa-os tão bem!
As flores murchas são também muito significativas_ acontece com todo a humanidade e ninguém percebe ...
Muito belo Manu
parabéns