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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Minha Pátria!



Oh minha Pátria,              
meu berço
onde a esperança morre na saudade,
meu poema naufragado na indiferença
precipício ignorante
abismo de pobreza
eco morto no clamor da desigualdade
ferro e absinto
grilhões e privações dos famintos!
De que matéria é feita o teu fado?
De que bronze é esculpido o teu destino?
Acenda-se o archote
na bandeira do teu reino
e que as árvores falem de ti
no sangue da seiva,
no desespero da medula do grito.
É de sal o pão
e de pedra o coração
entorpecido no espelho de miséria
nas ruínas contorcidas.
Sufocaram-te
e vestiram de chumbo os teus filhos.
A chuva corre nos olhos desvairados
sem cais nem abrigo
dormindo no lodo apodrecido.

 A noite despertará
da letargia deste breu negro,
da esperança incerta, vadia.
Desta amálgama lamacenta,
na brancura de outras madrugadas
bambus impenetráveis despontarão
da aurora.
Se debruçarão
sobre silêncios ruidosos
de rosas vermelhas
que no chão
não cairão!

Manuela Barroso
 
 

24 comentários:

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

E aqui está um grito de desespero da nossa Pátria...um pedido de socorro do povo português, um povo cansado...desesperado...já com fome...fome de compreensão e até de pão. E agora sou eu que ESPERO, confesso, sem grandes esperanças que este breu que envolve a nossa Pátria se transforme num verde de esperança...esperança de que alguém ouça este grito e comece a cuidar das rosas deste nosso cantinho para que elas não murchem e não se esparramem desoladas pelo chão. Belo pedido de socorro que fazes em nome da nossa Pátria...em nome de todos nós, Manuela. Parabéns, amiga. Um beijinho e um bom fim de semana
Emília

São disse...

Tocante e muito bem escrito o seu poema, particularmente para quem ama Portugal e o vê a ser deliberadamente destruído.

Um fraterno abraço.

Zilani Célia disse...

OI MANUELA!
VERSOS QUE TOCAM FUNDO A ALMA DA GENTE, EM METÁFORAS DOLORIDAS, QUE CHORAM A PÁTRIA AMADA.
QUE ESTAS ROSAS VERMELHAS NÃO CAIAM MESMO, MAS, PERMANEÇAM COM SEU VIÇO, PERFUME E COR E SENSIBILIZEM O MUNDO ATRAVÉS DE SEU MUDO PROTESTO...
ABRÇS zilanicelia.blogspot.com.br/
Click AQUI

Eloah disse...

Manú, minha linda amiga, que belo hino de amor a tua pátria que fizestes deste teu poema!Nem sempre tudo que fazemos é o bastante, mas sempre é o suficiente para expressar o nosso amor e a nossa dor.Que as rosas vermelhas sejam o símbolo da beleza desta terra preciosa que é Portugal.
Toda a ternura e amizade.Bjs Eloah

Leninha disse...

Manu querida,

Uma ode à tua pátria, tão abandonada e ultrajada...um pedido de socorro aos céus, já que não há entre os da Terra, quem a proteja.

Despertá-la é preciso, esperanças no futuro sempre hão de existir e novas madrugadas poderão trazer em seu bojo,dias menos doridos.

Que estas rosas se mantenham firmes, altivas e imponentes...há que se endurecer, como dizia Guevara, sem perder a ternura jamais.

Bjsssss carinhosos,
Leninha


na brancura de outras madrugadas
bambus impenetráveis despontarão
da aurora.
Se debruçarão
sobre silêncios ruidosos
de rosas vermelhas
que no chão
não cairão!

Dulce Morais disse...

Manuela, a pureza dos versos desta ode à Pátria garante que o "poema naufragado na indiferença" afinal, será resgatado pelos leitores que apreciam a beleza!

Pérola disse...

A actualidade numa pungente poesia.
Deveras real e simultaneamente tão poética.

Valha-nos a esperança que aflora como término dum grito em aflição.

Beijinho

Nilson Barcelli disse...

"É de sal o pão
e de pedra o coração
entorpecido no espelho de miséria "
Estes versos, sublimes, resumem o estado da nação...
O teu poema é excelente. Parabéns pela forma e conteúdo do poema.
Manuela, tem um bom fim de semana.
Beijo.

MARIA DA FONTE disse...

Lindo, Manuela! Eu, uma revoltada, comovi-me. Beijo grande

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Quando a pátria está ferida, cada um de seus filhos sofre as dores, no mais profundo de si. Este hino-lamento retrata toda o real sofrimento por que passa um povo cheio de brio e bravura.
Queremos crer que este ciclo tenha seu tempo limitado e sol da alegria volte a brilhar.

Um abraço, Manu,
da Lúcia

Mônica disse...

AH! manuela voce descreveu a sua patria com um belo mas triste poema.
Eu gostei depois de ler inteirinho e duas vezes.
um grande abraço de monica

silvioafonso disse...

.



Voltei para te lembrar que,
Amanhã, 01 de outubro você
se sentirá na pele de uma
das pessoas que lutou para
conseguir o grande amor de
sua vida e viu com o passar
do tempo a maioria dos dese-
jos ser assassinada pela pes-
soa amada, esmaecendo o
grande sentimento.

Espero você lá.

Um beijo,

silvioafonso







.

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida Manuela

Em que chão se arrastam os filhos deste país...em que nevoeiro se perderam os sonhos...de quanta dor se faz o cansaço e se sepulta a esperança.
As tuas palavras choram a dor de quem não a sabe descrever como tu.
Que os poetas das rosas façam grito esse grito que das tuas mãos escorreu com a profundidade da razão.
Poderia dizer tanto do teu poema, mas quem sou eu...apenas consigo sentir e dizer que é SUBLIME como tudo o que escreves.

Um beijinho com carinho e admiração
Sonhadora

SOL da Esteva disse...

O Amor á Pátria leva-nos a gritar e a sentir tristeza e mágoa. O contrário é que está errado.
Não podemos tomar as palavras de Cristo para desculparmos o indesculpável, porque de muitos "avisos" e alertas foram dados. Mesmo assim, disse: "perdoai-lhes que não sabem o que fazem!"
..."Pior que errar é persistir no erro"


Beijos


SOL

Antônio Lídio Gomes disse...

Agradeço tua visita.
Também gostei daqui.
Bem-vinda.
Um abraço.

Benó disse...

Tenhamos esperança. A noite despertará. O seu poema é lindissimo e sabemos que a pátria já caiu muitas vezes e outras tantas se levantou.
A nossa alma lusitana continua e os poetas podem agora cantar as suas desgraças e desamores.
Adorei vir visitá-la

O Profeta disse...

De folhas de Outono se coroa uma tonta
Lancei pedras sobre as ondas furiosas
Teimosamente arde neste peito uma raiva
E vi muito lixo num covil de raposas

As coisas que um poeta vê
As coisas que que invadem uma alma demente
Num silencio contaminador, estonteante
Ouvi palavras de amargo presente

Cheguei finalmente a uma certa praia
Fiquei encoberto por uma mancha de gaivotas
Na impressionante fachada da minha alma
Fecham-se com estrondo todas as portas


Doce beijo

ONG ALERTA disse...

Excelente mas sempre haverá esperança, beijo Lisette.

marciagrega disse...

É mais um lamento do que um poema... Uma triste realidade que deve ser cantada em versos aos quatro cantos do mundo! Mas...não há mal que dura pra sempre!!!

Beijos

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

BlueShell disse...

Estou contigo nesta dor...no choro da Pátria...
Que será de nós????
Que será de um povo que já tanto sofreu???


Lu Guedes disse...

Esse seu versar me fez aqui suspirar mais intenso. Que sabor. E o silêncio ruiodos de rosas vermelhas alcançou-me de tal maneira que fechei os olhos e fui para além das figuras que tenho aqui pra mim. Grazie carissima pela poesia que me estende como se fosse um tapete. bacio

Maria Emilia Moreira disse...

Olá Manuela!
Só uma poetisa de mão cheia consegue transpor para o poema tantos sentimentos de angústia, de espanto e revolta com tamanha emoção.
Um abraço da
M. Emília

Olinda Melo disse...


Olá, Manuela


Maravilhoso poema, maravilhosa poeta/poetisa, que toca fundo no nosso coração com este grito que também é nosso. E que forma de escrever, em metáforas que dizem tudo, que deixam entrever o desnorte que nos acompanha.
Também acredito que voltaremos a cultivar o nosso jardim donde brotarão rosas que jamais murcharão.

Beijos

Olinda